Verdade ou mentira?
Fantasma, na crença
popular, é a alma ou espírito de uma pessoa ou animal falecido que pode
aparecer para os vivos de maneira visível ou através de outras formas de
manifestação. Descrições de aparições de fantasmas variam no modo como estes se
manifestam. A tentativa deliberada de contactar o espírito de uma pessoa morta
é conhecida como necromancia, ouséance no espiritismo.
A crença em manifestações espirituais dos mortos é comum, datando do animismo ou veneração dos mortos em culturas pré-históricas. Determinadas
práticas religiosas — ritos funerários, exorcismos, e alguns costumes do
espiritualismo e da magia — são especificamente designadas para agradar os espíritos dos
mortos. Fantasmas são geralmente descritos como essências solitárias que
assombram um local, objeto ou pessoa em particular a qual estiveram ligados em
vida, embora histórias a respeito de exércitos, trens, navios e até mesmo animais e números fantasmas tenham sido relatadas.
A noção do transcendental, sobrenatural ou espiritual, normalmente envolvendo entidades como fantasmas, demônios ou deidades, é um fênomeno cultural
universal. Em religiões pré-históricas, tais crenças costumam ser simplificadas
como animismo ou veneração dos mortos.
Em muitas culturas, fantasmas malignos e perturbadores são diferenciados
dos espíritos benignos envolvidos na veneração aos mortos.
A veneração aos mortos envolve tipicamente rituais designados para a
proteção contra espíritos vingativos do além, imaginados como famintos e
invejosos em relação aos vivos. Entre as estratégias para evitar os espectros estão o sacrifício, isto é, dar ao morto comidas e bebidas para apaziguá-lo, ou a expulsão
mágica do morto para forçá-lo a não retornar. A alimentação ritual dos mortos é
realizada em eventos tradicionais como o Festival das Almas chinês ou o Dia de Finados ocidental. O banimento mágico dos
mortos está presente em muitos dos costumes funerários ao redor do mundo.
Corpos encontrados em diversas mamoas haviam sido ritualmente
amarrados antes do enterro, e o costume de atar os cadáveres persiste, por
exemplo, nas regiões rurais da Anatólia. Em muitos relatos
tradicionais, fantasmas são frequentemente vistos como pessoas mortas
procurando por vingança, ou aprisionadas na Terra por atos ruins que
praticaram durante a vida. A aparição de um fantasma era considerada o
presságio da morte, assim como avistar o próprio fantasma ou "dopel".
Há vários relatos acerca da aparição de "damas de branco" em
regiões rurais, que supostamente morreram de forma trágica ou sofreram alguma
espécie de trauma durante a vida. Lendas de "damas de branco" são
recorrentes em diversas culturas, e um denominador comum é o tema da perda ou
traição de um marido ou noivo. Elas são frequentemente associadas a uma
linhagem familiar específica, sendo portadoras da morte. Similar à Banshee, avistar um desses fantasmas
é sinal de que alguém na família morrerá.
Lendas a respeito de navios fantasmas circulam desde o século XVIII, a mais notável delas sendo a do Holandês Voador. Este tema foi popularizado na literatura pelo poema The Rime of the Ancient Mariner, de Coleridge.
O local onde fantasmas são avistados é descrito como assombrado, e
frequentemente considerado como sendo a moradia de espíritos que podem ter sido
antigos moradores ou relacionados de alguma forma àquela propriedade. A
atividade sobrenatural no interior de residências é associada principalmente a
eventos violentos ou trágicos ocorridos nestas, como assassinato, morte acidental ou suicídio. Mas nem todos os locais
assombrados foram cenário de uma morte violenta, ou mesmo de atos de violência.
Muitas culturas e religiões acreditam que a essência de um ser, como a
"alma", continua a existir após a morte. Algumas concepções
filosóficas e religiosas sustentam que os "espíritos" daqueles que
morreram não vão "embora", mas permanecem presos dentro da
propriedade onde suas memórias e energia ainda são fortes.
A imagem de um submundo onde os mortos moravam
era comum no Antigo Oriente, sendo expressa no hebraico bíblico pelo termo tsalmaveth (literalmente
"sombra-morte").9 No Antigo Testamento, a Bruxa de Endor aparece durante o Segundo
Livro de Samuel para
conjurar o espírito ('owb) de Samuel.
