Cultura/Literatura
(É) redatora
publicitária e produtora de conteúdo, tem artigos e ensaios publicados em
sites, revistas e periódicos acadêmicos. Premiada em diferentes concursos,
participa de seis antologias literárias, uma delas publicada na Espanha. Em
março de 2016, lançou o livro (e e-book) infantil O Mirabolante Doutor Rocambole,
finalista do Prêmio Off Flip de Literatura.
Quando a sua biblioteca deixa
de ser tão interessante ou você percebe que a felicidade não está só na lista
dos mais vendidos, é hora de procurar livros novos. Mas por onde começar?
Está pensando em variar suas experiências de
leitura? Ter contato com narrativas mais rebuscadas (ATENÇÃO: ser rebuscada não
significa usar palavras pomposas nem obrigar o leitor a reler cada página 10
vezes), que te façam pensar em outros assuntos, sentir emoções diferentes,
refletir sobre novas questões e ver as coisas de um novo ângulo?
Bom, eu vivo tendo minhas fases de “Preciso
de novidades! ”, então resolvi dividir algumas dicas que me ajudam durante
essas mudanças literárias.
Aqui vão elas.
Na dúvida, escolha os clássicos
Os grandes livros foram consagrados por
vários motivos, mas o principal é: são narrativas que inovam, que emocionam e
que, justamente por falarem tão bem das experiências e sentimentos humanos, são
atemporais.
Uma vantagem de começar pelos clássicos é que
você vai conseguir identificar como o estilo dessas obras e autores influenciou
outras obras e autores – dos mais premiados aos menos elogiados. E ficará
surpreso em perceber como esses livros estão presentes nos filmes, ditados
populares, músicas e propagandas que vemos por aí.
Outra vantagem é que quando essas obras caem
em domínio público (e muitas já caíram) ganham uma edição mais caprichada do
que a outra, além de adaptações. A editora Peirópolis, por exemplo, lançou a
coleção Clássicos em HQ, na qual adapta vários clássicos da Literatura
para os quadrinhos, mantendo nos balões ou recordatórios apenas textos contidos
na obra original.
Não tema os especialistas
Muita gente torce o nariz para críticos
literários ou professores de Literatura muito especializados. Mas pense bem:
essas pessoas gostam tanto de livros que passaram a vida inteira estudando
sobre eles. Ou seja, podem dar ótimas recomendações e te fazer enxergar
detalhes que talvez você não enxergaria se lesse aquela história sozinho.
Não se deixe abater pela fama de “esnobes” ou
“fechados”. Num país de poucos leitores, o que a maioria dos críticos mais
deseja é ter alguém com quem conversar sobre seus preciosos livros.
Peça indicações a leitores experientes
Sabe aquele amigo que tem o quarto, a sala e
o escritório cheios de livros? Ou aquela amiga que vira e mexe cita algum
autor/obra? Ou até aquele conhecido que curte descobrir novos escritores, seja
na internet, seja visitando sebos? Esse pessoal pode te apresentar livros bem
legais. Rola até fazer uns empréstimos.
Abrace os infanto-juvenis
Quando um livro infantil ou juvenil tem
qualidade, encanta leitores de 2 a 100 anos. Provoca risos, nós na garganta,
surpresas e questionamentos. Não é à toa que a maioria dos grandes autores tem
pelo menos uma obra infanto-juvenil – ou são exclusivos do gênero.
E nada de achar que são “mais bobinhos” por
causa das ilustrações. Quando bem trabalhadas, engrandecem enredos e
personagens, além de tornarem a leitura mais dinâmica. Elas podem acrescentar
uma nova dimensão ao que é escrito, mostrar o oposto do que o narrador conta,
complementar o texto, etc. Edições caprichadas pensam justamente na interação
entre essas duas linguagens: a textual e a visual.
Por serem mais curtos, os infanto-juvenis
também são ótimos para quem busca adquirir o hábito de leitura, mas ainda não
se sente atraído por um calhamaço de 500 páginas.
Não caia nessa de achar que são “leitura de
criança”. Boa Literatura não tem idade.
Procure além da vitrine
Sabe quando você anda por aí com a impressão
de que todas as livrarias têm exatamente os mesmos livros no estoque? Isso é
porque as vitrines costumam ser bem parecidas, e não é por acaso que aqueles livros
estão em ‘de$taque’.
