Cinema
LONGA-METRAGEM
DE BENOIT JACQUOT CONTA ENVOLVIMENTO DE MARIA ANTONIETA COM DUQUESA
AS
AMANTES EM ADEUS, MINHA RAINHA (FOTO: DIVULGAÇÃO)
A
poucos quilômetros de Paris, era em Versalhes que vivia o rei Luis XVI e a
rainha Maria Antonieta. No castelo, pouco ou nada se sabia sobre o que estava
acontecendo na capital às vésperas da Revolução Francesa, em 1789. Dirigido por
Benoît Jacquot, Adeus, Minha Rainha (Les Adieux de la Reine),
que abriu o Festival de Berlim no ano passado, mostra o momento quando os
boatos da Queda da Bastilha começaram a chegar aos ouvidos dos funcionários do
castelo e tudo virou um “salve-se quem puder”.
Na trama, Maria Antonieta (a alemã Diane Kruger, de Bastardos Inglórios) é uma austríaca que foi viver no Castelo de Versalhes e era apaixonada por joias e moda. “Foi a primeira fashionista da história”, diz o diretor com exclusividade para a GQ durante sua passagem por São Paulo.
Maria
Antonieta vivia isolada da corte, em meio aos animais, mas tinha a companhia da
duquesa Gabrielle Polignac (Virginie Ledoyen) e de Agathe-Sidonie Laborde (Léa
Seydoux, de Meia-Noite em Paris), responsável por ler artigos de
moda e livros de literatura que entretêm a monarca. É justamente sob o ponto de
vista de Sidonie que o espectador conhece o que está se passando em Versalhes.
Durante
a história, há a descoberta do romance que envolve a rainha e a duquesa. A
leitora, porém, era apaixonada por sua majestade. Segundo o diretor, esse
romance entre as duas aconteceu de fato e é muito conhecido na França. “Para
Maria Antonieta era muito entediante viver em Versalhes. Ela era apaixonada por
joias, obcecada pela moda, mas as pessoas estavam morrendo, estavam famintas, e
foi terrível para os franceses saberem que ela estava gastando ouro”, completa
Jacquot.
CORTE
DE VERSALHES EM ADEUS, MINHA
RAINHA (FOTO: DIVULGAÇÃO)
O
longa é baseado no livro de Chantal Thomas, mas, de acordo com o diretor, não é
exatamente igual. “Um vem do outro, claro. Mas o livro é em flashback, com uma
senhora lembrando o que aconteceu naqueles dias. Eu queria fazer um filme para
ser contemporâneo ao que aconteceu. A leitora, no livro, tem mais de 50 anos e
eu queria que fosse uma moça bem mais jovem”, compara.
A
maior parte da fita se passa dentro do Castelo de Versalhes e traz cenários
deslumbrantes, como a Galeria dos Espelhos, o Petit Trianon e outros aposentos
que não apareceram em outras produções. O local acaba se transformando em um
personagem essencial ao longa. “Filmar ali poderia ter sido impressionante, mas
não foi, porque é muito caro. Não é um privilégio”, diz. Estar dentro do
castelo, porém, foi uma forma de sentir o que aconteceu e transmitir a sensação
ao espectador. “Para mim e para os atores foi importante estar o máximo
possível dentro do castelo. Mas nem tudo foi filmado lá, pois alguns locais não
existem mais.”
Maria Antonieta já foi tema de outros filmes, como no de Sofia Coppola, no qual foi retratada como uma rainha pop. Segundo Jacquot, o motivo que leva tantos cineastas a contar a história sobre a monarquia francesa é porque ainda existe algo que incomoda o povo. “Acho que os franceses se sentem culpados por tê-la assassinado. Ela era libertária, irresponsável, mas não eram motivos para cortar a sua cabeça.”
Adeus, Minha Rainha reconta parte da história da monarquia francesa em meio a um turbilhão de acontecimentos. São momentos sombrios que antecedem a Queda da Bastilha e coloca o espectador dentro da cena, cercado de móveis e figurino de época impecáveis, com diálogos bem construídos e um elenco que funciona e convence o público.
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