Há várias referências a fantasmas em religiões mesopotâmicas, mais
especificamente nas religiões da Suméria, Babilônia, Assíria e em outros estados iniciais da Mesopotâmia. Traços de tais crenças permaneceram nas religiões abraâmicas posteriores que dominaram a região. Acreditava-se
que os fantasmas eram criados no momento da morte, levando consigo a memória e
a personalidade da pessoa falecida. Eles viajavam para um mundo subterrâneo,
onde assumiam uma determinada posição e levavam uma existência similar em
alguns aspectos àquela do vivo. Esperava-se que familiares dos mortos fizessem
oferendas de alimentos e bebidas em prol destes; caso não o fizessem, os
fantasmas infligiram aos vivos má sorte e doenças. Costumes medicinais
tradicionais atribuíam uma variedade de doenças à ação de fantasmas, enquanto
outras seriam causadas por deuses ou demônios.
O espiritualismo é uma religião ou sistema monoteísta que postula a crença
em Deus, com uma visão particular a respeito de almas que residem em um mundo
espiritual e podem ser contactadas através de "médiuns", que podem
assim fornecer informações sobre o pós-vida.
O espiritualismo desenvolveu-se nos Estados Unidos e atingiu o auge de seguidores entre as décadas de 1840 e 1920, especialmente em países falantes de inglês. A religião floresceu por meio século sem textos canônicos ou
organização formal, mantendo sua coesão através de períodicos, palestras,
encontros e atividades missionárias de médiuns. Atualmente, é praticado
principalmente em Igrejas Espiritualistas espalhadas pelos Estados Unidos e Reino Unido.
O espiritismo é baseado nos cinco livros da Codificação Espírita escritos pelo educador
francês Hypolite Léon Denizard Rivail sob o pseudônimo Allan Kardec, divulgando os fênomenos que ele observou e atribuíu à inteligência
incorpórea (espíritos). Sua hipótese de comunicação com espíritos foi
reconhecida por muitos de seus contemporâneos, entre eles vários cientistas e
filósofos que compareceram a sessões e estudaram o fenômeno. Seu trabalho foi
posteriormente expandido por autores como Léon Denis, Gabriel Delanne, Arthur Conan Doyle, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano, Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Waldo Vieira, Amália Domingo Soler, entre outros.
O espiritismo possui adeptos em vários países, como Espanha, Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, França, Inglaterra, Argentina, Portugal e especialmente Brasil, que tem a maior proporção e
número de seguidores.
Joe Nickell, do Comitê para a Investigação
Cética, escreveu que
não existe evidência científica crível de que qualquer localidade foi habitada
por espíritos de mortos. Presenciar fantasmas seria consequência das
limitações perceptivas humanas e explicações físicas comuns, como por exemplo a mudança
na pressão atmosférica em algumas casas que fazem com que as portas
batam, ou as luzes de um carro refletidas através de uma janela durante a
noite. A pareidolia seria também outra razão que, segundo os céticos, levam pessoas a
acreditarem que viram fantasmas. Relatos de fantasmas vistos "pelo canto
do olho" podem ser relacionados à sensibilidade da visão periférica humana. De acordo com Nickell, a visão
periférica pode ser facilmente enganada, especialmente tarde da noite, quando o
cérebro está cansado e mais propenso a interpretar de maneira equivocada sons e
visões.
Alguns pesquisadores, como Michael Persinger da Laurentian University,
no Canadá, especularam que as mudanças nos campos geomagnéticos (provocadas pela pressão
do núcleo terrestre ou por atividade solar) podem estimular os lobos temporais do cérebro e produzir muitas das experiências associadas a
fantasmas. Acredita-se que o som seja outra causa de
supostas aparições. Richard Lord e Richard Wiseman concluíram que o infrassom pode fazer com que
humanos isolados em um cômodo experimentem sentimentos estranhos, como
ansiedade, tristeza, sensação de estar sendo vigiado e até mesmo calafrios. Desde 1921 especula-se que o
envenamento por monóxido de carbono, que provoca mudanças de percepção nos sistemas
visuais e auditivos, pode ser uma possível explicação para casas assombradas.
Também o fenômeno do fogo-fátuo, um gás fosforescente resultante da decomposição orgânica em áreas
pantanosas e cemitérios, pode levar a crenças sobre fantasmas.
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