Alcebíades foi um dos homens mais
inescrupulosos da história antiga e um
dos mais brilhantes políticos de todos os tempos. Era um jovem aristocrata
ateniense, chefe dum grupo, que exigia uma
expedição contra a ilha da Sicília.
Inflamou a imaginação do seus conterrâneos com promessas de riquezas e glorias,
no caso duma vitória. Gente de todas as classes, - ricos, pobres, negociantes,
marinheiros, moços, velhos, artistas, -
correu a alistar-se. Os escritórios de recrutamento da armada ateniense
trabalhavam sem cessar. Na véspera da partida da esquadra, alguém mutilou a
estatua de Hermes, o deus mensageiro. As suspeitas recaíram sobre Alcides. Foi
retirado do comando da esquadra e intimado a submeter-se a julgamento. Em vez
de arrostar os juízes, porém, fugiu de noite para Esparta, a mortal inimiga de
Atenas. Logo que chegou a Esparta, induziu os chefes daquela cidade a enviar um
expedição à Sicília, como auxílio contra a esquadra ateniense.
Em resultado do conselho desse Benedito Arnold o exército de
Atenas foi completamente destroçado na Sicília (413 a.C.) . dos 40 000, que
haviam partido tão esperançosos de Atenas, apenas 9 000 conseguiram recuar. E
desses 9 000, nenhum tornou a ver jamais Atenas. Foram todos mortos no caminho,
ou vendidos como escravos. A traição de Alcebíades cortara o destino de uma nação
inteira.
Mas Alcebíades não estava ainda satisfeito. Começou a incitar
todos os aliados de Atenas à revolta.
Atingido o ponto crítico, Esparta declarou guerra, invadiu Atenas e
reduziu a grande cidade da liberdade a cativeiro e cinzas.
Mesmo assim, Alcebíades não se deu por satisfeito. Viajou
para a corte do rei Tissafernes, da Pérsia, e persuadiu-o a invadir a Grécia,
para apagar toda a civilização da Europa e colocar o Ocidente sob o governo dos
déspotas orientais.
Mas quando Tissafernes enviou seus soldados, através do
mediterrâneo, quem senão Alcebíades lhe apareceu, subitamente, com treze navios
atenienses, para derrotar os persas decisivamente a preservar sua terra da
ruina?!
E, em seguida, esse estranho paradoxo de homem, voltando para
sua nativa Atenas, com toda a pompa e esplendor, imagináveis, num navio de
flancos dourados, com escudos de prata e velas de púrpura, ao som de uma
orquestra de flautas. Ninguém ousava erguer um dedo contra ele. Anunciou que só
ele entre todos os homens do mundo seria capaz de restaurar a antiga grandeza
de Atenas. Jurou apaixonadamente que nunca havia cessado de amar a sua terra
natal.
Deram-lhe o comando do exército ateniense. Marchou desta vez
contra Esparta, alcançou grande vitória e conseguiu libertar Atenas do domínio
espartano.
Depois, pôs-se a pilhar todas as regiões que eram amigas de
Atenas, enviou uma expedição contra a Pérsia, e, em vez de travar batalha
contra o rei persa, passou-se para o seu lado no último minuto.
Esse homem desinquieto morreu aos 54 anos, quando tentava
provocar uma nova revolução na Frígia. Seus inimigos atacaram sua residência,
deitaram-lhe fogo e lançaram contra ele uma saraivada de flechas, ao vê-lo
aparecer à porta, inteiramente sem defesa, envolto num manto de púrpura. Morreu
nos braços de sua amante, que lhe vestiu o cadáver com seus próprios vestidos e
lhe prestou os últimos ritos fúnebres.
E assim pereceu um homem que era a própria encarnação do
demônio.


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