Literatura: crônica
Por Sílvia Marques
Paulistana, escritora, idealista em crise,
bacharel em Cinema, cinéfila, professora universitária com alma de aluna,
doutora em Comunicação e Semiótica, autodidata na vida, filósofa de botequim,
com a alma tatuada de experiências trágicas, amante das artes , da boa mesa,
dos vinhos, de papos loucos e ideias inusitadas. Serei uma atleta no dia em que
levantamento de xícara de café se tornar modalidade esportiva. Sim, eu acredito
realmente que um filme possa mudar a sua vida! Autora do blog Garota desbocada.
Lancei recentemente em versão e-book pela Cia do ebook o romance O corpo nu...
Olhamos para centenas de rostos sem imaginar todo o universo que cada um deles representa, sem saber quem poderia se conectar conosco de uma forma especial. E quando me refiro a conexões especiais, falo de todo tipo de relação que pode surgir entre duas pessoas que vão desde os mais apaixonados casos de amor até amizades simbióticas, passando por parcerias intelectuais e profissionais instigantes.
superficial e não apresentamos um
real interesse por aquilo que estamos todos os dias esbarrando com centenas de pessoas
sem nos dar conta de toda a complexidade existente em cada uma delas. Cada ser
humano, por mais simples e linear que seja, é um universo intrincado, cheio de
lacunas, perplexidades, perguntas sem respostas, autoenganos.
Quando nos sentamos perto de alguém no metrô
ou no ônibus, raramente nos indagamos sobre quem é aquela pessoa, o que a
estimula, o que a move, o que a faz ter forças para acordar todos os dias.
Quando somos apresentados a uma pessoa num evento social, normalmente mantemos
uma conversa ouvindo.
Olhamos para centenas de rostos sem imaginar
todo o universo que cada um deles representa, sem saber quem poderia se
conectar conosco de uma forma especial. E quando me refiro a conexões
especiais, falo de todo tipo de relação que pode surgir entre duas pessoas que
vão desde os mais apaixonados casos de amor até amizades simbióticas, passando
por parcerias intelectuais e profissionais instigantes.
Quando de repente esbarramos em alguém e em
poucos minutos a pessoa diz alguma coisa que detona algo em nós, algo que
aciona as nossas teclas mais importantes, algo que aciona o nosso eu mais
verdadeiro, temos uma conexão imediata. Temos um encontro poderoso.
Convivemos por meses ou até mesmo por anos
com colegas de trabalho, amigos sociais, parentes sem conseguir estabelecer uma
conexão tão devastadora e reveladora. Muitos de nossos vínculos afetivos de
longa data se baseiam mais na convivência, nas experiências compartilhadas, num
respeito mútuo que se estabelece por detectarmos qualidades importantes no
outro.
Muitas das nossas amizades se formam
lentamente e vão se consolidando com o tempo, mas sem que haja uma conexão
total. Admiramos, respeitamos , temos carinho, mas não sentimos pontas soltas
se unindo, se ligando e criando novas conexões mentais e afetivas. Muitas de
nossas amizades se formam por algumas afinidades em comum e pela força das
circunstâncias.
Quando conhecemos alguém que realmente se
conecta com a gente, vivemos uma espécie de encontro conosco mesmo, com tudo
aquilo de mais íntimo e visceral que existe dentro de nós.
Conexões imediatas e encontros poderosos não
ocorrem todos os dias e nem sempre duram muito tempo. Às vezes, a intensidade é
tão grande e perturbadora que não é possível manter o vínculo por meses ou
anos. Mas de qualquer forma, sempre saímos transformados e mais conscientes a
respeito de nós mesmos depois de uma conexão imediata.


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