por
Agência Brasil
Publicada em 28/04/2013 12:04:46
A vegetação da Caatinga pode ser proporcionalmente
mais eficiente do que as florestas úmidas para absorver o gás carbônico
presente na atmosfera, em um processo natural, conhecido como sequestro de
carbono.
É o que pesquisadores do
Instituto Nacional do Semiárido, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação, querem provar. Para isso, iniciaram um estudo por meio do qual foram
instaladas duas estações micrometeorológicas em Campina Grande, na Paraíba,
para monitorar o dióxido de carbono absorvido pelas plantas da região.
Segundo o físico Bergson Bezerra, pesquisador do
Insa, o grupo pretende, com os resultados, conscientizar os governos e,
principalmente, a população que vive no Semiárido sobre a importância de se
preservar a vegetação nativa como forma de mitigar os impactos das alterações
no clima da região.
“Construiu-se
um preconceito em relação à Caatinga, sustentado na ideia de que ela representa
um ambiente hostil e inóspito. As pessoas sempre acreditaram que ela não servia
para nada, que era melhor retirar toda a Caatinga e substituí-la por
[vegetações] frutíferas, por exemplo”, disse. “Queremos provar cientificamente
que isso não tem fundamentação”, completou.
O pesquisador defende que se o produtor rural
recuperar essas áreas com espécies nativas estará contribuindo não apenas para
a “preservação do patrimônio do Semiárido”, mas também para o combate às
alterações climáticas, por meio da absorção eficiente do carbono na atmosfera.
“Estudos
revelam que as florestas tropicais têm alta capacidade de sequestrar carbono
[da atmosfera], mas elas também apresentam altos níveis de emissão, que ocorre,
por exemplo, com a queda de folhas. Já a Caatinga, não sequestra tanto, mas
emite quase nada e queremos investigar esse grau de eficiência, que acreditamos
ser maior no caso da Caatinga”, disse.
Bergson
Bezerra enfatizou que os três primeiros meses de observação, já trouxeram
“resultados auspiciosos”. “Será um estudo de longo prazo, com conclusão
prevista para 2015. Mas essa observação preliminar já nos permitiu constatar
que mesmo no período seco, quando a planta fica totalmente sem folha e com
estresse hídrico, ainda há sequestro de carbono, ou seja, ela ainda cumpre seu
papel ambiental.”
Ele
ressaltou que com a chegada da estação chuvosa, nos meses de maio e junho, os
pesquisadores acreditam que a atividade fotossintética será acentuada, com
sequestro de carbono ainda mais intenso.
A Caatinga
é um bioma exclusivamente brasileiro e um
dos mais alterados pelas atividades humanas. Trata-se de um tipo de vegetação
que tem fauna e flora com grande diversidade de espécies e cobre a maior parte
da área com clima Semiárido, principalmente da Região Nordeste. Ela é apontada
pelos pesquisadores como um dos biomas mais vulneráveis às mudanças climáticas
associadas aos efeitos de aquecimento global e pela exploração pelo homem de
forma desordenada e insustentável.

Nenhum comentário:
Postar um comentário