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(Uma analítica e lúcida visão da atual
crise brasileira)
Colaboração de Fernando Alcoforado*
O Brasil
está à beira da falência porque está prestes a mergulhar na mais grave crise
econômica dos últimos 85 anos, similar à que abalou o País em 1930. O Brasil é
um país que está em estágio terminal, como bem afirmou o jornal britânico
Financial Times recentemente. A agência internacional de classificação de
risco, Standard & Poor's (S&P), reduziu a nota de avaliação do Brasil
de "BBB" para "BBB-“ justificando que esta redução reflete a
combinação da situação fiscal difícil no País e uma piora nas contas externas.
A situação do Brasil é tão crítica que o HSBC, maior banco europeu e o sétimo
maior do mundo, decidiu abandonar o Brasil vendendo seus ativos abaixo do valor
de mercado ao Bradesco.
Além das
duras medidas expressas pelo ajuste fiscal posto em prática, o governo Dilma
Rousseff realiza estudos sobre a venda de ativos da Petrobras, Banco do Brasil
e Caixa Econômica Federal, entre outras empresas governamentais para fazer
frente a seus encargos financeiros. Associe-se a tudo isto, a ocorrência de uma
vertiginosa onda de desemprego e falência generalizada que pode ocasionar uma
convulsão social sem precedentes na história do Brasil. A maioria das empresas
está altamente vulnerável e a instabilidade dos mercados com a alta do dólar e
a queda das receitas de exportação pode levar o País à bancarrota. A situação
financeira do governo federal, governos estaduais e prefeituras municipais já
estão sendo bastante comprometidas com a queda vertiginosa da arrecadação de
impostos resultante da retração da atividade econômica do Brasil.
A falência e
inadimplência de empresas que se registram no momento agravam a crise econômica
no Brasil. Muitas empresas de pequeno e médio porte fecharam suas portas nos
primeiros meses de 2015 com a restrição do crédito e a queda da demanda. Várias
empresas de grande porte estão beirando também a falência com demissões em
massa e inadimplência em alta, como resultado do desgoverno e da corrupção que
massacram o povo em todo o Brasil. A inadimplência das empresas no Brasil
fechou o primeiro trimestre de 2015 com crescimento de 12,1 por cento em
comparação com igual período de 2014, maior aumento desde o primeiro trimestre
de 2012, segundo dados da Serasa (Ver o website ).
Economistas
da Serasa apontaram em nota o fraco desempenho econômico do Brasil no começo do
ano, o aumento do custo financeiro e o realinhamento de determinados preços
administrados, como energia e combustíveis, como fatores que comprometeram as
finanças das empresas e provocaram a elevação dos índices da inadimplência
corporativa. A elevação nos diferentes tipos de dívida teve base ampla, com os
títulos protestados liderando a alta na inadimplência com crescimento de 29,5
por cento em março em comparação com fevereiro de 2015, o número de cheques sem
fundo subiu 20,6 por cento, enquanto as dívidas junto aos bancos avançaram 3,5
por cento. Já as dívidas não bancárias tiveram alta de 2,7 por cento.
O número
recorde de empresas inadimplentes chegou a 4 milhões, com R$ 91 bilhões em
dívidas. De acordo com o estudo da Serasa, as empresas comerciais (comércio de
bebidas, vestuário, veículos e peças e eletrônicos, entre outros) representam
46% das 2 inadimplentes. Outros 44% são do segmento de serviços (bar, restaurante,
salões de beleza, turismo, entre outros) e 9% são indústrias. As empresas
inadimplentes devem a bancos, emitiram cheques sem fundo, tiveram títulos
protestados ou enfrentam ações judiciais porque não pagaram a fornecedores ou
funcionários. Há casos ainda de empresas que entraram em recuperação judicial
(processo em que pede prazo para negociar com credores).
Com o
aumento dos juros, as empresas tiveram mais restrições para obter crédito, além
da queda nas vendas, que faz com que essas empresas enfrentem mais dificuldades
para manter suas contas em dia. O quadro de recessão na economia afeta
diretamente o ritmo de negócios e a geração de caixa das empresas. No setor
industrial, a situação não é diferente porque as empresas estão enfrentando
mais dificuldade nas vendas de prazos mais longos, em que existem mais
necessidades de capital de giro. O forte impacto da variação cambial,
especialmente no setor industrial, e da elevação da tarifa de energia elétrica
são fatores que contribuem para agravar ainda mais a situação do setor.
