Adriana Lins de Oliveira
Bezerra
Juíza de Direito,
Eleitora, e Cidadã
INDEPENDENTEMENTE DO PARTIDO POLITICO QUE VOCÊ
SEJA ADEPTO OU SIMPATIZANTE, LEIA A OPINIÃO DESTA JUIZA COM O ESPIRITO ABERTO E
DEIXE A SUA CONSCIENCIA FALAR MAIS ALTO. CASO NÃO CONCORDE COM A OPINIÃO
DELA,
TUDO BEM, MAS ANALISE SEM PAIXÃO SEU RANÇO IDEOLÓGICO.
SEJAMOS DIGNOS E REALISTAS: VAMOS FAZER UMA CAMPANHA
PARA COMEÇAR A MORALIZAR E FAZER PROGREDIR DE FATO E PARA VALER ESSA JOÇA DE
PAÍS EM QUE VIVEMOS
Apenas a título de esclarecimento, aos que respeitam opiniões
contrárias, e apenas a esses, é que escrevo agora. Fui alvo de críticas e
agressões acerca de minha opinião avessa ao ‘Bolsa-Família, programa criado
pelo Governo Federal há 10 anos. Grande parte optou por uma justificativa
simplista:
-
“Ah, ela é rica, juíza, elite, fala porque nunca passou necessidades, nunca
passou fome...”. Pronto! Essa justificativa encerra a questão e resolve o
problema. É uma idiotia de quem nada sabe sobre a vida.
Apenas a título de informação saibam que não sou rica, nunca fui e nunca serei.
Meu salário é bom, e com ele, se Deus quiser, nunca passarei
fome nem necessidade, mas lutei por ele; e como lutei! Sofri, estudei,
trabalhei e lutei, repita-se. Mas isso é outra estória que em outro momento, se
interessar a alguém, posso contar.
Aquele final de semana retrata exatamente um dos
fatores que me levam a formar a opinião que tenho. Um simples “boato” de que o
‘Bolsa-Família’ iria acabar, foi suficiente para causar um caos em várias
agências da Caixa Econômica Federal. Uma pessoa me disse que teve que pedir dinheiro emprestado para sair do seu sítio para receber o
‘bolsa-família’, “antes que acabasse”...
A pergunta é: de que viveriam essas
pessoas, se o ‘bolsa-família acabasse? A minha resposta: passariam ainda mais
fome do que tinham quando começaram a recebê-lo. E sabem por quê? Porque agora, com a certeza do “benefício”, do óbolo,
elas não se propõem mais a trabalhar, ou a estudar e se profissionalizar.
Enfim. Estão escravizados à merreca que recebem, como qualquer dependente
químico da droga que consomem.
É a isso que me oponho. Pois quando esse “programa social” foi implantado, a situação das pessoas era caótica, lastimável. Hoje elas estão sendo tratadas como inúteis, como incapazes, com a única serventia de massa de manobra eleitoral! A partir do momento em que se implanta um ‘programa assistencialista’ como esse, sem uma política paralela de reestruturação, de capacitação para o restabelecimento de condições de trabalho, de autossustento, enfim, de busca por uma atividade que traga um mínimo de independência como contrapartida pela ajuda oferecida pelo estado, ou esse estado passa a considerar essas pessoas como não tendo capacidade alguma para tal ou, simplesmente, não se está querendo ajudar, mas tão somente escravizar, ou seja, obter delas a única coisa de valor que têm a oferecer: o seu voto – e a preço módico. É no que acredito.
Segundo a ONU, o ‘bolsa-família’ – que antes era chamado de ‘bolsa-escola’ e
exigia a contrapartida das crianças e adultos analfabetos estarem cursando o
ensino fundamental – rendeu muita popularidade e votos, mas as DESIGUALDADES
continuam elevadas e os progressos obtidos são pífios.
Como programa de caráter EMERGENCIAL, o ‘Bolsa-Família’ foi importante, mas
onde está a tão decantada “inclusão socioeconômica” sustentável dos seus
beneficiários?
O
saudoso Luiz Gonzaga já dizia em uma de suas canções, de composição com Zé
Dantas:
–
“Seu Doutor, uma esmola para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou
vicia o cidadão...”.
