Por
Thiago Rocha - iG São Paulo
Jennifer Lopez, Pitbull e Cláudia Leitte cantam a
música oficial da Copa de 2014
Em junho de 2013, com os movimentos de insatisfação
popular em ebulição, a Copa das Confederações no Brasil foi
marcada por protestos dentro e fora de campo.
Houve vaias
à Dilma Rousseff e a Joseph Blatter em Brasília, cartazes cobrando "padrão
Fifa" aos serviços públicos no país, confrontos com policiais e
manifestantes infiltrados como voluntários na cerimônia de encerramento do
torneio, no Rio de Janeiro, pedindo a anulação da privatização do Maracanã e
respeito à causa dos homossexuais.
Um ano depois, os envolvidos com o Mundial se
estruturam para conter manifestações nas 12 cidades-sede. Para a cerimônia de
abertura, dia 12 de junho, que antecede a partida entre
Brasil e Croácia na Arena Corinthians, o elenco será formado
por estudantes de
artes cênicas, como circo e dança, e até por praticantes de capoeira.
Na Copa das
Confederações, a festa foi composta por voluntários de qualquer área de
atuação. A profissionalização dos responsáveis pelas coreografias é o trunfo
que o Comitê Organizador Local (COL) tem para que qualquer tipo de protesto não
ofusque o pontapé inicial do torneio realizado pela Fifa.
A mudança
de perfil dos componentes do elenco, no entanto, não foi motivada pelo episódio
ocorrido na cerimônia de 2013, segundo Ana Helena Silveira, gerente geral
de Eventos do COI.
“É claro
que a Copa das Confederações foi uma experiência incrível para nós, mas não há
como comparar com as cerimônias da Copa do Mundo, que pela escala
significativamente maior de atenção do público e da mídia, exige algo mais
elaborado”.
A direção artística
do show deste ano é uma parceria entre um grupo de entretenimento
internacional, liderado pelo Franco Dragone (diretor teatral que já trabalhou
com o Cirque du Soleil), e coreógrafos brasileiros renomados.
Se no ano passado buscamos um elenco mais
espontâneo, pois o objetivo era uma festa feita por pessoas comuns, desta vez
convidamos alunos de
escolas de dança, circo, capoeira e malabarismo", explicou ao iG
Esporte.
"Nos
ensaios o elenco tem se mostrado extremamente comprometido e o clima é de
alegria e orgulho por participar de um evento que será transmitido para bilhões
de pessoas no mundo todo”.
O que temos
visto no elenco é muita seriedade, até porque são alunos de escolas
profissionalizantes. “Estamos confiantes de que será um belo espetáculo”,
completou Ana.
A cerimônia
de abertura da Copa do Mundo de 2014 terá 15 minutos de duração, com
início às 15h15 no estádio de Itaquera - Brasil x Croácia começa às 17h. São
600 pessoas no elenco, totalizando 1.200 envolvidos com o evento.
De acordo com um documento enviado pelo COL, serão
quatro atos em “homenagem aos tesouros mais apreciados do Brasil: a
natureza, as pessoas e o futebol”.
Cada um
deles é representado artisticamente por personagens e adereços, tendo como
elemento principal uma bola central 'viva'". A parte final será dedicada à
música oficial do
torneio, “We Are One”, com as interpretações de Pitbull, Jennifer Lopez,
Claudia Leitte e Olodum.
Embora os
detalhes sejam cercados de segredos, um dos temas da cerimônia é recorrente: as
belezas naturais do Brasil, já coreografados nos Jogos Pan-Americanos do Rio,
em 2007, e na participação do país no encerramento da Olimpíada de
Londres-2012, por exemplo.
Daphné
Cornez, diretora artística do espetáculo, não o considera um clichê. “Não
é uma questão de dificuldade (explorar outros temas), mas a natureza aqui no
Brasil é tão exuberante, tão incrível, que será uma pena criar um show
retratando os tesouros do Brasil sem falar sobre esta maravilhosa natureza”.
Mas o
público pode ficar tranquilo que haverá surpresas e elementos diferentes dos
habituais. Além disso, a natureza é o primeiro ato do show. Depois, teremos as
pessoas e o futebol. “Não será uma cerimônia clichê, e sim uma bela homenagem
ao Brasil”, explicou.
Os
envolvidos fizeram 150 horas de workshop, desde março, e
acumularão 84 horas de ensaios até 12 de junho. A composição da trilha
sonora levou dois meses e meio e ainda está sujeita a mudanças de acordo com os
ensaios e antes da mixagem final, segundo o COL.
A belga
Daphné, porém, elegeu outro fator como principal obstáculo nesse trabalho: o
idioma. "A língua tem sido o maior desafio. Mas mesmo assim eu recusei um
tradutor para estar mais próxima dos artistas e dos brasileiros. Aqui todos
chegam com um sorriso no rosto para ensaiar, é impressionante. Isso dá muita
força para superar qualquer desafio", disse a diretora artística da
cerimônia de abertura da Copa.




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