Por
iG Mundo
Juan Carlos I
Milhares de manifestantes ocupam uma área conhecida
como Puerta del Sol em Madri, capital da Espanha, para discutir a formação de
uma república após o anúncio da abdicação do rei Juan Carlos I, nesta
segunda-feira (2/06).
Ativistas
carregam a bandeira tricolor que simboliza o movimento republicano contra a
monarquia e entoam gritos como "A Espanha, amanhã, vai ser
republicana" para pedir a convocação de um referendo que decida sobre
o fim da monarquia no país europeu.
Nas redes
sociais, partidos como o Podemos, União de Esquerda e Equo realizaram apelo
conjunto pela realização do voto popular. Juntas, essas legendas alcançaram 20%
das eleições do Parlamento Europeu, realizadas na semana passada.
Por meio
das redes sociais, grupos convocaram manifestações para às 20h (horário local)
em todas as cidades do país para que o povo seja consultado sobre manter ou não
o Estado monárquico.
Protestos
dos espanhóis contra a monarquia
Trajetória monárquica
O rei
espanhol Juan Carlos ajudou a guiar a Espanha para a democracia após a morte do
ditador Francisco Franco, mas seu reinado de 40 anos foi obscurecido, nos
últimos anos, por um escândalo de corrupção e acusações de que estava alheio ao
sofrimento de seu povo com a recessão da economia.
Com 76
anos, Juan Carlos ficou ainda mais conhecido por meio da transmissão
televisionada que ele fez em 24 de fevereiro de 1981, condenando a revolta de
militares de direita descontentes com reformas democráticas.
O vídeo do
líder dos rebeldes disparando seu revólver no Parlamento para intimidar
deputados foi mostrado em todo o mundo.
“A coroa, símbolo
da permanência e da unidade da terra pátria, não pode tolerar quaisquer ações
ou atitudes de pessoas que procuram interromper o processo democrático pela
força”, disse ele à nação na noite da tentativa de golpe.
Apesar de
suspeitas de alguns esquerdistas de que ele havia originalmente encorajado a
tentativa, Juan Carlos conseguiu ganhar o respeito de republicanos influentes.
“Se o rei
não estivesse lá em 23 de fevereiro, o golpe militar teria triunfado - disso eu
não tenho dúvidas”, disse em 2001 o líder veterano do Partido Comunista,
Santiago Carrillo, que passou cerca de 40 anos no exílio durante o governo de
Franco.
Como
monarca, Juan Carlos e sua mulher, a rainha Sophia, são considerados afáveis e
disponíveis, em contraste com a família real britânica, tida como distante.
O rei é um
marinheiro amador e também aprecia a caça de ursos, andar de ski e pilotar
moto. Mas a imprensa espanhola tradicionalmente trata a família real com uma
deferência que faria inveja aos seus semelhantes britânicos, evitando os
aspectos mais controversos de sua vida.
Um
escândalo de corrupção prejudicou a popularidade do rei nos últimos anos. Sua
filha, a princesa Cristina, e o marido dela, Iñaki Urdangarin, estão sob
investigação sobre uma suposta apropriação de 6 milhões de euros em recursos
públicos por meio de uma instituição de caridade.
O próprio
rei enfrentou acusações de estar alheio às aflições dos espanhóis, ao ser
flagrado em uma custosa viagem de caça a elefantes financiada com dinheiro
privado, ao passo que seu povo em casa sofria com uma recessão econômica e alto
nível de desemprego.
Sua
esperada decisão de abdicar a favor do príncipe Felipe foi anunciada pelo
primeiro-ministro Mariano Rajoy. Ele disse que o rei, cuja saúde está frágil e
que foi submetido a cinco operações em dois anos, estava deixando o reinado por
motivos pessoais. Fontes no palácio real citaram motivações políticas.
Alguns
críticos haviam inicialmente visto o rei como uma marionete escolhida por
Franco, que governou a Espanha por décadas após vencer uma longa guerra civil
em 1939. Franco declarou-se chefe de Estado, mas também foi o regente nacional,
já que a família real estava exilada.
Ele foi
coroado dois dias após a morte de Franco, em 22 de novembro de 1975. Franco
oficialmente havia designado Juan Carlos como seu sucessor em 1969, mas já o
havia preparado desde 1948, quando o futuro rei pisou na Espanha pela primeira
vez, aos 10 anos.
Juan Carlos
Alfonso Víctor María Borbón y Borbón-Dos Sicilias nasceu em 5 de janeiro de
1938, sendo educação na Suíça, em Portugal e mais tarde em academias das forças
armadas na Espanha, e frequentemente era visto utilizando uniformes militares.
O rei se
casou com a princesa Sophia, da Grécia, em 1962. Eles têm três filhos e oito
netos. Seu único filho homem Felipe, o caçula, casou-se com Letizia Ortiz, uma
apresentadora de televisão, em maio de 2004.
*Com BBC e Reuters


Nenhum comentário:
Postar um comentário