Camboja ou Cambodja,
oficialmente Reino do Camboja (em khmer:
រាជាណាចក្រកម្ពុជា transl. Preăh Réachéanachâkr Kâmpŭchea), oficialmente Reino do Camboja, é um país localizado na porção sul da Península da Indochina, no Sudeste Asiático. Sua área territorial é de 181 035 km², fazendo deste o 88.º maior do mundo em área. Faz fronteira com a Tailândia a noroeste, o Laos a nordeste, o Vietname a leste e o Golfo da Tailândia na porção sudoeste.
រាជាណាចក្រកម្ពុជា transl. Preăh Réachéanachâkr Kâmpŭchea), oficialmente Reino do Camboja, é um país localizado na porção sul da Península da Indochina, no Sudeste Asiático. Sua área territorial é de 181 035 km², fazendo deste o 88.º maior do mundo em área. Faz fronteira com a Tailândia a noroeste, o Laos a nordeste, o Vietname a leste e o Golfo da Tailândia na porção sudoeste.
Com
uma população estimada em pouco mais de 15 milhões de habitantes, o Camboja é
o 68º país
mais populoso do mundo e
tem o budismo como
religião oficial, praticado por cerca de 95% da população cambojana. Os grupos
minoritários do país incluem vietnamitas, chineses, chams e outras 30 tribos. A capital e maior
cidade do país é Phnom Penh,
o centro político, econômico e cultural do Camboja. O reino é uma monarquia
constitucional, tendo Norodom Sihamoni como
representante. O
O
antigo nome do Camboja é "Kambuja" (em sânscrito: कंबुज). No ano de 802, Jayavarman II declarou-se rei marcando o
início do Império Khmer, que floresceu por mais de 600 anos, permitindo que
reis sucessivos dominassem grande parte do sudeste da Ásia. O reino permitiu a
construção de templos monumentais, como Angkor Wat,
e facilitou a propagação do hinduísmo e
budismo por grande parte desta região. Após a queda de Angkorpara Ayutthaya, no século XV,
o Camboja foi governado como um vassalo entre seus vizinhos, Tailândia e
Vietname, até que foi colonizado pelosfranceses em meados do século XIX.
A independência do Camboja só ocorreu em 1953.
A Guerra do Vietnã estendeu-se ao Camboja, dando origem ao Khmer Vermelho,
que tomou a capital, Phnom Penh, em 1975. O Camboja ressurgiu vários anos mais tarde
dentro de uma esfera de influência socialista, como a República Popular de
Kampuchea, que durou até o início dos anos 90. Depois de anos de isolamento, a
nação devastada pela guerra se reuniu sob a monarquia, em 1993, e tem visto um
rápido progresso nas áreas de recursos humanos e econômicos, além da
reconstrução de décadas de guerra civil. O Camboja tem tido um dos melhores
desenvolvimentos econômicos na Ásia, com crescimento médio de 6% nos últimos 10
anos. A agricultura,
construção civil, vestuário e turismo atraíram investimentos estrangeiros e
estimularam o comércio internacional. Em 2005, foram encontrados petróleo e gás natural nas
águas territoriais do Camboja, e a exploração comercial desses recursos se
iniciou em 2013,
afetando positivamente a economia cambojana.
O
nome oficial do país em português é Reino
do Camboja, traduzido do khmer Preăh
Réachéanachâk Kampuchea, muitas vezes abreviado apenas para Kampuchea (em
khmer: កម្ពុជា). Kampuchea deriva da palavra
sânscrita Kambuja. Popularmente, os cambojanos na maioria das vezes
referem-se a seu país como "A Terra dos Khmers" (escrito em khmer da
seguinte forma: ស្រុកខ្មែរ) ou usando a expressão mais
formal "O país do Camboja" (em khmer: ប្រទេសកម្ពុជា). Em Língua inglesa,
a forma "Cambodia" é derivada de "Cambodge" ou
"Kamboj", a transcrição sânscrito de "Kampuchea"
História
Pré-história
Pouco
se sabe sobre a pré-história no território do Camboja. As esparsas
evidências para a ocupação humana durante o Pleistoceno são
algumas ferramentas feitas a partir de quartzo e quartzito, encontrados ao longo dos terraços do rio Mekong nas
províncias de Stung Treng, Kratié e Kampot, mas não há datas para essa ocupação até o
momento.