A verdade é que tem muita coisa interessante
escondida no cantinho da sua livraria favorita. Não se renda ao primeiro
mostruário chamativo. Demore alguns minutos, explore as prateleiras menos
visitadas. Às vezes, pela metade do preço, você descobre um livro com o dobro a
oferecer.
Faça parte de um clube de assinatura
Um caminho interessante tanto para mudar de
ares literários quanto para se tornar um leitor mais assíduo é fazer parte de
um clube de assinatura de livros.
Existem uns bem legais, com especialistas ou
escritores convidados que selecionam um livro por mês. Esse livro é entregue na
sua casa e geralmente vem acompanhado de algum mimo, além de revistas e textos
complementares que ajudam a explorar a obra por inteiro. Como assinante, você
ganha acesso a fóruns e grupos de discussão.
Outra estratégia é apenas acompanhar as redes
sociais desses clubes e, se o livro de algum mês te interessar, você o compra
ou aluga de uma biblioteca.
Contos também têm seu charme
Assim como as crônicas, são ótimos para
conhecer o estilo de um autor sem ter que começar por sua obra-prima.
As coletâneas são rápidas de ler, agradam
todos os gostos e costumam ter um preço acessível.
Existem bons concursos literários que
disponibilizam as antologias das crônicas/poesias/contos vencedores
gratuitamente, em e-books ou bibliotecas. No caso de concursos organizados por
casas editoriais, é comum que vendam a obra resultante, como no caso da Canal 6 Editora e da LiteraCidade.
Muitos dos autores premiados já estão na
estrada há vários anos e quem sabe, ao ler o texto de algum deles, você não se
interesse em conhecer seu mais novo lançamento? Vale a tentativa.
Pesquise sobre os livros que você pretende
ler
Sabia que O Pequeno Príncipe foi
dedicado a um amigo judeu do autor, prisioneiro em um campo de concentração, e
que por isso a metáfora da estrela é tão presente? Ou que O Apanhador
no Campo de Centeio é apontado por muitos estudiosos como “o inventor
da adolescência”?
Buscar curiosidades e conhecer o pano de
fundo sobre os livros que te indicam ou que você deseja ler é um jeito não
apenas de estimular a leitura, mas de enxergar a obra com outros olhos.
Confie nos selos
Prêmios literários tradicionais e os selos de
Altamente Recomendável são indicativos confiáveis sobre a qualidade de um
livro. Ele foi rigorosamente selecionado entre centenas e até milhares de
obras, por gente que entende do assunto.
Também é interessante dar uma olhada nos
livros/obras (no caso de concursos de inéditos) finalistas. A concorrência é
sempre acirrada, e com certeza eles podem ganhar um espaço na sua estante.
Divirta-se!
Mergulhar no vasto universo da Literatura,
provando seus diferentes gêneros (ou falta de gêneros), estilos e narrativas
deve ser prazeroso. Não precisa ser maçante, obrigatório, um item para marcar
como “confere”.
Se a sua jornada por novas experiências
literárias se tornou estressante e cansativa, pare um pouco. Distraia a cabeça
com outras coisas, volte aos livros que te deixam mais confortável, leia uma
resenha ou outra...
Conhecer outros tipos de Literatura precisa
responder a uma vontade que vem de dentro. É ela que te atiça a querer
descobrir novos horizontes, ler mais livros, discutir assuntos variados. Ao ter
contato com autores e histórias diferentes, você permite que essa vontade
cresça. Então é só deixá-la fluir entre as páginas.
Mas não force a barra. Afinal, a intenção é
percorrer essa estrada de forma natural, não competir numa maratona.
Bom, essas foram as minhas dicas. Para
finalizar, deixo aqui o nome de algumas editoras (que não me pagaram nada para
publicar isso) responsáveis por projetos bem interessantes, nos ramos mais
variados:
Kazuá, ÔZé Editora, 7 Letras, Grua Livros,
Miguilim, Carpe Diem, Oito e Meio, Terracota, Selo Off Flip, Pulo do Gato,
Reformatório, Lote 42, Peirópolis, Biruta, Demônio Negro, Poetisa, Manati
Produções Editoriais, Terceiro Nome, Callis, Fino Traço, Jujuba, MOVpalavras,
Penalux, Edições de Janeiro, Canguru, Gato Leitor, Editora 34, Aletria, Quatro
Cantos, Patuá, Dedo de Prosa, Bambolê, Livrinho de Papel Finíssimo, e por aí
vai.



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