A Coordenadora do Fórum Nacional de Prevenção e
Erradicação do Trabalho Infantil afirmou que, da forma que o programa funciona,
não tem sido útil para ela identificar e retirar as crianças do trabalho e que
esse programa não tem impacto nenhum na redução do trabalho infantil.
O
programa existe há dez anos e pouquíssimo foi mudado na vida dessas pessoas. O
que foi feito de efetivo para reestruturar essas famílias?
Visitem as casas dessas pessoas e me digam o quanto mudou! Enquanto apresentam índices
de redução de evasão escolar, em razão do que era o ‘Bolsa-Escola’, os
adolescentes que passam hoje pela Vara que ocupo não sabem a data de seus
nascimentos, não sabem o seu nome completo, não sabem o nome de seus pais e,
pasmem, não tem a menor ideia de seus endereços. Que noção de civilidade esses
meninos tem? Esses mesmos meninos que agora estão querendo jogar na prisão!
O
‘bolsa-família não dignifica. Escraviza. Vicia no ócio. É o que acho.
As
pessoas se tornam escravas da vontade política e não formadoras dessa vontade.
E isso para mim é um Faz-de-conta, sim.
Defender a redução da maioridade penal é um exemplo disso. Defender a pena de morte também. Fazem de conta que isso vai resolver a criminalidade, mas não vai.
Defender a redução da maioridade penal é um exemplo disso. Defender a pena de morte também. Fazem de conta que isso vai resolver a criminalidade, mas não vai.
Da
mesma forma que fazem de conta que cumprem o ECA, que existe há mais de vinte
anos, não o cumprem. Nunca o cumpriram.
Como eu posso cobrar algo de alguém a quem eu nunca dei a chance que produzisse
esse algo? As pessoas não podem viver de esmolas. Precisam aprender a andar com
as próprias pernas e precisam saber que isso é da responsabilidade delas
também.
Vejo mulheres jovens e saudáveis pedindo dinheiro nas ruas. Cada uma com seus
três ou quatro filhos. Mas nenhuma pede um emprego. Por quê?
Os
senhores tem ideia de quantos cartões desse programa estão nas famosas “bocas
de fumo”?
Vejo homens jovens e saudáveis nas portas dos bares ou papeando nas esquinas em
pleno dia da semana. Porque não estão trabalhando?
Qual o trabalho que as políticas públicas oferecem ou a simples, mas
fundamental capacitação para eles?
É
certo que existem alguns programas profissionalizantes. Mas são tímidos,
limitados, e não recebem a milésima parte do investimento que o programa de
“caridade” gasta, com essa barganha evidente do “toma lá e dá cá o seu voto”.
Não
sou contra partido político algum. Sou contra políticas públicas inúteis, mal
intencionadas e danosas ao futuro da nossa gente e nação. Sou e serei sempre.
Respeitem a minha opinião. Discordem dela, mas a respeitem. E não sejam tão
simplistas assim. As coisas não são simples e não podem ser “explicadas” dessa
forma populista e demagógica como tem sido a prática dos governos na última
década, principalmente por quem não me conhece.
O
homem precisa ser dignificado e não escravizado ou comprado por aparentes
favores de seus governantes. As pessoas continuam sofrendo com a seca...
Absolutamente TODAS AS PESSOAS, TODOS OS ANOS, HÁ DÉCADAS. E o que foi feito da
política de irrigação, da política que permaneça que se perpetue e que de fato
transforme a vida do sertanejo do nordeste, onde – todo mundo sabe, menos o
governo – a água está no subsolo e não na superfície?
Não
precisamos disso. Somos inteligentes e capazes. Temos força e vontade de
trabalhar. Só precisamos de oportunidades e onde elas estão? Onde está a água
das chuvas do ano passado?
Aos
que apenas me agrediram gratuitamente, fico com a dor que me causaram e com o
consolo de que o tempo cura quase tudo. Aos que perderam alguns minutos de suas
vidas para lerem essa minha resposta, agradeço a atenção.
Que
Deus esteja conosco!
Cajazeiras – PB, 26 de maio de 2013.

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