LUIZ (LUA) GONZAGA
CENTENÁRIO
“Luiz Gonzaga não morreu/ nem a sanfona dele desapareceu (...)” - http://letras.mus.br/luiz-gonzaga/1563388/# - e que jamais morrerão ou desaparecerão. Referia-se o bom (Lua), ao compor aquela música, ao episódio em que sofrera um acidente de automóvel no qual perdera uma vista, mas que jamais dele tirou a alegria de viver e de compor as mais belas melodias do cancioneiro popular nordestino.
Saiu de Exu, cidade do interior pernambucano fugido, e a colocou no mapa do Brasil e do Mundo. Com o pai Januário, aprendeu a tocar sanfona de oito baixos. Mas, daí pra frente, não houve mais baixos que o desafiassem. Mesmo assim, sempre modesto, prestou profundo reconhecimento ao seu mestre, e, de si para si dizia, em canção, depois de uma reprimenda do “velho” Jacó: - “Luiz, respeita os oito baixos do teu pai (...). Seu fole é prateado, tem botão preto, cento e vinte baixos, seu pai é mais tinhoso, mesmo assim Luiz, respeita os oito baixos do seu pai.”
Se vivo estivesse Gonzaga, este ano, completaria cem anos. Mas os fados não permitiram que ele comemorasse conosco tão auspiciosa data. Não importa. Nós, que a ele sobrevivemos, o faremos. Relembrando suas incertezas, seus desgostos, suas frustrações, bem como a sua genialidade que o colocou entre os maiores músicos e compositores da MPB. E o faremos tomados de espontânea alegria, como eram os seus acordes magistrais.
Chegar à fama, que conseguiu alçar, não foi fácil. Menino pobre e teimoso lutou muito para se impor na cidade grande, não se importando com os reveses da caminhada, penosa, e, algumas vezes, decepcionante. Não obstante tal óbice, ali estava um obstinado. Era um “cabra macho” sim senhor! Como todo sertanejo, um forte, capaz de remover montanhas para sobreviver e se impor. Sem titubear, foi o que fez. Superou preconceitos vigentes contra os nordestinos e suas tradições culturais, sem claudicar um só instante. Pensava, entre seus botões: só os fracos desistem. Um pensamento que restou gravado em seu coração e que se transformou em dogma, presente ao longo de toda a sua pródiga vida. Vida de quem impôs aos “snobs”, aos críticos do faz de contas, o xote, o forró, o xaxado e, a sua criação maior, o baião.
Homenagear esse gênio que nos brindou com tanta musicalidade, dando vida e voz ao povo nordestino é mais que uma obrigação, é reverência e saudade.
Eis Gonzagão no mundo:

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