Cidade planejada, cheia de
charme e história
Belo
Horizonte (pron. [bɛloɾiˈzõtʃi])
é um município brasileiro, capital do estado de Minas Gerais.
Pertence à Mesorregião
Metropolitana de Belo Horizonte e
à Microrregião
de Belo Horizonte. Com uma área de
aproximadamente 330 km², possui uma geografia diversificada, com morros e
baixadas, distando 716
quilômetros de Brasília, a capital nacional.
Até o século XVII,
o atual estado de Minas Gerais era habitada por índios do tronco linguístico macro-jê. A partir
desse século, essas tribos foram quase exterminadas pela ação dos bandeirantes procedentes
de São Paulo, que
chegaram à região em busca de escravos e de pedras preciosas.
Na imensa faixa de
terras ao largo do Rio das Velhas assenhoradas
pelo bandeirante Paulista
Bartolomeu Bueno da Silva (mais tarde
Anhanguera II), veio seu primo e futuro genro, João Leite da Silva Ortiz, à procura
de ouro. Ele
ocupou, em 1701, a Serra dos Congonhas (mais tarde Serra do Curral) e suas
encostas, onde estabeleceu a Fazenda do Cercado, base do núcleo do Curral del Rei. No local,
desenvolveu uma pequena plantação e criou gado, com numerosa escravatura. O
povoamento aos poucos foi se firmando, de forma tal que, em 1707, já aparecia
citada em documentos oficiais. Em 1711, a carta de sesmaria foi
obtida por Ortiz, com a concessão da área que "começava do pé da Serra do
Curral, até a Lagoinha, estrada que vai para os currais da Bahia, que será uma
légua, e da dita estrada correndo para o rio das Velhas três léguas por
encheio". Conforme trecho da carta de sesmaria, à ortografia da época,
concedida por Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho:
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Faço saber aos q'. esta minha Carta de Sesmaria virem q', havendo
respto. ao q'. por sua petição me enviou a dizer João Leyte da Silva, q'. ele
suppte., em o ano passado de 1701 fabricou fazenda em as minas no distrito do
Rio das Velhas em a paragem aonde chamão o Sercado, e na dita fazda. teve
plantas e criações, de que sempre pagou dízimos e situou gado vacum, tudo em
utilidade da fazenda real. (…)
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Ortiz dedicou-se
especialmente ao plantio de roças, criação e negociação de gado, trabalhos de
engenho e, provavelmente, a mineração de ouro nos córregos. O progresso da
fazenda atraiu outros moradores, e um arraial começou a se formar, tornando-se
um dos pontos de concentração dos rebanhos transitados pelo registro das
Abóboras, vindos do sertão da Bahia e
do São Francisco para o abastecimento das zonas auríferas.
Apoiado na
pequena lavoura, na
criação e comercialização de gado e na fabricação de farinha, o arraial
progrediu. A topografia da
região favoreceu o estabelecimento de uma povoação dada à agricultura e à
vida pastoril. Os habitantes deram o nome de Curral del Rei, por causa do
cercado ou curral ali existente, em que se reunia o gado
que havia pago as
taxas do rei, segundo a tradição corrente. O arraial contava com umas 30 ou 40
cafuas cobertas de sapé e pindoba, entre as quais foi erguida uma capelinha
situada à margem do córrego Acaba-Mundo (onde hoje se encontra a catedral), tendo à frente um cruzeiro e ao lado um rancho
de tropas. Algumas poucas fábricas, ainda primitivas, instalaram-se na
região, onde se produzia algodão e se
fundia ferro e bronze. Das
pedreiras, extraía-se granito e calcário, e frutas
e madeiras eram comercializadas para outros locais. Das trinta ou quarenta
famílias inicialmente existentes, a população saltou para a marca de 18 mil
habitantes.
Em 1750, por ordem
da Coroa, foi criado o distrito de Nossa Senhora da Boa Viagem do Curral, então
sede da freguesia do mesmo nome instituída de fato em 1718 em
torno de capela ali construída pelo Padre Francisco Homem, filho de Miguel Garcia Velho. Elevado à condição de freguesia em 1780, mas
ainda subordinado a Sabará, o Curral
del Rei englobava as regiões (ou curatos) de Sete Lagoas, Contagem, Santa
Quitéria (Esmeraldas), Buritis, Capela Nova do Betim, Piedade do Paraopeba, Brumado, Itatiaiuçu, Morro de Mateus Leme, Neves, Aranha e Rio Manso. No centro
do arraial, os devotos ergueram a Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Com a extinção
dos curatos, a jurisdição do Curral del Rei viu-se novamente reduzida ao
primeiro arraial, com sua população de 2.500 habitantes, que chegou
a 4 000 moradores já ao fim do século XIX.
O seguinte trecho
do relatório enviado à Cúria de Mariana pelo
vigário Pe. Francisco de Paula Arantes, conservada a ortografia, relata a
paisagem característica da região à época:
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A Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem de Curral del Rei está situada
em campos amenos na extensa planície de sua serra donde manão imensas fontes
de cristalinas e saborosas águas; o clima da região he temperado; a
atmosphera he salutifera; está circulada de pedras e mais materiais onde se
podem fazer soberbos edifícios; a natureza criou este logar para sua formosa
e linda cidade, si algum dia for auxiliada esta lembrança.