Outras
evidências arqueológicas mostram comunidades de caçadores-coletores habitando a região do atual Camboja durante o Holoceno. O sitio arqueológico considerado mais antigo
no país é a caverna de Laang Spean, em Battambang, e pertence ao período Hoabinhian. Escavações nas camadas mais profundas indicam
uma ocupação de 6000 a.C. Nas
camadas mais superficiais do mesmo sítio, existem evidências de transição para
o Neolítico,
contendo dados das primeiras cerâmicas cambojanas.
Dados
arqueológicos para o período entre o Holoceno e a Idade do Ferro são
muito escassas. Outros sítios pré-históricos famosos na região são o Samrong
Sen (não muito longe da antiga capital Oudong), onde as escavações na região iniciaram
em 1877 e Phum
Snay, na província do norte de Banteay Meanchey.
Artefatos pré-históricos também foram encontrados em Ratanakiri durante uma mineração.
A
evidência pré-histórica que chama mais atenção, provavelmente são os canais
circulares (possivelmente canais de drenagem ou de irrigação) descobertos
em Memot e nas adjacências do Vietname nos anos
1950. Sua função ainda não está clara, mas as datas mostram que sua construção
pode ter sido em 2000 a.C..
Um
grande acontecimento na pré-história cambojana é a lenta introdução do cultivo
de arroz na região norte do país, que se iniciou em torno de 3000 a.C..
Os povos que disseminaram essa cultura do arroz provavelmente falavam um língua mon-khmer. O ferro começou a ser trabalhado em torno de 500 a.C. Grande
parte das evidências arqueológicas que revelam a pré-história e história antiga
no Camboja vem do Planalto de Khorat, que atualmente é parte do território da Tailândia.11 No
atual território do país, foram encontrados alguns assentamentos da Idade do Ferro em
torno dos templos Angkorianos, comoBaksei
Chamkrong, e alguns canais circulares -
como Lovea - localizados a nordeste de Angkor. Sepultamentos, muito ricos, atestam para a
existência de fartura de alimentos e comércio (mesmo a longa distância: em 400
a.C. já existia comércio com a Índia), a existência de estruturas sociais e trabalho
organizado na sociedade da época.
História antiga
O
Reino de Funan dominava grande parte do atual território cambojano,
concentrando-se em torno do delta do rio Mekong. As poucas informações acerca
do antigo reino é proveniente de textos históricos chineses, que basearam-se
nos relatos de dois diplomatas do Reino de Wu Nanking que, juntos, peregrinaram
por Funan em meados do século III.
Entretanto, o nome "Funan" não é mencionado nos textos de origem
cambojana, acreditando-se que estes tenham dado um outro nome ao antigo reino.
Alguns
estudiosos atuais têm especulado a origem e o significado da palavra
"Funan". Costuma-se dizer que o nome representa uma transcrição de
algum idioma local para o chinês. O historiador francês Georges
Coedes apresentou a teoria de
que, ao usar a palavra Funan, antigos estudiosos chineses transcreveram uma
palavra relacionada a "Vnam" (em khmer, significando
"montanha"). No entanto, o epigrafista Claude Jacques ressaltou
que essa explicação foi baseada em uma tradução da palavra sânscrita "parvatabùpála",
nas inscrições antigas, equivalente a uma identificação do rei Bhavavarman, visto como o conquistador de Funan.Também
observa-se que o caractere chinês 南
é freqüentemente usado em termos geográficos, podendo significar "do
Sul", o que leva a acreditar, também que os chineses usaram a palavra no
sentido de nomear outros locais ou regiões do sudeste da Ásia. Assim sendo,
Funan pode ser uma palavra originalmente chinesa que significa algo como
"pacificada do Sul".
Assim
como a origem do nome do reino, a natureza etno-linguística do povo é objeto de
muita discussão entre os especialistas. As principais hipóteses são de que os
funaneses eram em sua maioria Mon-Khmer, ou que eles eram em sua maioria Austronésios, ou que eles constituíam uma sociedade multi-étnica. De acordo com
Michael Vickery, a evidência disponível não é conclusiva sobre esta questão.
Embora a identificação da língua de Funan não seja possível, as evidências
sugerem fortemente que a população era Khmer. Os resultados arqueológicos
demonstraram "uma verdadeira descontinuidade entre os pré-níveis
angkorianos", indicando uma dominação linguística na área sob o controle
de Funan.
