sexta-feira, 30 de maio de 2014

ALTERNÂNCIA NO PODER

Por JOACI GÓES


Os últimos vinte e nove anos compõem o mais longo período de democracia republicana na vida política brasileira. O que não é pouco, tendo em vista que a democracia na multimilenária Espanha, por exemplo, data, apenas, de 1978. 

Ao que parece, a História demonstra que é pequena a vocação dos homens para a convivência democrática. Nesse panorama de marcante instabilidade, a jovem democracia brasileira tem dado provas de robusta resistência ao triunfo do embuste, não obstante a teimosa presença da corrupção galopante que nos fragiliza aos olhos do mundo civilizado.
Como se não bastasse o momento politicamente vexatório em que estamos imersos, consolida-se, cada vez mais, o aforismo de Winston Churchill, segundo o qual a democracia é um péssimo regime, à exceção de todos os outros.
           
Incorre em equívoco, portanto, o crescente clamor pelo retorno dos militares ao poder, quando assistimos a essa pilhagem contra o erário que destrói os símbolos maiores da economia nacional, como a Petrobras e a Eletrobrás, vítimas de uma mescla de roubo, incompetência gerencial e populismo grosseiro. 
O aparelhamento das estatais com quadros partidários notoriamente incapazes, conduzindo à falta de transparência na gestão, tem corroído a eficiência das empresas públicas nacionais, acarretando excessivo endividamento e resultando numa brutal perda de valor dos seus ativos. 
Nos últimos três anos, a Petrobras perdeu 60% de seu valor de mercado e a Eletrobras 63%. O eleitoreiro controle de preços dos combustíveis imposto pelo governo provocou um prejuízo à Petrobras de 50 bilhões de reais. 
A redução populista do custo da energia quebrou a Eletrobrás e ameaça quebrar os sistemas produtores e de distribuição. O quadro se agrava, ainda mais, com a presença do viés ideológico pelego que nega legitimidade ao lucro privado, sem cujo estímulo, comprovadamente, as economias não se sustentam, como o comprova o fracasso de todas as economias socialistas. A China, de socialista só tem o rótulo.
Com essa farra partidária que no Brasil já atinge incríveis 34 partidos, o número de cargos comissionados, cuja redução se impõe, distribuídos sem a mínima observância de critérios meritocráticos, sobe às nuvens.
O remédio contra esses males não está no retorno da ditadura, mas no recurso ao voto orientado pela saudável observância da saneadora alternância do poder, de que a vitoriosa experiência norte-americana é o exemplo mais edificante. 
Só o voto popular consciente pode gerar os anticorpos políticos resistentes ao populismo. A sociedade precisa fortalecer a consciência de que é ela quem paga por esse festival de erros que enodoa a vida brasileira. A História ensina que o conformismo perpetua a desgraça dos povos.
A onda mudancista que varre o País aponta para mudanças substantivas no controle da vida nacional. Em paz e com a alma liberta de rancores, exerçamos o nosso sagrado direito de escolher novos dirigentes para comandar os nossos destinos.
Na Bahia, o resultado de Pesquisa Ibope que aponta para esmagadora vitória da chapa das oposições, nas eleições de outubro, é apenas um capítulo de um movimento maior, de caráter nacional.


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