Ciência/Tecnologia
Xand van
Tulleken afirma que escrever a própria biografia para o perfil é a parte mais
difícil e desagradável da paquera online (Foto: BBC)
No mundo todo, 91 milhões
de pessoas usam sites ou aplicativos de paquera e, com tanta gente, a vida dos
que procuram alguém especial pode ficar muito difícil.
Mas, segundo o médico britânico Xand van Tulleken, há algumas dicas
baseadas em pesquisas científicas que podem ajudar. No programa Horizons, da
BBC, ele tentou essa abordagem. Leia seu depoimento:
"Tenho
37 anos e há tempos procuro uma namorada em Londres ou Nova York.”
Algumas
pessoas gostam de ser solteiras, mas, talvez por eu ter um irmão gêmeo idêntico
e não estar acostumado a ficar sozinho, estar solteiro é um purgatório. Então,
decidi descobrir se, usando uma abordagem científica em sites e aplicativos de
encontros, eu poderia aumentar minhas chances.
Meu
primeiro problema era ser notado. Escrever uma biografia nesses sites e apps é,
para mim, a parte mais difícil e desagradável – a ideia de ter que passar pela
terrível autoanálise e escrever uma breve descrição é extremamente
desagradável.
Além
disso, eu também teria que descrever minha “parceira ideal” e, de alguma forma,
isso sempre me pareceu um exercício de otimismo e imaginação nada atraente (e
um pouco machista).
O perfil
Aconselhei-me
com Khalid Khan, cientista da Universidade Queen Mary, que analisou dezenas de
pesquisas a respeito de atração e paquera virtual. O trabalho dele não foi
motivado pela ciência: ele estava tentando ajudar um amigo a arrumar uma
namorada depois de vários fracassos.
Dezenas
de milhões de pessoas no mundo todo estão em sites e aplicativos de encontros
(Foto: BBC)
A
pesquisa que ele produziu foi o resultado de uma análise ampla de grandes
quantidades de dados. O documento deixou claro que alguns perfis funcionam mais
que outros (e, com isso, o amigo dele agora está namorando, graças aos
conselhos dele).
Por
exemplo: Khan afirma que você deve gastar 70% do espaço falando sobre você e
30% falando sobre o que procura em um parceiro (a).
Estudos
mostraram que perfis com esse equilíbrio recebem mais respostas, porque as
pessoas sentem mais confiança para entrar em contato. Para mim isso parece
possível.
Mas
ele fez outras descobertas. Aparentemente mulheres acham mais atraentes homens
que demonstram coragem, bravura e disposição para assumir riscos do que homens
que demonstram altruísmo e gentileza. Lá se foi minha esperança de chamar
atenção com minha carreira de médico ajudando as pessoas.
Khan
também aconselha que se você quer fazer as pessoas pensarem que você é
engraçado, o melhor é mostrar e não falar. Mais fácil falar isso do que fazer...
E
escolha um nome que comece com uma letra do início do alfabeto. Parece que as
pessoas, inconscientemente, associam iniciais com estas letras com sucesso
acadêmico e profissional. Tenho que parar de assinar Xand e voltar a usar Alex
por um tempo.
Surpreendentemente,
essas dicas ajudaram muito. Escrever um perfil é um negócio triste, mas a
partir daí eu tinha alguns objetivos claros para me ajudar a superar o
bloqueio.
A escolha
Com
meu perfil resolvido, o próximo problema ficou claro: quem eu deveria escolher?
Pedi
a ajuda da matemática Hannah Fry. Ela escreveu um livro onde descreve a “Teoria
da Parada Ótima”, um método que pode nos ajudar a chegar à melhor opção
enquanto procuramos entre as muitas escolhas, olhando uma pessoa depois da
outra.
'A
Teoria da Parada Ótima' sugere uma fórmula para que as pessoas usem aplicativos
como Tinder (Foto: BBC)
Separei tempo para analisar o perfil de cem mulheres no Tinder. Meu
objetivo era escolher apenas uma, e ter o melhor encontro possível.
Se
eu escolhesse a primeira pessoa que visse, poderia perder alguém melhor que
visse depois. Mas, se eu deixasse para escolher apenas no fim, poderia escolher
a pessoa errada.
De
acordo com um algoritmo desenvolvido por matemáticos, minha chance de escolher
a melhor é mais alta se eu rejeitar as primeiras 37%. Então tenho que escolher
a próxima pessoa que é melhor do que todas as anteriores.
As
chances de aquela pessoa ser a melhor do grupo são de 37%.
Não
vou mentir: não foi fácil rejeitar 37 mulheres, algumas delas pareciam bem
legais. Mas obedeci às regras e fiz contato com a próxima considerada melhor. E
tivemos um bom encontro.
Se
eu aplicasse essa teoria a todos os meus encontros ou relacionamentos, poderia
começar a ver que faz sentido.
A
matemática disso é espetacularmente complicada, mas provavelmente nós evoluímos
para aplicar um princípio parecido. Divirta-se e aprenda coisas com
aproximadamente o primeiro terço de relacionamentos potenciais que você possa
ter.
Então,
quando você tiver uma ideia do que está disponível e o que você está
procurando, aceite a primeira melhor pessoa que aparecer.
O
legal sobre estes algoritmos é que me deram regras para seguir. Eu tinha
permissão para rejeitar pessoas sem me sentir culpado.
E
o lado negativo é que ser rejeitado ficou muito mais fácil quando que percebi
que não era apenas a parte triste dos relacionamentos, mas uma prova real (de
novo, Hannah Fry demonstrou esta verdade matemática) de que eu estava fazendo
alguma coisa certa.
Você
tem muito mais chances de encontrar a melhor pessoa para você se procurar de
forma ativa em vez de esperar que alguém entre em contato.
Depois do encontro
Xand van
Tulleken ofereceu o irmão, Chris, para a ressonância magnética do cérebro
(Foto: BBC)
E os resultados foram estes (Foto: BBC)
Depois
que saí com uma pessoa algumas vezes, naturalmente queria saber se tinha alguma
coisa ali. Então procurei a antropóloga Helen Fisher, que também é consultora
do site de encontros Match.com. Ela descobriu que é possível fazer um exame do
cérebro para descobrir isto.
Ofereci
meu irmão gêmeo, Chris, para fazer a ressonância magnética do cérebro com uma
foto da esposa dele, Dinah, nas mãos. No exame ele demonstrou um perfil
cerebral típico de uma pessoa apaixonada.
Uma região chamada área tegmental
ventral, parte do circuito de prazer e gratificação do cérebro, estava muito
ativa. E houve uma desativação do córtex pré-frontal dorsolateral, que controla
o raciocínio lógico.
Estar em um estado a que os cientistas
se referem de forma técnica como “amor romântico, apaixonado” faz com que você
não pense com clareza. Neurologicamente falando, Chris era um tonto apaixonado.
O interessante é que Fisher também
afirmou que simplesmente estar em um estado de amor não garante um
relacionamento bem-sucedido, pois o sucesso é algo muito subjetivo.
E isso realmente resume minha
experiência com a paquera online.
É verdade que é um jogo que envolve
números. E um pouco de estratégia matemática pode dar as ferramentas e confiança
para jogar melhor.
Mas, no máximo, só ajuda a te colocar
em contato com pessoas que você possa gostar e te dá esperanças para tentar.





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