Com
base nos testemunhos dos historiadores chineses, acredita-se que o Reino de
Funan tenha se estabelecido no primeiro século d.C,
no delta do rio Mekong, embora pesquisas arqueológicas mostrem que a extensa
ocupação humana na região tenha sido datada até o século IV a.C. Embora
considerado por autores chineses como uma única organização política unificada,
alguns estudiosos modernos suspeitam de que Funan pode ter sido uma coleção de
cidades-estados que, por vezes, guerrearam entre si e em outros momentos
constituíam uma unidade política, como foi sugerido pelo historiador
vietnamita Hà Văn Tấn. Escavações em Angkor Borei, no sul do
Camboja, também deixa evidências de que Funan era uma sociedade complexa e
sofisticada, com alta densidade populacional, tecnologia avançada - possuindo
um porto na costa litorânea entre o Vietname e Camboja - e abastecido por um
sistema de canais.
Na
suposição de que Funan possuía uma única política unificada, os estudiosos avançaram
vários argumentos lingüísticos sobre a localização de sua "capital".
Uma teoria, baseada na conexão presumida entre a palavra "Funan" e a
palavra Khmer "Phnom", sugere a capital do reino nas proximidades de
Ba Phnoṃ, na província dePrey Veng. Outra
teoria, proposta por George Coedes, é que a capital era uma cidade identificada
em inscrições angkorian como "Vyādhapura".28 Coedes
baseou sua teoria em uma passagem nas histórias chinesas que identificam a
capital como " Temu" (特
牧, pinyin: temu), atribuindo este nome a uma
transcrição da palavra Khmer "dalmāk", que ele traduziu como
"caça". Esta teoria foi rejeitada por outros estudiosos,
alegando que "dalmāk" significa "caçador", e não
"caça". Embora haja discordãncia, os historiadores e estudiosos
afirmam que a provável capital (ou capitais) do Reino de Funan estava localizada
no sul do Camboja.
Império Khmer
Durante
os séculos III, IV e V, os estados indianizados de Funan e Chenla se
uniram e tiveram domínio sobre o atual Camboja e sudoeste do
Vietname. Esses estados são encarados por muitos estudiosos por serem
parte do Khmer. O domínio substituiu o budismo mahayana pelo hinduísmo,
no quesito religioso, que permaneceu como religião oficial durante toda a
dominação de Funan e Chenla. Durante mais de 2.000 anos, o Camboja, assim
como Myanmar,
foi influenciado pela Índia e pela China, fazendo com que sua influência fosse para fora
de seu atual território reduzido e passando esse conhecimento e cultura para
outras civilizações do sudeste asiático, que correspondem hoje ao leste da
Tailândia, sudoeste do Vietname e o Laos. Em torno do século XIII,
o budismo teravada foi reintroduzido no país por monges do Sri
Lanka, que eram vistos como os
homens mais respeitáveis dentros das comunidades e vilas que surgiam em torno
dos templos. Isso resultou no crescimento e predominância do budismo teravada e
a perca de influência do hinduísmo e budismo mahayana.
A
partir desse período, o Império Khmer começou a declinar, mas manteve-se no
poder até o século XV.
O centro do poder do império estava em Angkor, onde uma série de capitais foram construídas
durante o auge do império. Calcula-se que somente o templo de Tah Prohm, um dos
construídos pelo rei Suryavarman II, foi servido por mais de 12 mil cortesãos,
entre sacerdotes, dançarinas e engenheiros em seu auge, além dos exércitos do
Império, ou das legiões de agricultores que cultivavam o arroz. Ao longo de sua
história, o Império Khmer travou batalhas contra os Chams (do sul do Vietname), bem como contra
diferentes povos tailandeses. Angkor poderia ter suportado uma população
de até 1 milhão de habitantes à época, podendo ter sido a maior cidade do mundo
até aRevolução Industrial, tendo em vista que Londres possuía população de
aproximadamente 30 000 habitantes. Angkor Wat,
o mais famoso e preservado templo religioso desse período, é um resquício de um
passado cambojano com um grande e influente poder regional. O templo é
hoje um dos maiores do gênero religioso no mundo, cuja construção se
iniciou em 1140.
Trabalhos
arqueológicos revelam que, ainda no śeculo XIII, o sistema de água que
favorecia Angkor estava sob forte tensão. Em meados de Década de 1200,
uma enchente destruiu parte das obras de terraplanagem do West Baray.
