segunda-feira, 26 de maio de 2014

A HISTÓRIA DO HOMEM BORRACHA

Revista em quadrinhos


Foi em 1941 que o mundo dos super-heróis presenciou a chegada do mais estranho deles, nas páginas da revista “Police Comics” nº 1. Um super-herói tão estranho que começou sua carreira como criminoso, quando ainda se chamava Eel O’Brien. Fugindo da polícia, Eel leva um banho de ácido e é abandonado às própria sorte pelos seus companheiros, mas ainda assim consegue escapar. E, quando é salvo por um
monge, decide passar para o outro lado, assumindo a identidade do Homem-Borracha, o mais implausível de todos os super-heróis mascarados.

Nas primeiras aventuras, o Homem-Borracha (ou como no início, no Brasil: Homem de Borracha) ainda manteve a identidade secreta de Eel O’Brien, para poder estar sempre a par das investidas do submundo e depois poder agir como Borracha. Em “Police” nº 13, entretanto, a história foi enriquecida com a chegada de um novo personagem, Woozie Winks (no Brasil, conhecido como Bolão) que, como Eel, começa a carreira como criminoso mas resolve passar para o lado da Lei. Borracha e Bolão jamais se separariam desde então, embora apenas o primeiro conservasse os superpoderes. O dom da invulnerabilidade, adquirido por Bolão em sua primeira aparição, desapareceria no decorrer de algumas histórias, bem como a identidade secreta do Homem-Borracha, que em pouco tempo deixaria de ser Eel para ficar sendo apenas o super-herói uniformizado.


A série foi um sucesso imediato, ainda mais com a introdução de Bolão, e em pouquíssimo tempo o Homem-Borracha se tornaria o principal personagem de “Police Comics” e ganharia inclusive uma revista só dele, vivendo incontáveis aventuras por mais de uma década, até sucumbir, como a maioria dos super-heróis americanos, que após a guerra ficaram praticamente desempregados.

A razão do sucesso era muito simples: o Homem-Borracha era a criação mais original no gênero desde que, anos antes, o Super-Homem havia chegado do planeta Krypton e dado origem a uma legião de heróis fantasiados. O Homem-Borracha era praticamente o único deles onde o enfoque era predominantemente cômico, uma verdadeira paródia do gênero. E, ao mesmo tempo, era também o mais sério: nas suas aventuras, enquanto o resto da humanidade (incluindo Bolão) se comportava da maneira mais estapafúrdia, era justamente o Homem-Borracha o único a assumir um comportamento perfeitamente lógico, enquanto que os demais personagens – cidadãos normais, policiais e criminosos – se digladiavam e por vezes chagavam às raias da insanidade. 


Tudo isso por obra e graça de Jack Cole, um dos mais criativos autores de quadrinhos, o primeiro a compreender e tirar partido das incoerências dos super-heróis. Cole realizaria outros trabalhos no campo dos “comics”, chegando até a substituir Will Eisner na execução de algumas histórias do Spirit, enquanto ele estava combatendo no “front”, durante a II Guerra Mundial, mas o Homem-Borracha era sua obra-prima e lhe deu fama internacional. Cole se valeria da ajuda de outros artistas, como Lou Fine, Bernie Krigstein e Chuck Cuidera, quando a demanda de histórias do Borracha era excessiva, e permaneceu ligado à sua criação até 1950, quando abandonou definitivamente a série, tendo uma morte prematura anos mais tarde. O Homem-Borracha continuaria até 1956 sob mãos menos hábeis, até seu completo desaparecimento. 


Em 1966, a DC (National Periodical Publications) revivera o personagem, mas essa versão não fez o menor sucesso, pois nem chegava aos pés do apogeu da produção de Cole. Dez anos depois, uma terceira versão da DC (desenhada por Ramona Fradon e Joe Staton), um pouco melhor, faria uma nova tentativa, mas igualmente não teve muita aceitação, passando o Homem-Borracha, a partir de então, a se limitar apenas a participações esporádicas dentro de outras histórias da mesma DC (“Batman”, “Liga da Justiça”).

Recentemente, participou do desenho “Batman: The Brave and the Bold” (nos créditos de abertura e no episódio “Terror on Dinosaur Island.

Fonte: Guia dos Quadrinhos

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