Literatura: artigo
Colaboração de Fernando Alcoforado*
Após a
devastação econômica, social e político-institucional promovida pelos governos
do PT de Lula e Dilma Rousseff, o futuro governo Michel Temer só terá condições
de exercer a governabilidade se realizar políticas públicas que atendam os
interesses da grande maioria da nação brasileira. A primeira medida que deveria
ser adotada pelo novo governo consistiria em montar um gabinete de crise
composto por pessoas da mais alta competência e do mais alto gabarito e
respeitabilidade ética e moral para obter o respeito da nação e assegurar a
governabilidade. Para obter a confiança da população e exercer a
governabilidade, o futuro governo terá que adotar medidas urgentes que
contribuam para sustar o colapso do sistema econômico do Brasil. Para sustar o
colapso da economia brasileira, o futuro governo Michel Temer deveria adotar
medidas preliminares e urgentes visando a retomada do crescimento econômico, a
elevação dos níveis de emprego e renda da população e a redução dos níveis de
inflação.
Estas
medidas preliminares e urgentes no campo econômico são as seguintes: 1) redução
imediata do gasto público de custeio visando a queda do déficit público com a
diminuição do número de ministérios para 10 ou 15 e a eliminação ou redução ao
mínimo necessário dos cargos comissionados; 2) redução drástica dos gastos
correntes do governo brasileiro cujo crescimento deve ser menor do que o do
Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil; 3) redução acentuada das taxas de juros
Selic e do sistema bancário para incentivar os investimentos nas atividades
produtivas; 4) incentivo à expansão da produção agrícola e industrial em
setores produtivos onde a oferta seja insuficiente para combater a inflação e
incrementar o emprego e a renda da população; 5) adoção de uma política
tributária capaz de assegurar os recursos de que o Estado necessitaria para
investir em educação, saúde, previdência social e nos setores de
infraestrutura, entre outros e onerar o mínimo possível a população e os
setores produtivos; e, 6) atração de capitais externos para complementar a
poupança interna.
Entre as
medidas preliminares e urgentes para sustar o colapso da economia brasileira
acima descritas, cabe destacar aquela que prevê que os gastos correntes do
governo brasileiro sejam reduzidos e cresçam menos do que o Produto Interno
Bruto (PIB) do Brasil. Para tanto, seria imprescindível a realização de uma
profunda reforma administrativa que racionalize a gestão pública no País que
contribua, também, para a eliminação de desperdícios e a redução de custos do
serviço público. A implantação de um modelo de gestão eficiente e eficaz para o
Estado brasileiro fará com que a sua capacidade de arrecadação de impostos seja
ampliada. O novo modelo de gestão baseado na racionalização dos processos de
trabalho levará inevitavelmente à redução dos custos de operação do Estado e,
consequentemente, da carga tributária sobre os contribuintes. Sem colocar em
prática este conjunto de medidas, o Estado brasileiro não adquirirá a
capacidade de investir na expansão da economia e de adotar políticas de
compensação social no nível necessário para mitigar os desníveis sociais no
Brasil.
Entre as
medidas preliminares e urgentes acima descritas para sustar o colapso da
economia brasileira, cabe destacar também aquelas que preveem a redução acentuada
das taxas de juros Selic e do sistema bancário para incentivar os investimentos
nas atividades produtivas e o incentivo à expansão da produção agrícola e
industrial em setores produtivos onde a oferta seja insuficiente para combater
a inflação e incrementar o emprego e a renda da população. A redução da taxa
Selic, das taxas de juros no sistema bancário e da carga tributária são
essenciais para que haja a retomada dos investimentos na atividade produtiva da
mesma forma que o incentivo governamental à expansão da produção agrícola e
industrial. Outra medida importante, diz respeito à atração de capitais
externos para investimento nos setores produtivos e na infraestrutura de
energia, transporte e comunicações.
Para o
governo incentivar a expansão da produção agrícola e industrial e investir na
deficiente infraestrutura econômica (energia, transportes e comunicações) e
social (educação, saúde, habitação e saneamento básico), é preciso que o
governo gere poupança suficiente para cumprir esta tarefa. Para gerar poupança
suficiente, o governo federal deveria reduzir drasticamente a taxa Selic que
hoje corresponde a 14,25%, renegociar o pagamento do serviço da dívida pública
interna com seu alongamento e fazer com que os gastos correntes do setor
público sejam reduzidos ou cresçam menos do que o Produto Interno Bruto (PIB).
Ressalte-se que é fundamental a renegociação dos termos da dívida interna. Sem
a adoção desta medida o governo brasileiro não terá condições de promover o
crescimento econômico do País haja vista que quase metade do orçamento da União
tem sido destinada nos últimos anos ao pagamento dos encargos com a dívida
pública interna.
O sucesso do
governo Michel Temer na reversão do colapso da economia brasileira é a chave
para se manter no poder completando o mandato presidencial até 2018. O
insucesso do governo Michel Temer na sustação do colapso econômico fará com que
o mesmo se defronte com a oposição frontal dos movimentos sociais que apoiam o
governo Dilma Rousseff para inviabilizá-lo e fazer com Dilma Rousseff retorne
ao poder nos próximos 6 meses. Michel Temer não pode repetir os mesmos erros
dos governos do PT loteando ministérios e sendo leniente na gestão
governamental. Se Michel Temer não oferecer uma rápida solução para a atual
crise econômica do País, os movimentos sociais a favor e contrários ao
impeachment de Dilma Rousseff poderão, até mesmo, se unir contra o novo
governo. Esta situação poderá fazer emergir um cenário de incontrolável caos
político, econômico e social no País. Se este cenário se materializar com a
perspectiva de haver um estado de permanente violência no ambiente social no
País, será colocada na ordem do dia a necessidade da celebração de um novo
contrato social no Brasil.
Diante da
incapacidade do governo Michel Temer de solucionar a crise econômica e
construir a paz social no Brasil ele deveria convocar uma Assembleia
Constituinte Exclusiva para reordenar a vida nacional tendo por objetivo: 1)
realizar a reforma do sistema político do País com a institucionalização do voto
distrital e a redução do número de parlamentares e de suas mordomias nos
parlamentos federal, estadual e municipal, entre outras medidas; 2) promover a
reforma do Estado e da Administração Pública em novas bases; 3) banir partidos
políticos e parlamentares comprometidos com a corrupção; 4) Formar novos
partidos políticos após a nova Constituinte; e, 5) Convocação de novas eleições
gerais no País. A Assembleia Constituinte Exclusiva a ser convocada deveria
instituir, também, o parlamentarismo e decidir pelo fim do Senado Federal com a
institucionalização do sistema unicameral.
*Fernando Alcoforado, 76, membro da Academia Baiana de
Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento
Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor
nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento
regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros
Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a
Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o
Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do 3 desenvolvimento
do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de
Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e
Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do
Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA,
Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development-
The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft &
Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária
(P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o
progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica,
Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do
Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012) e Energia no
Mundo e no BrasilEnergia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI
(Editora CRV, Curitiba, 2015). Possui blog na Internet
(http://fernando.alcoforado.zip.net). E-mail: falcoforado@uol.com.b

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