Os engenheiros angkorianos, ao invés de reparar a violação, apenas retiraram os
escombros de pedra que foram usados em outros projetos, danificando o sistema
de irrigação. Após cerca de um século, Angkor enfrentou dois ciclos de
décadas de secas extremas, presumivelmente entre 1362-1392 e 1415-1440. Neste período, a capital já havia perdido
grande parte do controle de seu império, deixando-o vulnerável aos constantes
ataques dos tailandeses.
O período foi marcado por longas séries de guerras contra os reinos vizinhos.
Angkor foi invadida e saqueada abruptamente pelos tailandeses por volta
de 1430 e
em 1431 foi
abandonada pelo império khmer, devido a quebra de sua infraestrutura e
desastres ecológicos.
A
corte moveu a capital para Lovek, uma aglomeração mais ao sul, próxima da atual
capital do país, Phnom Pehn. Em Lovek, o reino passou a usufruir do comércio
marítimo, devido a região estar localizada mais próxima da costeira e estar
geograficamente próxima ao lago Tonle Sap. Apesar da mudança da capital do
império, os monges budistas continuaram a adorar no templo de Angkor Wat,
embora os demais templos e edifícios do complexo de Angkor tenham sido
abandonados e dominados pela vegetação local. As constantes guerras do império
contra os tailandeses e vietnamitas se mantiveram, resultando na perda de mais
território e na conquista de Lovek em 1594. Nos próximos três séculos seguintes, o reino
Khmer alternou entre ser um estado vassalo dos tailandeses e vietnamitas e curtos
períodos de relativa independência dos mesmos.
Indochina Francesa
Em 1863, o rei Norodom, que havia sido colocado no poder pela Tailândia, pediu
a proteção da França contra
os tailandeses e vietnamitas, após a tensão entre esses reinados ter crescido.
Em 1867,
o rei tailandês assinou um tratado com a França renunciando sua suzerania sobre
o Camboja, em troca do controle das províncias de Battambang e Siem
Reap, que passaram a pertencer
oficialmente à Tailândia. Essas províncias voltaram a fazer parte do Camboja
após um tratado entre a França e a Tailândia, em 1906.
O
Camboja continuou como protetorado da
França de 1863 a 1953, sendo administrado como parte da colônia
da Indochina Francesa, menos durante a ocupação do Império Japonês de 1941 a 1945. Após a morte do rei Norodom, em 1904, a França influenciou na escolha de quem
deveria suceder o trono, e Sisowath, irmão de Norodom, foi colocado no trono
cambojano. O trono ficou vago novamente em 1941 com a morte de Monivong, filho de Sisowath, e a França ignorou o
herdeiro legítimo, Monireth, filho de Monivong, por acreditar que ele
possuía ideais de independência. Ao invés disso, Norodom Sihanouk,
à época com 18 anos, foi colocado no poder.
Independência
A
França acreditava que também poderia influenciar nas ações e iniciativas do rei
Norodom Sihanouk. Todavia, em 9 de novembro de 1953, sob seu reinado, o Camboja declarou a
independência da França. Foi após a Segunda
Guerra Mundial que o forte sentimento
nacionalista, liderado pelo recém surgido Partido Popular Revolucionário do
Kampuchea (KPRP/PPRK), sob os auspícios do Vietname, levou a França a conceder
a independência cambojana. Quando a Indochina Francesa concedeu a independência, o Camboja perdeu oficialmente o Delta do Mekong,
que passou para a soberania vietnamita. Na prática, a área já vinha sendo controlada
pelo Vietname desde 1698,
quando o rei Chey
Chettha II permitiu que o país
vizinho construísse assentamentos na área, que cada vez mais se tornava
densamente populosa. Ainda sob o reinado de Sihanouk, o país
tornou-se uma monarquia
constitucional.
Pós-independência e Guerra do Vietnã
Norodom Sihanouk,
cujo partido vence todas as eleições para a Assembleia Nacional, de 1955 a 1966, governa com amplo poder, mas enfrenta uma
forte oposição de esquerda. A partir de 1964, com o surgimento do Khmer Vermelho,
treinados em técnicas de combate como Wayshia, o Khmer Vermelho, passa a se
deparar com uma violenta rebelião comunista, que atinge o seu auge nos anos 1967/68. Em 1970, enquanto Sihanouk viajava por Moscou e Pequim, seu primeiro-ministro, o Marechal Lon Nol, dá um golpe de Estado e, a 18 de março,
a Assembleia Nacional vota por unanimidade a deposição do governante ausente.
