Literatura: romance
policial
(A rainha do suspense)
Por Gisele Bellucci
“Cada livro
conta uma história e cada história contém a magia certa para encantar as nossas
vidas.”
Agatha conseguiu transcender a
morte. Conseguiu o que muitos de nós almeja, poder morrer sabendo que o seu
melhor ficou gravado em outros seres humanos. Suas histórias, sua vida, seus
livros nos inspiram até hoje. Porque se formos parar ante qualquer dificuldade,
não sairemos do lugar.
Agatha Christie foi uma
mulher excepcional. Essa é a minha opinião, mas posso tentar convencê-lo com
números. Então vamos lá:
- autora de 66 novelas policiais, - 163
histórias curtas, - 2 autobiografias, - vários poemas, - 6 romances (não
crimes) escritos com o pseudônimo de Mary Westmacott, - traduzida para 45
línguas, e - bilhões de livros vendidos pelo mundo.
A Rainha do Crime, assim como é devidamente
conhecida, nasceu em 15 de setembro de 1890, em Torquay, Inglaterra. É criadora
de dois personagens, lembrados até hoje: o detetive belga Hercule Poirot e a
Miss Marple. Influenciada por romances de Arthur Conan Doyle e Edgar Allan Poe,
não poderia ter sido diferente. Grande parte de sua produção literária foi
adaptada para o teatro, o cinema e a TV. Por ser a caçula, era muito protegida
e passava grande parte do tempo sozinha. Sua mãe se assustou quando a babá
avisou que Agatha aprendera a ler sozinha. Foi o começo de tudo. Imaginação
fértil, curiosidade juvenil e tempo para fazer o que queria.
“A melhor hora para planejar um livro é
enquanto lava-se a louça.”
Sempre que falamos em Agatha Christie nos vem
a mente uma senhora idosa, sentada quietinha em uma cadeira, tomando um chá e
escrevendo seus livros sobre assassinatos, envenenamentos, Oriente, e pensamos:
que mente fértil! Mas Agatha gostava mesmo é de uma aventura. Gostava de
viajar, de conhecer novos lugares, gostava muito de cachorros e também de
nadar.
Conheceu o aviador Archie (Archibald
Christie) em 1912 e casou-se com ele na véspera do Natal dois anos mais tarde.
Tiveram uma única filha, Rosalind, em 1919. Seu primeiro livro O misterioso
caso de Styles foi lançado em 1920, estreia do detetive Hercule Poirot, único
personagem a ter o obituário publicado pelo The New York Times. Dois fatos
marcaram a vida da autora no ano de 1926: sua mãe faleceu e seu marido a deixou
por uma outra mulher. Nessa época, Agatha ficou desaparecida por dias. Todos
estavam a sua procura e imaginavam o pior, pois seu carro havia sido encontrado
perto de uma estrada, mas nem sinal dela. Depois que ela se deu esse tempo
reclusa em um hotel, os jornais da época falaram que poderia ter sido uma
grande jogada publicitária, mas eu acredito que ela fez isso por si mesma, para
tentar não enlouquecer. Agatha tinha caderninhos em todos os cômodos da casa,
pois se tivesse alguma ideia para um livro, anotava para depois desenvolver. Nesse
mesmo ano, Agatha escreveu sua obra-prima, O assassinato de Roger Ackroyd. No
ano seguinte, em 1927, foi a estreia de Miss Marple em seus romances. Agatha
conhece, em uma de suas viagens, o arqueólogo Max Mallowan e casa-se com ele em
1930. Passa a acompanhar o marido em suas expedições e colhe material para os
seus livros ambientados em culturas e lugares exóticos.
“Eu gosto de viver. Já me senti ferozmente,
desesperadamente, agudamente feliz, dilacerada pelo sofrimento, mas através de
tudo ainda sei, com absoluta certeza, que estar viva é sensacional.”
A vida dessa autora me impressiona por ela
nunca ter dado ouvidos às normas de comportamento de uma mulher de sua época.
Ela era escritora e, mesmo se casando, não deu um tempo na carreira para se
tornar uma dona de casa exemplar ou cuidar de sua filha. Ela não tinha medo de
ser quem era. Isso em 1920, ano de seu primeiro romance, não devia ser o sonho
da maioria das mulheres, mas Agatha não se importava com o que os outros
poderiam achar dela. E com essa despretensão, ela chegou até onde queria ir.
Nem mais, nem menos, apenas onde queria estar. Em 1971 recebeu o título de Dama
da Ordem do Império Britânico. Era respeitada por sua profissão. Agatha faleceu
em 12 de janeiro de 1976, com então 85 anos de idade, de causas naturais.
Deixou um patrimônio avaliado em 20 milhões de dólares e algumas obras prontas.
Sua única filha, Rosalind Hicks morreu em 2004, também de causas naturais e
também com 85 anos. Os direitos de sua obra então, passaram para o seu neto,
Mathew Princhard.
Agatha conseguiu transcender à morte.
Conseguiu o que muitos de nós almeja, poder morrer sabendo que o seu melhor
ficou gravado em outros seres humanos. Suas histórias, sua vida, seus livros
nos inspiram até hoje. Porque se formos parar ante qualquer dificuldade, não
sairemos do lugar.
“Aprendi que não se pode fazer marcha-ré, que
a essência da vida é seguir em frente. Na realidade, a vida é uma rua de
sentido único.”




Nenhum comentário:
Postar um comentário