Por sua vez,
o número de consumidores inadimplentes bateu recorde em agosto de 2015, segundo
dados divulgados pela Serasa. São 57,2 milhões de consumidores com dívidas em
atraso, que somam R$ 246 bilhões. As pessoas estão endividadas com bancos
(financiamento de carros e imóveis), com o varejo e com contas de consumo (luz,
água, telefone) em atraso. Esse conjunto de endividados representa 39% do total
da população adulta do país - ou seja, com 18 anos ou mais. Equivale dizer que
a cada dez consumidores adultos quatro estão inadimplentes no Brasil. O
desemprego e a inflação elevada são os principais fatores para explicar o
aumento do endividamento entre as pessoas físicas no Brasil. Os reajustes
salariais menores neste período de crise também reduzem o poder de compra do
trabalhador. Com menos dinheiro no bolso, fica mais difícil para o consumidor
consumir e quitar as dívidas.
A tendência é a de que a inadimplência
continue subindo entre empresas e entre as pessoas físicas. Com a queda nas
vendas e os juros elevados não há mudança nesse cenário de endividamento. Uma
reversão desse quadro depende do que o governo federal venha a realizar para
reestruturar a economia brasileira em novas bases. Para superar a crise
econômica atual, urge a substituição do modelo neoliberal em vigor de ampla
abertura da economia brasileira para o mercado externo por outro de caráter
nacional desenvolvimentista apoiado no mercado interno e de abertura seletiva
da economia brasileira para sustar a estagnação econômica em curso. O modelo
econômico nacional desenvolvimentista permitiria fazer com que o Brasil
assumisse os rumos de seu destino, ao contrário do modelo neoliberal em vigor
que faz com que o futuro do País seja ditado pelas forças do mercado todas elas
comprometidas com o capital financeiro nacional e internacional.
A recessão
da debilitada economia brasileira se agravou ainda mais com o ajuste fiscal em
execução pela equipe econômica do governo Dilma Rousseff porque ao manter o
“status quo” contribui para aumentar ainda mais a enorme carga tributária no
País para cobrir o déficit público. O ajuste fiscal está contribuindo também
para diminuir ainda mais o acesso ao crédito das pessoas físicas e jurídicas
devido à elevação das taxas de juros e pressionar para cima o índice de preços.
Com isso, a demanda está sendo impactada negativamente. Tudo isto evidencia que
o Brasil, como organização econômica, social e política está em desintegração.
Os sinais de desintegração são evidentes em todas as partes do País. O modelo
econômico neoliberal em vigor mostra claros sinais de esgotamento. Além disso,
todo o sistema político e administrativo do País está contaminado pela
corrupção e a máquina administrativa do Estado é ineficiente e ineficaz.
Tudo o que
acaba de ser descrito coincide com a existência de um governo fraco sob a
direção incompetente de Dilma Rousseff que não possui liderança política nem a
capacidade administrativa necessária para realizar as transformações exigidas
para o Brasil na quadra atual haja vista ter a rejeição de 90% da população
brasileira que deseja sua deposição do poder. Para evitar a hecatombe política,
econômica e social que ameaça o Brasil, urge a substituição do governo Dilma
Rousseff por outro que seja capaz de liderar a celebração de um novo contrato
social e unir a nação brasileira em torno de um projeto comum de
desenvolvimento. Tudo leva a crer que se Dilma Rousseff não for destituída do
poder através de impeachment pelo crime de responsabilidade fiscal ou crime eleitoral,
o Brasil poderá ser palco de convulsão social com o confronto entre a grande
maioria do povo brasileiro que deseja sua deposição e os partidários do governo
de consequências imprevisíveis. É preciso considerar as lições da história que
nos ensina que a convulsão social pode levar à instauração de ditaduras de
direita ou de esquerda. Este é o risco que ameaça a sociedade brasileira. O
Brasil vive, portanto, momentos decisivos em sua história.
* Fernando
Alcoforado, 75, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em
Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de
Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento
estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de
sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São
Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora
Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo,
2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de
doutorado. Universidade de Barcelona,
http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e
Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do
Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA,
Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social
Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller
Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global
e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia
Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena-
Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores
Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba,
2012) e Energia no Mundo e no BrasilEnergia e Mudança Climática Catastrófica no
Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015).





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