Curiosidade
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| Em 2013, após 30 anos de casamento, Putin e Lyudmila anunciaram o divórcio; ela o descreve como "viciado em trabalho" |
Conhecemos alguns aspectos da intimidade do presidente russo
Vladimir Putin. Ele já foi fotografado na academia, brincando com seus
cachorros em Moscou e cavalgando na Sibéria sem camisa.
No entanto, há muito poucas imagens da vida familiar e do
círculo de amigos próximos de Putin, que foi escolhido pela revista Forbes, em
2015, como o homem mais poderoso do mundo pelo segundo ano consecutivo.
Apesar de estar há mais de 15 anos no poder, o presidente da
Rússia evita que sejam divulgadas imagens ou qualquer informação sobre suas
duas filhas, por exemplo.
Em 2012, o jornal americano The New York Times comentou o
que chamou de "segredo quase impenetrável" de Putin.
"Quanto mais ele governa a Rússia, mais tabu parece ser
a discussão sobre sua família", afirma o jornal.
Realmente, os jornalistas russos dizem ser mais fácil
noticiar temas de segurança nacional do que questões relacionadas à família de
Putin.
Questão de segurança
Em 2012, quando o presidente aceitou fazer parte do
documentário Putin, do cineasta alemão Hubert Seipel Ich, sua vida familiar
ficou fora da discussão.
Putin afirmou em uma coletiva de imprensa no último dia 17
de dezembro que por trás de seu silêncio está a segurança de suas duas filhas,
que acredita-se terem cerca de 30 anos.
"Eu nunca disse onde exatamente minhas filhas
trabalham, o que elas fazem, e não pretendo fazê-lo agora por muitas razões,
incluindo uma questão de segurança", disse.
"Em geral, acredito que cada pessoa tem direito a seu
próprio destino. Elas nunca foram filhas de uma celebridade, nunca tiveram
prazer em ser o centro das atenções e estão simplesmente vivendo suas próprias
vidas."
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| A filha mais nova de Putin, Katerina Tikhonova, é pesquisadora acadêmica e dança rock acrobático, segundo investigação da Reuters |
Segundo uma investigação da agência de notícias Reuters
publicada no dia 10 de novembro, a filha mais nova de Putin, Katerina, é uma
acadêmica de sucesso que trabalha na Universidade Estatal de Moscou e participa
de competições de rock'n'roll acrobático, um tipo de dança esportiva.
A Reuters afirmou, após obter a confirmação de um alto
funcionário russo, que Katerina usa o sobrenome Tikhonova.
Um dia depois de falar à reportagem da Reuters, o porta-voz
de Putin, Dmitry Peskov, questionou a investigação.
"Não posso dizer nada sobre quem é a filha de Putin
porque nem tenho essa informação nem se supõe que eu deva tê-la. Não é parte
das minhas funções administrativas", disse Peskov, segundo a agência de
notícias russa TASS.
Na coletiva de imprensa em dezembro, um jornalista perguntou
ao presidente sobre Katerina Tikhonova e sobre a reportagem da Reuters.
"Eu já li diferentes coisas em diferentes momentos. Até
pouco tempo atrás, todo mundo dizia que minhas filhas estudavam em outro país e
viviam permanentemente fora da Rússia. Graças a Deus, ninguém escreve mais
isso. Agora estão dizendo – e isso é verdade – que elas vivem na Rússia e nunca
deixaram o país para viver permanentemente. Elas sempre estudaram na
Rússia", disse.
De acordo com um dos editores do serviço russo da BBC, Famil
Ismailov, há duas razões pelas quais se sabe pouco do núcleo íntimo de Putin.
"Uma é pessoal e outra é cultural", disse à BBC
Mundo. "Putin é um homem muito reservado. Ele foi um agente da KGB
(serviço secreto russo) e essa experiência o ensinou a não falar sobre sua vida
privada."
"Ele se apresenta como uma pessoa com valores
conservadores russos e como um defensor dos mesmos (...). Além disso, está se
tornando cada vez mais religioso. É possível vê-lo se benzer e assistir
cerimônias religiosas. A Igreja Ortodoxa é percebida como uma das bases do
legado histórico russo."
Nesse contexto, diz Ismailov, sua amizade com o extravagante
primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi chama a atenção.
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| Presidente cultiva imagem de virilidade e se deixa fotografar na academia e em horas de lazer, mas pouco se sabe sobre seus amigos e familiares |
'Afogado no trabalho'
A filha mais velha de Putin se chama Maria e é uma
pesquisadora acadêmica especializada em endocrinologia.
A mãe de suas duas filhas, Lyudmila, uma vez o descreveu
como alguém viciado em trabalho.
Em junho de 2013, depois de 30 anos de matrimônio, o casal
anunciou o divórcio.
Diante das câmeras de TV, Putin disse: "Foi uma decisão
conjunta: dificilmente nos vemos, cada um tem sua própria vida".
Lyudmila, que notoriamente evita a atenção pública, disse
que era difícil para ela viajar de avião e que Putin estava "completamente
afogado no trabalho".
Segundo ela, o divórcio foi "civilizado" e o casal
"sempre se manterá próximo".
Depois do anúncio do divórcio, o porta-voz de Putin disse
que não havia outra mulher na vida do presidente russo.
"Basta uma olhada rápida na agenda de trabalho de Putin
e é fácil perceber que não há espaço para relações familiares em sua vida. Ele
está cheio de responsabilidades como chefe de Estado", diz o porta-voz
Dmitry Peskov.
Núcleo de amigos
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| O círculo mais próximo de Putin (em sentido horário, do canto superior esq.): Nikolai Patrushev e Dmitry Medvedev, Sergei Ivanov, Alexei Krudin, Igor Sechin |
Quando Vladimir Putin chegou ao poder, o perguntaram em uma
entrevista em qual de seus colegas ele mais confiava.
Ele nomeou cinco pessoas: Nikolai Patrushev, Sergei Ivanov,
Dmitry Medvedev, Alexei Kudrin e Igor Sechin.
Quinze anos depois, estes homens ainda formam o núcleo mais
próximo do presidente Putin e dominam altos postos estratégicos do governo e
das grandes empresas russas.
Patrushev era diretor do Serviço Federal de Segurança de
1999 até ser nomeado secretário do conselho de segurança russo em 2008.
Ivanov foi ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro.
Desde 2011, ele é chefe do gabinete presidencial.
Medvedev foi presidente de 2008 a 2012, dividindo o poder
com Putin, e agora é primeiro-ministro.
Kudrin, que foi ministro das Finanças até 2011, não tem mais
um cargo formal no governo, mas parece dar conselhos ao presidente sobre
assuntos econômicos.
Sechin, que teve altos cargos no gabinete e no governo, é o
atual diretor executivo da Rosneft, a empresa estatal de petróleo.
Segundo o pesquisador de Rússia e Eurásia do think tank
britânico de políticas internacionais Chatham House, Andrew Monaghan, este
grupo ilustra dois pontos importantes sobre quem governa o país.
"Primeiro, houve uma continuidade em termos das pessoas
próximas a Putin. Mudanças são raras, e muito poucas pessoas deixaram este
grupo central", diz.
"Segundo, o coração desta equipe de liderança é formado
por colegas que serviram com Putin na KGB, na administração de São Petersburgo
nos anos 1990, ou ambos."
Este grupo também inclui outras pessoas em quem o presidente
confia a implementação de grandes projetos de infraestrutura, como Arkady
Rotenberg, um dos responsáveis pela Olimpíada de Inverno de Sochi, assim como
outras autoridades e burocratas regionais.




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