sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O BRILHANTE PATIFE ALCEBIADES


Alcebíades foi um dos homens mais inescrupulosos  da história antiga e um dos mais brilhantes políticos de todos os tempos. Era um jovem aristocrata ateniense, chefe dum grupo, que exigia uma
expedição contra a ilha da Sicília. Inflamou a imaginação do seus conterrâneos com promessas de riquezas e glorias, no caso duma vitória. Gente de todas as classes, - ricos, pobres, negociantes, marinheiros, moços, velhos, artistas, -   correu a alistar-se. Os escritórios de recrutamento da armada ateniense trabalhavam sem cessar. Na véspera da partida da esquadra, alguém mutilou a estatua de Hermes, o deus mensageiro. As suspeitas recaíram sobre Alcides. Foi retirado do comando da esquadra e intimado a submeter-se a julgamento. Em vez de arrostar os juízes, porém, fugiu de noite para Esparta, a mortal inimiga de Atenas. Logo que chegou a Esparta, induziu os chefes daquela cidade a enviar um expedição à Sicília, como auxílio contra a esquadra ateniense.
Em resultado do conselho desse Benedito Arnold o exército de Atenas foi completamente destroçado na Sicília (413 a.C.) . dos 40 000, que haviam partido tão esperançosos de Atenas, apenas 9 000 conseguiram recuar. E desses 9 000, nenhum tornou a ver jamais Atenas. Foram todos mortos no caminho, ou vendidos como escravos. A traição de Alcebíades cortara o destino de uma nação inteira.


Mas Alcebíades não estava ainda satisfeito. Começou a incitar todos os aliados de Atenas à revolta.  Atingido o ponto crítico, Esparta declarou guerra, invadiu Atenas e reduziu a grande cidade da liberdade a cativeiro e cinzas.
Mesmo assim, Alcebíades não se deu por satisfeito. Viajou para a corte do rei Tissafernes, da Pérsia, e persuadiu-o a invadir a Grécia, para apagar toda a civilização da Europa e colocar o Ocidente sob o governo dos déspotas orientais.
Mas quando Tissafernes enviou seus soldados, através do mediterrâneo, quem senão Alcebíades lhe apareceu, subitamente, com treze navios atenienses, para derrotar os persas decisivamente a preservar sua terra da ruina?!
E, em seguida, esse estranho paradoxo de homem, voltando para sua nativa Atenas, com toda a pompa e esplendor, imagináveis, num navio de flancos dourados, com escudos de prata e velas de púrpura, ao som de uma orquestra de flautas. Ninguém ousava erguer um dedo contra ele. Anunciou que só ele entre todos os homens do mundo seria capaz de restaurar a antiga grandeza de Atenas. Jurou apaixonadamente que nunca havia cessado de amar a sua terra natal.
Deram-lhe o comando do exército ateniense. Marchou desta vez contra Esparta, alcançou grande vitória e conseguiu libertar Atenas do domínio espartano.
Depois, pôs-se a pilhar todas as regiões que eram amigas de Atenas, enviou uma expedição contra a Pérsia, e, em vez de travar batalha contra o rei persa, passou-se para o seu lado no último minuto. 
Esse homem desinquieto morreu aos 54 anos, quando tentava provocar uma nova revolução na Frígia. Seus inimigos atacaram sua residência, deitaram-lhe fogo e lançaram contra ele uma saraivada de flechas, ao vê-lo aparecer à porta, inteiramente sem defesa, envolto num manto de púrpura. Morreu nos braços de sua amante, que lhe vestiu o cadáver com seus próprios vestidos e lhe prestou os últimos ritos fúnebres.

E assim pereceu um homem que era a própria encarnação do demônio.      

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