Se tristeza gritasse ou matasse, ontem, 27.10.2012, ao saber da morte de Regina, minha garganta estaria rebentada pelos gemidos, quase uivos, dela escapados, e o meu coração despedaçado e parado por não suportar perda tão dilacerante. Diria o dramaturgo Nelson Rodrigues, de saudosa ausência: a vida é como ela é. Sempre carregada de absurdos e ilimitadamente cercada de tragédias.
Minha admiração por essa alegre e talentosa mulher vem de há muito. Desde o tempo, quando ainda era bem mocinha e desconhecida, em que namorava meu sobrinho, filho do coração, Zéhenrique, cujos sentimentos, talento, espontaneidade e alegria de viver eram marcantes em sua personalidade. De riso largo, parecia uma casa cheia embalada por sons afinados, harmoniosos, como os saídos de uma tocata. Bonita, cativante, inteligente, instigante, histriônica, predizia, em suas falas, lograr um futuro luminoso. O que aconteceu. Estudiosa, enveredou pelo árduo caminho das artes: canto, dança e dramaturgia. E, se deu bem em todas essas vertentes, as quais lhes forneceram os subsídios para alicerçar, ainda mais, todas as suas inatas e apreciadas virtudes. Virtudes que resultaram, quando se viu impossibilitada de continuar a lutar contra o sofrimento. Provocado por um câncer de mama insidioso, que tolhia suas forças, de gigante. Decidida partiu, sem lamentos. Sem imprecações. Foi ver de perto a pálida luz da lua. O piscar brilhoso das estrelas. Viajar pelo etéreo, em busca dos palcos do universo, para continuar se exibindo como a atriz protagonista que sempre foi por estas bandas de cá. Sem fazer questão de levar nenhuma bagagem. Foi nua. Sem pasta e escova de dente. Pente e escova. Carmim e batom. Sequer levou saudades. Deixou-as, elas as saudades, conosco, que, agora, temos dela. Como se não bastasse, deixou-nos, também, todos os seus demais bens imateriais. Um patrimônio riquíssimo. Sua coragem férrea - suportei ontem, posso suportar hoje (Vauvenargues) -. Seu caráter maiúsculo. Suas interpretações magistrais. Seu amor pelas pessoas. Seu espírito de doação.
Com sua morte Regina perdem o teatro baiano, nacional, uma de suas divas, e, em particular, a cultura nacional.
A Mídia News, num irretocável texto, assim descreveu inesquecível carreira profissional de Regina Maria Dourado:
“Regina Maria Dourado nasceu em 22 de agosto de 1953, na cidade de Irecê, no interior da Bahia. Aos 15 anos, começou na "Companhia Baiana de Comédias".
Estudou canto e participou do Grupo de Dança Contemporânea da Universidade Federal de Bahia, do Coral Ars Livre e do Grupo Zambo. Ela estreou na TV durante o especial "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água", dirigido por Walter Avancini em 1978.
A atriz atuou nas novelas "Pai Herói" (1979); "Cavalo Amarelo" (1980) (Bandeirantes); "Pão Pão, Beijo Beijo" (1983) quando voltou para a Globo e ganhou sua primeira grande personagem em novelas como Lalá Serena; "Roque Santeiro" (1985); "Felicidade" (1991), "Renascer" (1993); "Tropicaliente" (1994); "Explode Coração" (1995) (Globo); "Rei do Gado" (1996); "Anjo Mau" (1997); "Andando Nas Nuvens" (1999); "Esperança" (2002); "Seus Olhos" (2004) no SBT; "América" (2005) (Globo); "Bicho do Mato" (2006-2007) (Record), e seu último trabalho na televisão na novela "Caminhos do Coração" (2008), na Record.
Em "Explode Coração", da autora Glória Perez, Regina contracenou com o ator Rogério Cardoso. Eles fizeram o casal Lucineide e Salgadinho, que garantiu momentos cômicos à trama com o bordão “Stop, Salgadinho!”, reconhecido pelas ruas do país.
Entre seriados e minisséries, participou de "Lampião e Maria Bonita" (1982); "O Pagador de Promessas" (1988); "O Sorriso do Lagarto" (1991); "Tereza Batista" (1992).
No teatro, Regina Dourado atuou em "Vidigal"; "Memórias de um Sargento de Milícias"; "Declaração de Amor Explícito"; "Rei Brasil 500 Anos"; "Uma Ópera Popular"; "Tratado Geral da Fofoca"; "Paixão de Cristo" (2011 e 2012 – Salvador) no papel de "Maria, mãe de Jesus".
Já no cinema, a atriz fez participações em "Sandra Rosa Madalena" (1978) como uma cigana dançarina, em "Amante Latino" (1979); cantou para a trilha sonora de "O Encalhe – Sete Dias de Agonia" (1982); "Baiano Fantasma", em 1984; "Tigipió – Uma Questão de Amor e Honra", (1986); "Corpo em Delito" (1990); "Corisco & Dada" (1996); "No Coração dos Deuses" (1999); "Espelho D’ Água – Uma Viagem no Rio São Francisco" (2004).
No carnaval de 1997, em Salvador, a atriz participou de uma homenagem ao escritor baiano Jorge Amado interpretando o papel de Tieta, ao lado de artistas como Gilberto Gil, Maria Betânia e outros.”
Nenhuma outra foto mais expressiva do que a inserida abaixo dirá dessa minha amiga que se foi. Sonhadora e sempre em busca de novidades
Ei-la:
Adeus amiga, ainda vou lhe aplaudir nos palcos do infinito! E espero encontrá-la com a mesma jovialidade e boniteza daqueles bons tempos.
LCFACÓ



Infelizmente para todos os brasileiros, principalmente baianos ela partiu para a vida eterna. Pelo menos está mostrando seus dons artíticos ao Criador. Isto me alegra a tristeza que sinto como baiano.
ResponderExcluirCesar Roberto Leitão Martins.