Literatura/Cinema
Por Naiara Abreu
(É) mineira,
administradora. Adoro escrever sobre as diversas questões que envolvem a lógica
da vida e que nos permitem grandes reflexões.
“Algo tão pequeno quanto o voo
de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo” – Teoria do Caos.
Ao analisarmos os grandes acontecimentos das nossas vidas, identificamos
pequenos eventos que levaram a grandes mudanças. O efeito borboleta nos faz
refletir sobre a relação de causa e efeito diante das nossas possibilidades de
escolhas e sobre a nossa responsabilidade pelas nossas decisões.
“Algo tão pequeno quanto o voo de uma
borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo” - Teoria do Caos, a
teoria central do filme Efeito Borboleta 1.
De uma maneira dramática e às vezes um tanto
quanto pesada, o filme passa mensagens relacionadas ao destino, de como eventos
isolados podem influenciá-lo e nos leva a uma reflexão sobre as nossas relações
humanas, nossas atitudes e suas consequências.
Uma das mensagens principais é que certas
coisas pontuais, como, por exemplo, as pessoas que conhecemos ou uma
oportunidade de emprego, estão predestinadas a acontecerem. O modo como essas
coisas vão acontecer e quanto tempo vão durar depende de nossas escolhas, e é
aqui que entra o “efeito borboleta”. Ir a pé ou de carro, ler um livro,
esquecer o celular ou dizer uma palavra a mais são pequenas coisas que
futuramente fazem diferença.
A vida é feita de uma série de acontecimentos
que se desencadeiam e nos levam a algum patamar ou situação, seja ela
significante ou não na nossa concepção. E, assim como na matemática, a mudança
de um fator nos leva a um resultado final totalmente diferente. Por isso, há
quem acredite que metade da nossa vida é destino e a outra metade é escolha. O
destino pode ser um acaso, a fé o nosso meio e o esforço nosso caminho.
Efeito Borboleta nos mostra, por meio de sua
história, como estamos em um contexto de múltiplas variáveis em que a mudança
de um detalhe gera uma reação em cadeia que pode causar efeitos de grande
escala.
O personagem principal possui um dom, herdado
de seu pai, que o possibilita voltar em momentos decisivos do passado e
mudá-lo, alterando, consequentemente, o seu presente. Ele inicia, então,
incessantes tentativas de consertar o passado e, em meio a erros e acertos, ele
compreende que atos simples podem condicionar toda uma vida, ou vidas.
No ápice do filme, o personagem principal
finalmente percebe que ao modificar os acontecimentos do passado ele muda
drasticamente o presente, e que, por outro lado, ele não é capaz de controlar
todas as consequências e efeitos desencadeados por essas pequenas mudanças no
passado. Ele desiste, então, de querer mudá-lo e decide apenas tentar aprender
com os erros e deixar a vida acontecer. A música tema da cena é “Stop Crying
Your Heart Out”, do Oasis, que reflete parte da filosofia do filme,
principalmente no verso que diz "Stop Crying Your Heart Out , you'll never
change what's been and gone – Faça o seu coração parar de chorar, você nunca
mudará o que já aconteceu".
Uma das grandes reflexões que o filme induz é
sobre como, ás vezes, perdemos a oportunidade de viver o presente por estarmos,
de alguma maneira, presos ao passado, tentando consertar erros e imaginando
como poderia ter sido diferente. Infeliz ou felizmente, a vida não volta, mas
ela nos dá a oportunidade de aprender com erros anteriores e uma nova chance
para vivermos o presente.
Diante de inúmeras possibilidades de
escolhas, que desencadeiam resultados imprevisíveis, optamos por aquilo que nos
parece mais benéfico. As nossas escolhas são, em sua maioria, baseadas em
nossas experiências, conhecimentos pré concebidos e, claro, na reflexão sobre a
relação de causa e efeito. Porém, lidamos apenas com suposições e resultados
prováveis, o que pode nos trazer consequências não escolhidas e antes
desconhecidas.
Assim, a reflexão da escolha nos coloca
diante de um paradoxo entre o necessário e o possível, trazendo consigo a
reflexão moral, principalmente no que tange a nossa liberdade de decisão em
todos os aspectos da vida, pequenos ou grandiosos.
Além disso, as nossas decisões e o acaso
influenciam tanto o nosso futuro, como também o de outras pessoas. A questão é
que nem sempre sabemos o que é melhor para nós mesmos e, consciente ou
inconscientemente, jogamos com as nossas possibilidades de escolha, em busca do
sonhado acerto.
Percebe-se que o filme abrange uma reflexão
filosófica profunda, mostrando como o fenômeno efeito borboleta pode estar
presente no cotidiano das pessoas. Pode-se dizer, em um raciocínio lógico
básico, que o presente é resultado das ações do passado e o futuro é resultado
das ações do presente. Todos os acontecimentos se interrelacionam de alguma
forma, diante daquilo que chamamos de causa e efeito.
O filme “Efeito Borboleta”, então, deixa uma
reflexão sobre a responsabilidade do ser humano pelas suas escolhas, sobre como
elas podem ser pautadas sob o prisma dos valores morais e éticos do homem livre
e sobre as consequências que ele assume ao tomar suas próprias decisões.


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