segunda-feira, 22 de julho de 2013

BEBÊ DE CINCO MESES DESAFIA A HISTÓRIA DA MEDICINA

por
Kelly Cerqueira
Publicada em 19/07/2013 00:16:36





Existem vários motivos para considerar a pequena Bianca, nascida no Instituto de Perinatalogia da Bahia (Iperba), no dia 2 de abril, com 22 semanas de gestação (cinco meses e meio) e apenas 622 gramas, uma criança de muita sorte.   Isso porque bebês que nascem muitas semanas antes do previsto, sem a devida formação, geralmente não sobrevivem. Bianca desafiou a medicina, reage firme e forte as complicações do nascimento prematuro, completando três meses no último dia 2, quando ainda nem deveria ter nascido.
Os resultados dos exames e os avanços diários da criança surpreendem até a própria mãe de Bianca, a desempregada Rosélia Anunciação Macena, 25 anos. A princípio os testes não apontam nenhum problema grave de saúde. Pesando 2 kg, ela aguarda doação de sangue do tipo O-, para a conquista da alta médica.
Sem apresentar qualquer causa específica aparente para o nascimento prematuro Rosélia, que já é mãe de um garoto de cinco anos, começou a sentir dores quando estava com cinco meses e meio de gestação. “Foi na Sexta-feira Santa, passei mal o dia todo e acabei vindo para a maternidade, mas nunca imaginava que fosse ter o bebê tão cedo”, lembra. Ela conta que, após várias tentativas de manter o feto na barriga, a bolsa estourou sendo obrigada a realização do parto, no dia 2 de abril. “A equipe médica já havia me alertado sobre a possibilidade de o bebê estar morto, porque as dores haviam parado e eu não sentia mais ela se mexer dentro de mim”, recorda. 
Emocionada, ela conta com detalhes os momentos que se seguiram após a vinda de Bianca ao mundo. “Eu me lembro de tudo, ela era muito pequenininha e saiu de mim envolvida em uma bolha seca, mas a médica que fez o parto viu que ela se mexia. Quando  rasgaram a bolha ela deu um suspiro bem forte e começou a bater a mãozinha no rosto”, continuou, lembrando que, mesmo após a constatação de vida da filha, a probabilidade de sobrevivência do bebê era muito pequena. “Eu que vi tudo sei que foi uma negócio de Deus”, disse.
Após o nascimento da filha, Rosélia ainda enfrentou problemas com a amamentação. Enquanto a mãe fazia o tratamento no banco de leite da maternidade para a recuperação do fluxo, Bianca, aos três dias de vida, já se alimentava com leite materno de uma doadora.

Estudos
Integrante da equipe que acompanha a evolução de Bianca, a médica neonatologista do banco de leite do Iperba Ana Paz informou que pesquisas realizadas em alguns países da Europa apontam o índice de mortalidade em crianças nas mesmas condições de Bianca são de 95% a 100%.
“Embora ela ainda necessite de alguns cuidados especiais, confortos necessários e acompanhamento médico, os exames de Bianca apontam que ela está bem”, afirmou. Formada há 30 anos e há 10 atuando no Iperba, a médica diz nunca ter visto um caso como o de Bianca. Ainda segundo  ela, existem riscos de sequelas neurológicas, mas por enquanto não há como prever como será o desenvolvimento do bebê.
Embora a gravidez de Rosélia não tenha apresentado um motivo explícito para o nascimento prematuro de Bianca, alguns fatores podem contribuir para o parto adiantado, segundo informou a médica.  O uso de álcool, cigarro e outras drogas durante a gravidez, traumatismos na barriga, doenças maternas, fatores psicossociais, como o estress também podem interferir na gestação. “Pacientes muito abaixo ou acima do período de fertilidade (adolescentes e idosos) também têm maior probabilidade de sofrer com o parto prematuro”, informou a especialista. Ainda segundo ela, a única maneira de prevenir este tipo de problema é fazendo o acompanhamento prenatal.

Solidariedade muda a vida da família
Com três meses de vida, a maré de sorte de Bianca continua jogando a favor dela. Fruto de uma gravidez não planejada e nascida antes do tempo, a criança pegou os pais de surpresa, nascendo antes mesmo da compra do enxoval. Com o pai e a mãe desempregados, sua inusitada chegada ao mundo chamou a atenção de toda a Bahia para as necessidades da família que mora em Castelo Branco. “O pai dela já está desempregado há mais de sete meses, e eu pedi demissão quando estava com 2 meses de gravidez”, conta Rosélia.
Algumas propostas de emprego já estão chegando para Daltro Silva Conceição Filho, que costuma trabalhar como auxiliar de cozinha. Já a mãe, que trabalha desde os 13 anos, diz que sonha com a primeira assinatura da carteira de trabalho, mas que por enquanto vai se dedicar integralmente a menina.

Generosidade
O caso da criança que nasceu com apenas 622 gramas também despertou a generosidade em muitos soteropolitanos. Doações de fraldas, itens de conforto para o bebê, peças de enxoval e até de um berço, já chegam à maternidade.  A mobilização teve início na própria maternidade, através de funcionários que presentearam mãe e filha com alguns itens necessários para o bebê.
Ao lado da mãe, a gerente de RH Joana Dias Coelho, a administradora Juliana Oliveira foi uma das doadoras que aproveitaram para visitar a criança vitoriosa. “Eu estava em casa passando as roupinhas do meu bebê de oito meses quando vi a reportagem sobre o caso de Bianca. Na mesma hora eu parei o que estava fazendo e reuni tudo o eu tinha sobrado do meu filho para trazer pra ela”, conta emocionada.
Quem assim como Juliana quiser fazer alguma doação, basta entrar em contato com o Iperba, através dos números 3116-5188. Feliz e gratificada com a generosidade do povo soteropolitano, a mãe de Bianca também se emocionou, quando começou a receber a ajuda dos soteropolitanos. “Não esperava tanta generosidade das pessoas”, concluiu.


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