Literatura/Política
Colaboração de Fernando Alcoforado*
Um melancólico governo como de Dilma
Rousseff só poderia chegar ao fim de forma, também, melancólica com a tentativa de barrar através de
um golpe perpetrado pelo presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir
Maranhão, que, de forma monocrática, anulou a votação de 17 de abril da
abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados contando com o
respaldo do Advogado Geral da União, do PT e partidos aliados. Mesmo diante da
iminente queda da presidente Dilma Rousseff, as forças que lhe dão sustentação
procuram tumultuar a todo custo o rumo dos acontecimentos no Congresso Nacional
e nas ruas para impedir o impeachment a ser votado pelo Senado no dia
11/05/2016.
Foram vários
os argumentos absurdos apresentados pelo presidente interino da Câmara dos
Deputados para invalidar a sessão que votou em 17 de abril pela abertura do
processo de impeachment de Dilma Rousseff. O primeiro deles é o de que os
partidos não poderiam ter fechado questão ou dado orientação em relação ao voto
dos parlamentares, uma vez que, "os parlamentares deveriam votar de acordo
com suas convicções pessoais e livremente". Maranhão diz que o fato de os
deputados terem anunciado publicamente seus votos caracteriza pré-julgamento e
clara ofensa ao amplo direito de defesa consagrado na Constituição. Maranhão
alega ainda que a defesa de Dilma Rousseff deveria ter sido ouvida por último
no momento da votação. Há ainda uma alegação técnica de que o resultado da
votação teria que ser encaminhado ao Senado por resolução e não por ofício,
como teria ocorrido.
A tentativa
de golpe patrocinada pelas forças governistas foi frustrada porque o presidente
do Senado anunciou na tarde de ontem (09/05) que a votação sobre o pedido de
abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff no Senado seria
mantida para o dia 11/05. O presidente do Senado, Renan Calheiros, justificou
sua decisão de repelir a determinação golpista do presidente interino da Câmara
dos Deputados de anular o processo de impeachment afirmando que o Senado já
está com este assunto há várias semanas, já houve leitura da autorização para
abertura do processo de impeachment no plenário, indicação pelos líderes e
eleição dos membros no Senado e instalação da Comissão Especial, que fez nove
reuniões presididas pelo senador Raimundo Lira com a apresentação da defesa, da
acusação e votação de seu parecer. Ele justificou sua decisão alegando que está
seguindo o que estabelece a Constituição de 1988, a Lei 10.079 do impeachment
de 1950 e o rito estabelecido pelo STF. Devido a isto, o processo do
impeachment não poderia retroagir.
Diante da
ameaça de o PP, partido de Maranhão, de expulsá-lo, o que pode levá-lo a deixar
a presidência interina da Câmara, já que o cargo pertence ao partido, e de
cassação de seu mandato, Waldir Maranhão revogou hoje sua decisão de anular a
votação da abertura do processo de impeachment. Caso tivesse mantido a sua
decisão, Maranhão teria de recorrer ao STF onde sofreria uma derrota
acachapante. A “Operação Tabajara”, como a definiu o ministro Gilmar Mendes, do
STF, chega ao fim pelas mãos do próprio Maranhão, pouco mais de 12 horas de,
também por suas mãos, ter tido início. Muito provavelmente Maranhão será
denunciado no Conselho de Ética por quebra do decoro parlamentar porque feriu o
Inciso IV do Artigo 4º, que define: “Constitui procedimento incompatível com o
decoro parlamentar, punível com a perda 2 do mandato fraudar, por qualquer meio
ou forma, o regular andamento dos trabalhos legislativos para alterar o
resultado de deliberação”.
O fato de
Maranhão ter voltado atrás não o livra de ter seu mandato cassado. O decoro já
foi quebrado, e isso não tem volta. Tudo leva a crer que o PP deverá expulsar
Waldir Maranhão que será levado, também, ao Conselho de Ética por ter se metido
numa conspiração com os petistas e seus aliados para barrar o processo de
impeachment. Mais uma tentativa de golpe do PT coloca a opinião pública e a
maioria dos senadores cada vez mais favorável ao afastamento de Dilma Rousseff
da presidência da República. Se havia senador indeciso até ontem, agora, com
certeza, não há mais. Amanhã, 11/05/2016, Dilma Rousseff e o PT serão apeados do
poder. Muito provavelmente, com a ascensão ao poder de Michel Temer viveremos
momentos da grande instabilidade política no Brasil porque o PT e seus aliados
tentarão inviabilizar o futuro governo que se defronta com os desafios de
sustar o colapso da economia brasileira, reestruturar o esfrangalhado setor
público, retomar o crescimento econômico e elevar os níveis de emprego e renda
da população.
Após o
impeachment, a principal estratégia do PT e das forças políticas aliadas é a de
inviabilizar o governo Michel Temer a fim de que o mesmo se defronte com a
oposição frontal não apenas dos ‘lulopetistas’ mas também dos movimentos
sociais que são favoráveis ao impeachment de Dilma Rousseff e fazer com que
Dilma Rousseff retorne ao poder nos próximos 6 meses depois do julgamento do
Senado Federal. Michel Temer só se manterá no poder se não repetir os mesmos
erros dos governos do PT loteando ministérios e se for leniente na gestão
governamental. Para se manter no poder, Michel Temer deve oferecer uma rápida
solução para a atual crise econômica do País. Se não tiver sucesso, o governo
Michel Temer se defrontará com um cenário de incontrolável caos político,
econômico e social no País de consequências imprevisíveis.
*Fernando Alcoforado, 76, membro da Academia Baiana de
Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento
Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor
nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento
regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros
Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a
Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o
Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento
do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de
Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e
Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do
Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA,
Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social
Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller
Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento
Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010),
Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento
global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os
Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV,
Curitiba, 2012) e Energia no Mundo e no BrasilEnergia e Mudança Climática
Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015). Possui blog na
Internet (http://fernando.alcoforado.zip.net). E-mail: falcoforado@uol.com.br

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