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Porém,
enquanto Vila Rica, Sabará, Serro Frio e
outros núcleos mineradores se constituíam em centros populosos e ricos, Curral
del Rei e sua vocação para o comércio do gado sertanejo estacionou em seu
desenvolvimento, não oferecendo lucro que fixasse ao solo uma população como a
de outros lugares. O apogeu de Ouro Preto perdurou
até o fim do século XVIII, quando as jazidas esgotaram-se e o ciclo do ouro deu
lugar à pecuária e à agricultura, criando novos núcleos regionais e inaugurando
uma nova identidade estadual.
A então capital
de Minas Gerais, a cidade de Ouro Preto, não apresentava
alternativas viáveis ao desenvolvimento físico urbano, o que gerou a
necessidade da transferência da capital para outra localidade. Com a República e a
descentralização federal, as capitais tiveram maior relevo: ganhava vigor a
ideia de mudança da sede do governo mineiro, pois a antiga Ouro Preto era
travada pela topografia. O governador Augusto de Lima encaminhou
a questão ao Congresso Mineiro, que, reunido em Barbacena, em sessão de 17 de dezembro de 1893, indicou
pela lei n. 3, adicional à Constituição Estadual, a disposição de que a mudança
da capital ocorresse para local que reunisse as condições ideais. Cinco
localidades foram sugeridas: Juiz de Fora,
Barbacena, Paraúna, Várzea do Marçal e Belo Horizonte. A comissão técnica,
chefiada pelo engenheiro Aarão Reis, julgou em
igualdade de condições Belo Horizonte e Várzea do Marçal, decidindo-se ao final
pela última localidade. Voltou o Congresso a se pronunciar, e depois de novos e
extensivos debates, instituiu-se que a capital fosse construída nas terras do
arraial de Belo Horizonte.
O local escolhido
oferecia condições ideais: estava no centro da unidade federativa, a
100 km de Ouro Preto, o que muito facilitava a mudança; acessível por
todos os lados embora circundado de montanhas; rico em cursos d'água; possuidor
de um clima ameno, numa altitude de 800 metros. A área destinada à nova capital
parecia um grande anfiteatro entre as Serras do Curral e de
Contagem, contando com excelentes condições climatológicas, protegida dos
ventos frios e úmidos do sul e dos ventos quentes do norte, e arejada pelas
correntes amenas do oriente que vinham da serra da Piedade ou
das brisas férteis do oeste que vinham do vale do Rio Paraopeba. Era um
grande vale cercado por rochas variadas e dobradas, com longa e perturbada
história geológica, solos rasos, pouco desenvolvidos, de várias cores, às vezes
arenosos e argilosos, com idade aproximada de 1 bilhão e 650 milhões de anos.
Em 1893, o arraial
foi elevado à categoria de município e capital de Minas Gerais, sob a
denominação de Cidade de Minas. Em 1894, foi
desmembrado do município de Sabará. No mesmo
ano, os trabalhos de construção foram iniciados pela Comissão Construtora da
Nova Capital, chefiada por Aarão Reis, com o
prazo de 5 anos para o término dos trabalhos. Em maio de 1895, Aarão Reis foi
substituído pelo engenheiro Francisco de Paula Bicalho. Ao 12 de dezembro de 1897, em ato
público solene, o então presidente de Minas, Crispim Jacques Bias Fortes, inaugurou a nova
capital. A cidade, que já contava com 10 mil habitantes em sua inauguração,
custou aos cofres estaduais a importância de 36 mil contos de réis. Em 1901, a Cidade
de Minas teve seu nome modificado para o atual, em virtude da dualidade de
nomes, já que o distrito e a comarca se chamavam Belo Horizonte.
Na área folclórica de Belo Horizonte destaca-se a realização de exposições e eventos
abertos ao público. Vários
grupos, como o Grupo Aruanda,
conhecido internacionalmente como Voluntários da Cultura, fazem
trabalhos árduos de pesquisa, preservação e divulgação do folclore nacional.
São mais de 100 danças pesquisadas em todas as regiões do país e mais de 3 000
espetáculos realizados no Brasil e no exterior pelo Aruanda, o que qualifica o
grupo como referência nacional em manifestações populares. Em várias dessas
apresentações pelo Brasil e pelo mundo, são divulgadas as belezas da capital
mineira.
Durante períodos festivos também há diversas atividades e eventos
realizados, como as apresentações do Carnaval de Belo Horizonte, quando são realizadas diversas
oficinas, concursos de fantasias, desfiles e outras atividades. Também há apresentações especiais nos
teatros da cidade dedicadas às crianças no mês de outubro. São realizadas
exibições de vídeos, oficinas, exposições, circo e teatro que compõem a
programação especial dedicada exclusivamente a elas, em comemoração ao dia 12
de outubro. Há, em novembro, o Festival de Arte Negra (FAN), promovido pela Prefeitura de Belo Horizonte por meio da
Fundação Municipal de Cultura. O projeto integra um conjunto de ações no plano
das políticas públicas com o fim de
discutir, combater e superar os problemas que historicamente excluem a
população negra de Belo Horizonte e de todo o país da pauta básica de direitos
conferidos pela condição de cidadania, reunindo
ainda artistas, grupos e
estudiosos brasileiros e de outros países da diáspora negra. Outra
comemoração de destaque é a do aniversário de Belo Horizonte, que, mesmo sendo
em 12 de dezembro, conta com eventos durante vários dias.




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