Literatura: artigo
Colaboração
de Luiz Eduardo Costa
É um brilhante jornalista do Estado de
Sergipe
A genialidade de Victor Hugo nos deu um livro que está entre
aqueles mais primorosos que ele escreveu. Chama-se Os Últimos Dias de um
Condenado. Como o nome indica, trata do
drama derradeiro de um sentenciado à pena capital. Ele não tem dúvidas sobre a
natureza do crime cometido, sobre a inevitabilidade da morte que se avizinha,
mas apega-se à vida, imagina, contra todas as evidencias, escapar do carrasco
que o levará a por a cabeça sob a lâmina afiada do invento do Sr. Guilhotin.
Victor Hugo, ao descrever o calvário do condenado, transforma
o livro num libelo emocionante, contra a aplicação da pena de morte.
Nessa triste quadra da história brasileira, vivemos os
últimos dias de uma condenada, que nega
o crime, se diz injustiçada, e imagina, ainda, no instante crucial, poder
chutar os testículos do carrasco. O que
não acontecerá, até porque inexiste, no caso, um carrasco visível,
identificável.
Dos últimos dias do condenado de Victor Hugo ficou a idéia de
que Justiça não pode ser confundida com justiçamento, que a força da lei só
pode chegar até aonde começa a dignidade da vida.
No caso da nossa condenada há também lições importantes que
devem ser retiradas de todo o complexo contexto político que envolvem os
acontecimentos.
Os motivos alegados para condenarem Dilma são controversos,
insuficientes, numa situação normal para provocar o afastamento de um
governante.
Para se contrapor à frase célebre da esquerda espanhola,
trazida ao atual cenário político brasileiro, o “Não Passarão”, da
revolucionária Dolores Ibarruri, a Passionária, entrou em cena uma outra
expressão, aliás, com força demolidora:
O Conjunto da Obra.
Nessa frase estão contidos os erros, os equívocos, as
teimosias e as barbeiragens calamitosas cometidas pela presidente, que não
podem ser considerados tecnicamente como crimes, mas contra ela provocaram uma
onda enorme de reprovação, e é essa onda que congrega setores amplos da
sociedade brasileira, que está levando a presidente a viver, como condenada, os
seus últimos dias no Planalto. Antes mesmo de concluído o julgamento a
condenação já era previsível como os
eclipses do sol ou da lua.
Na outra frase, o “Não Passarão”, se desfez a ilusória
certeza de um partido que, por situar-se à esquerda, e ter posto em prática um
projeto de transformação social exitoso, estaria livre de seguir às “regras
burguesas”, sem dever obediência à critérios que independem de visões
ideológicas, e são conceitos essenciais
para que não se misture o público com o privado; o Estado com partidos,
o cofre público com o bolso da calça de cada um. Os outros sempre fizeram quase
o mesmo.
Mas, quem semeou
esperanças não poderia ter seguido o mesmo caminho. E com tanta voracidade.
Por tudo isso, a condenada do Planalto, da mesma forma que o
condenado de Victor Hugo, irá à degola por mais que gritem: Não Passarão.
Venceu O Conjunto da Obra.
Consumatum est...

Nenhum comentário:
Postar um comentário