"Rancho Grande (dos Tropeiros)",
de Benedito
Calixto, de 1921. Ao fundo, o hospital e igreja da Misericórdia, em Santos.
Tropeiro é a designação dada aos condutores
de tropas ou comitivas de muares e cavalos entre as regiões de produção e os centros
consumidores no Brasil a
partir do século XVII. Mais ao sul do Brasil, também são conhecidos como carreteiros devido
às carretas com
as quais trabalhavam.
Cada
comitiva era dividida em lotes de sete animais, cada um aos cuidados de um
homem que os controlava através de gritos e assobios. Cada animal carregava
cerca de 120 quilogramas e chegava a percorrer até 3 000 quilômetros.
Um
dos marcos iniciais do tropeirismo foi quando a Coroa Portuguesa instalou, em
1695, na Vila de Taubaté,
a Casa de Fundição de Taubaté, também chamada de Oficina Real dos Quintos. A
partir de então, todo o ouro extraído das Minas Gerais deveria
ser levado a esta Vila e, de lá, seguia para o porto de Parati, de onde era encaminhado para o reino via
cidade do Rio de
Janeiro.
Ao
longo das rotas pelas quais se deslocavam, ajudaram a fazer brotar várias das
atuais cidades do Brasil. As cidades de Taubaté, Sorocaba, Viamão, Santana de Parnaíba, Castro, Cruz Alta e São
Vicente são algumas das
pioneiras que se destacaram pela atividade de seus tropeiros.
Ainda
hoje, tropeiros atuam em algumas regiões do Brasil, como os que transportam
queijos e doces da região de Itamonte, em Minas Gerais, para Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro.
Na região sul do
país, "tropeiro" era o condutor de tropas de muares da cidade de Viamão até Sorocaba. Essas tropas abasteciam o ciclo do ouro em Minas Gerais no século XVII.
Essa atividade foi responsável pela fundação de inúmeras cidades nos Estados
do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Antes
das estradas de ferro, e muito antes dos caminhões, o comércio de mercadorias era feito por
tropeiros, nas regiões onde não havia alternativas de navegação marítima ou
fluvial para sua distribuição. As regiões interioranas, distantes do litoral,
dependeram durante muito tempo desse meio de transporte por mulas. Desde fins do século XVII, as lavras mineiras,
por exemplo, exigiram a formação de grupos de mercadores no comércio
interiorano. Inicialmente chamados de homens do caminho, tratantes ou
viandantes, os tropeiros passaram a ser fundamentais no comércio de escravos,
alimentos e ferramentas dos mineiros. Longe de serem comerciantes
especializados, os tropeiros compravam e vendiam de tudo um pouco: escravos,
ferramentas, vestimentas etc. A existência do tropeirismo estava intimamente
relacionada ao ir e vir pelos caminhos e estradas, com destaque para a Estrada real -
via pela qual o ouro mineiro chegou ao porto do Rio de Janeiro e
seguiu para Portugal.
O constante movimento, o ir e vir das tropas, não só viabilizou o comércio como
também se tornou elemento chave na reprodução econômica do tropeirismo.
Os
tropeiros transportavam uma grande variedade de mercadorias como açúcar mascavo, aguardente, vinagre, vinho, azeite, bacalhau, peixe seco, queijo, manteiga, biscoito, passas, noz,farinha, gengibre, sabão, fruta seca, chouriço, salame, tecido, alfaias, marmelada, coco, carne seca, algodão, sal, vidro para janela etc.
Fonte: Wikiédia
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