A 17 de abril de 1975, as forças do Khmer Vermelho entram na
capital, Phnom Penh,
quase sem resistência, marcando o fim da administração Lon Nol. O breve, mas
sangrento, regime de Pol Pote
dos Khmer Vermelho terminou em 1978 com a intervenção do Vietnã que instalou
um regime "amigo". Os Khmers Vermelhos continuaram a luta armada
contra o regime até aos anos 1990 do século XX, quando o Camboja, sob a égide
da ONU iniciou
um processo de democratização.
Após
a independência, o país foi renomeado por várias vezes: Reino do Camboja,
durante o governo de Reachia
Niyum (1953-1970); República
Khmer, sob o regime deLon Nol (1970-1975); Kampuchea Democrático, sob o Regime genocida
de Pol Pot (1975-1979); República Popular de Kampuchea entre 1979
e 1989;
Estado do Camboja entre 1989 e 1993; e novamente Reino do Camboja, de 1993 até o
momento, desde a restauração da monarquia no país.
Ecologia
O
Camboja é um dos países de maior biodiversidade no sudeste da Ásia. Suas
florestas servem como hábitat de muitas espécies ameaçadas, algumas das quais
já desapareceram em outros países vizinhos. O crocodilo-siamês, elefante-asiático e o tigre sobrevivem
em refúgios florestais exuberantes, espalhados por todo o país. Aves, incluindo faisões e patos-selvagens,
além de mamíferos, bois-selvagens, panteras e ursos são abundantes em todo o país. Peixes, espécies de cobras e insetos também estão presentes em
abundância. São encontradas, ainda, uma grande variedade de plantas e
outros animais. Existem 212 espécies de mamíferos,
536 espécies de aves, 240 espécies de répteis, 850 espécies de peixes de água doce e 435
espécies de peixes marinhos. Grande parte dessa biodiversidade está
contida no lago Tonle Sap e em sua biosfera circundante. A Reserva
da biosfera de Tonle Sap engloba
o lago de mesmo nome e abrange nove províncias: Kampong Thom, Siem Reap,
Battambang, Pursat, Kampong Chhnang, Banteay Meanchey, Pailin, Oddar Meanchey e
Preah Vihear. Em 1997, a reserva foi categorizada como uma Reserva da biosfera pela UNESCO.50 Outros
importantes ecossistemas incluem as florestas secas nas províncias de Mondul Kiri e Ratanakiri, as Montanhas Cardamom, os Parques Nacionais Bokor e Botum-Sakor, o Phnum Aoral -
ponto mais elevado no país - e o santuário Phnom Samkos.
O World Wide
Fund for Nature reconhece seis ecorregiões distintas
terrestres no Camboja - as Montanhas Cardamom, a Floresta seca Central da
Indochina, a Floresta do Sudeste da Indochina, as Montanhas Annamites e
floresta tropical sul, o Pântano de Tonle Sap e a Floresta de Tonle Sap-Mekong.
O
país passou por uma das maiores taxas de desmatamento do mundo. Entre 1969 e 2007, a desflorestação da selva do Camboja
caiu de 70% para apenas 3,1%. No total, o Camboja perdeu 25.000 km² de
floresta entre 1990 e 2005, sendo que destes, 3.340 km² era mata virgem. Em
2007, havia menos de 3.220 km² de florestas virgens no país, apresentando a
ameaça à sustentabilidade ambiental do Camboja.
Religião
O Budismo é a religião oficial do Camboja, que é
praticado por mais de 96,4% da população do país. A tradição budista Teravada é generalizada e forte em todas as
províncias, com cerca de 4.392 templos do mosteiro em todo o país. A
grande maioria dos étnicos Khmers são budistas, e há associações entre o
budismo, tradições culturais, e a vida cotidiana. A adesão ao budismo é
geralmente considerada intrínseca à identidade étnica e cultural do
país. Durante o período de ditadura do Khmer Vermelho, na década de 1970,
a religião no Camboja, principalmente o Budismo, foi duramente reprimido, tendo
experimentado um renascimento após o fim da ditadura.
O Islamismo é a religião de grande parte das minorias
religiosas que vivem no Camboja. A maioria dos muçulmanos são sunitas. Os muçulmanos representam 2,1% do total da
população religiosa no país.
