Futebol
Por
Bruno Winckler - enviado iG a Teresópolis (RJ)
Luiz Felipe Scolari, técnico da Seleção Brasileira
de Futebol
A preparação da seleção brasileira para
a Copa do Mundo de 2014 em nada se assemelha à de quatro anos atrás
para o Mundial da África do Sul.
O clima de
guerra criado por Dunga e sua comissão técnica contra a imprensa às portas do
torneio criou uma tensão nos jogadores que acabou estourando no primeiro
momento de adversidade da Copa de 2010 e na eliminação para a Holanda nas
quartas de final.
Contra esse
roteiro, o técnico Luiz Felipe Scolari tem tentado ser o mais aberto e afável
com todos que cercam o dia a dia da seleção brasileira.
Ele avisou em entrevista coletiva recente que não
pretende se enclausurar como fez seu antecessor em Copas, mas também não
repetir seu hoje parceiro de comissão,
Carlos Alberto Parreira, em 2006, quando foi tão liberal que tornou os treinos
pré-Copa da Alemanha numa espécie de visita ao circo.
Felipão
está afável. Desde segunda-feira, data do início dos treinos em Teresópolis
para a Copa do Mundo, o técnico tem sido antes de técnico, um amigo dos
jogadores.
Recebeu um
a um com um abraço, transmitiu sua confiança e deixou cada um à vontade. Nada
como Dunga, que tratava seus jogadores como "guerreiros".
A contratação da psicóloga Regina Brandão, que já
iniciou seu trabalho com os jogadores, é uma medida para tornar mais leve o
ambiente de pressão pelo sexto título mundial, o primeiro no Brasil.
Com a
imprensa, Felipão também é muito mais solicito. Nos clubes por onde passou ele
não era muito próximo àqueles que cobriam o dia a dia de treinos. Já na
seleção, o técnico tenta conversar informalmente com quem está com ele em
amistosos.
Na Granja Comary foi duas vezes à sala de imprensa
sem aviso prévio. Na primeira, segunda-feira, cumprimentou a todos, ironizou
alguns com quem já teve desentendimentos, mas sempre de
forma cordial.
Já na
quarta-feira, o técnico precisou fugir quando o grupo de jornalistas ao seu
lado ficou grande demais. A assessoria de imprensa da CBF informou que Felipão
tenta manter uma rotina de conversas informais com jornalistas, mas o grande
assédio pré-Copa pode diminuir essas ocasiões.
Outra
diferença para Dunga está na relação com as emissoras de TV. Em 2010, o então
treinador da seleção vetou privilégios à TV Globo, detentora dos direitos de
transmissão da Copa, e estendeu essa ordem a todos os órgãos de imprensa.
Já Felipão
abriu o treino da quarta-feira para o programa do apresentador Luciano Huck e
atendeu a TV Bandeirante em uma entrevista ao vivo, dentro do campo, ao fim da
atividade. "Em três dias de cobertura já conseguimos mais acesso do que em
toda a Copa com o Dunga", disse Felipe Andreolli, repórter do CQC,
programa da Band.
Até o
contato com o torcedor está mais aberto. Ainda que não seja em treinos abertos,
o técnico atendeu alguns fãs da seleção brasileira vizinhos à Granja Comary na
quarta-feira. Tanto a CBF como o treinador buscam um meio termo entre o que fez
Dunga e o que fez Parreira em 2006.
Na
segunda-feira, em Goiânia, o Serra Dourada será aberto para a torcida no único
treino na cidade antes do amistoso contra o Panamá, dia 3.
Outros
treinos abertos durante a Copa serão analisados. Certo é que se Felipão julgar
que uma aproximação tanto com a imprensa ou com a torcida não vá atrapalhar o
foco do grupo no torneio haverá concessões. E todo mundo vai ficar satisfeito.

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