Literatura
Publicado por Matheus Arcaro
“Não creio ser possível escrever biografias. Nem mesmo pela
própria pessoa em questão. Sob qual ponto de vista me descreveria? Seria eu um
diretor de criação publicitária? Um artista plástico amador? Um escritor que
acaba de lançar seu livro de contos? Ou simplesmente um cara de 31 anos que
adora jazz, mpb e música clássica? É, definitivamente os recortes são muitos. E
existe um Matheus para cada um que vê o Matheus.”
É preciso pouco pra ser feliz. O difícil é nos darmos conta
disso.
Nessa época do ano é comum as pessoas desejarem abundância
aos que amam. Sempre que vejo essas mensagens me lembro de Epicuro. Felicidade,
para Epicuro, é sinônimo de hedonismo, ou seja, aproximar-se do que é prazeroso
e fugir do que é doloroso. Contudo, engana-se quem acredita que o prazer é
excesso.
Na verdade, é justamente aí que reside uma das fontes de
dor: quanto mais se quer, mais se sofre. O prazer pleno não se realiza na
satisfação dos desejos, mas na remoção dos desejos não-naturais e
não-necessários (honra, riqueza, glória). Assim, Epicuro nos ensina que é
preciso pouco pra ser feliz: comida, bebida, moradia e satisfação das
necessidades fisiológicas. Pra isso, a filosofia é essencial, já que ela nos
ensina a moderar os os desejos utilizando a racionalidade.
"Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a
tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo, não tendo que ir em busca de algo
que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo,
estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos
pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se
faz sentir."
Outro ponto fundamental é a Philia. O homem, em pequenas
comunidades, compartilhando o que há de mais importante: os laços da autêntica
amizade.
Desse modo, pra Epicuro, seria possível viver a imortalidade
nessa vida, no aqui e agora.
“Medita todas estas coisas e nunca mais te sentirás
perturbado, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha a
um mortal o homem que vive entre bens imortais.”



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