Mundo: arte
cinematográfica
Um filme brasileiro que concorre à
Palma de Ouro no Festival de Cannes ganhou holofotes nesta semana por dois
motivos. Foi parar na primeira página do jornal britânico The Guardian por conta do protesto, em pleno tapete
vermelho, da equipe na cerimônia de estreia contra o processo de impeachment
que afastou Dilma Rousseff da Presidência.
"O
Brasil vive um golpe de Estado", dizia um dos pequenos cartazes
empunhados. "54.501.118 votos estão sendo queimados", dizia outro.
Escrito e dirigido pelo pernambucano Kléber
Mendonça Filho, Aquarius conseguiu também um
segundo feito: foi aclamado por parte da crítica. Entre as referências
positivas à qualidade artística e técnica do filme, aplaudido por vários
minutos após a exibição, um destaque vem do também britânico Daily Telegraph, que estampou no título: "Aquarius vai fazer você querer morar no
Brasil".
"As
complexidades da sociedade brasileira, com seus estratos sociais e raciais, e
também a importância dos laços familiares, se transformam em uma teia de aranha
para Clara e o enredo. No final, você fica feliz de estar envolvido naquilo, e
sem vontade de se libertar", escreve o crítico do jornal Robbie Collinm,
que deu cinco estrelas, a nota máxima, para o filme, descrito como
"magnífico".
Crítica publicada no Telegraph diz
"Aquarius vai fazer você querer se mudar para o Brasil"
Aquarius descreve o Guardian,
conta a história de uma crítica de música, interpretada por Sônia Braga,
pressionada a deixar seu apartamento, em Recife, por empreendores que querem
derrubar o prédio para construção de um novo empreendimento. O jornal sugere
uma metáfora como a situação atual do Brasil, em que Dilma foi afastada do
governo acusada de "pedaladas" que mascararam o déficit das contas
públicas e agora aguarda decisão final do Senado.
O francês Le Monde disse
que a exibição do filme "confirma a tendência de que ele impõe como o mais
belo de todos que vimos até agora (nesta edição do festival)".
Para
o jornal, o protesto do elenco foi "um gesto simples e forte, que ecoa a
cólera fria e a determinação serena com que Clara, a personagem principal do
filme, se opõe ao agente imobiliário que queria despejá-la do apartamento onde
ela viveu toda a sua vida".
Ao New York Times,
Kleber Mendonça Filho disse: "O que está ocorrendo no Brasil agora é um
golpe de Estado, mas um golpe moderno e cínico", em reportagem publicada
no dia 10 de maio.
O
protesto de sua equipe acabou gerando polêmica no perfil do Festival de Cannes
no Facebook. Em meio a várias mensagens de apoio, havia muitas críticas de
brasileiros.
"É
por isso que reclamam (da extinção) do Ministério da Cultura e não o da
Fazenda. Fazem protesto da França, mas jamais vão à periferia ver os efeitos
reais da crise. Não se importam de divulgar uma mentira, desde que em solo
glamourizador", criticou um usuário.
"Estão
assim porque a mamata do Ministério da cultura acabou", disse outro
comentário crítico.
Aquarius é o único filme latino-americano
disputando a Palma de Ouro, o prêmio máximo de Cannes. É a chance de o Brasil
levar esta premiação pela segunda vez. A primeira e única veio com O Pagador de Promessas, de 1962, dirigido por Anselmo
Duarte.



Nenhum comentário:
Postar um comentário