Aproximadamente
1 % dos cambojanos identificam-se como cristãos, tais que os católicos formam o maior grupo entre os cristãos,
seguido pelos protestantes. Há atualmente 20.000 católicos no Camboja, o que
representa 0,15% da população total do país. Outras denominações cristãs com
presença no país incluem osBatistas, Metodistas, Testemunhas de Jeová e Mórmons.
Símbolos nacionais
A bandeira do Camboja foi adotada oficialmente em 23 de setembro de 1993, após o restabelecimento da monarquia no país. A bandeira possui três listras horizontais,
tendo a central (de cor vermelha) o dobro da largura das outras duas faixas (de
cor azul). No meio da faixa vermelha está representada a entrada do templo deAngkor Wat.
O Brasão de
armas cambojano é o símbolo da
monarquia cambojana. Têm existido, de alguma forma estreita, um retratamento
desde o estabelecimento do Reino do Camboja, independente em 1953. É o símbolo que está patente no Estandarte
Real do monarca reinante do Camboja, Norodom Sihamoni (ascendeu
em 2004).
"Nokoreach" ("O Reino") é o hino
nacional do país. Com letra
de Chuon Nat, foi adotado em 1941 e confirmado em 1947.
Todavia, foi só em 1976 que passou a vigorar, quando o Khmer Vermelho se
retirou.
Economia
A
economia do Camboja baseia-se principalmente na agricultura,
sendo o arroz seu
produto agrícolar elementar. Além deste, destacam-se também o cultivo do café, cana-de-açúcar, chá, borracha epimenta-do-reino. É
um país com
pouca industrialização, e baixa renda per capita.
Seu principal produto agrícola e de quase todos os países do sudeste asiático é o arroz.
O cultivo do arroz é praticado em vales fluviais de forma intensa, com
elevada produtividade.
É
a chamada agricultura
de jardinagem, com intenso uso de mão-de-obra e
aproveitamento do solo.
Entre 1980 e 1990, a economia do Camboja cresceu 5% ao ano. Foram
taxas anuais de crescimento da economia superiores a média mundial, baseadas em
investimentos estrangeiros. Mas a partir da segunda metade de 1990, esses investimentos
começaram a escassear (eles foram para outras partes do globo), e essas taxas
diminuiram.
Transportes
Educação
O Ministério
da Educação, Juventude e Desporto do
Camboja é responsável por estabelecer políticas e diretrizes para a educação
nacional no país. O sistema de ensino cambojano é fortemente descentralizado,
com três níveis de administração: Central, provincial e distrital -
responsáveis pela sua gestão. A constituição do Camboja promulga escolaridade
obrigatória gratuita durante nove anos, garantindo o direito universal à
educação básica de qualidade.
O
censo de 2008 mostra que a taxa
de literacia da população cambojana foi de 77,6%, sendo que os homens são mais alfabetizados que as mulheres (85,1% e
70,9% respectivamente). Homens com idade entre 15 e 24 anos possuem uma
taxa de alfabetização de 89%, enquanto 86% das mulheres na mesma faixa etária
era alfabetizada.
O
sistema de educação no Camboja continua a enfrentar muitos desafios. Nos
últimos anos tem havido melhorias significativas, especialmente em termos de
ganhos de escolarização primária líquida, implementação de programas baseados
em orçamento, e o desenvolvimento de um quadro político que ajuda crianças
desfavorecidas a ter acesso à educação. Tradicionalmente, a educação no Camboja
foi oferecida pelos wats (templos budistas), proporcionando, assim, educação
exclusivamente para a população masculina. Durante o regime do Khmer Vermelho,
a educação sofreu reveses significativos.
Atualmente,
2,6% do produto interno bruto cambojano é destinado para a educação, fazendo do
país a 153ª nação em investimento na área educacional no mundo. Há 10
instituições de ensino superior de caráter público no país e outras 29
instituições de ensino superior privadas.
Cultura
Vários
fatores contribuíram para a formação da cultura cambojana, incluindo o Budismo
teravada, a colonização francesa, a era Angkor e a globalização moderna. OMinistério da Cultura e Belas Artes é responsável pela promoção e
desenvolvimento da cultura cambojana. A cultura do reino inclui não só os
costumes da maioria étnica, Khmer, mas também os costumes das cerca de 20 tribos
culturalmente distintas, reconhecidas pelo termo Khmer Leu, cunhado
por Norodom Sihanouk, usado para significar a unidade entre população
cambojana, nas suas mais variadas representações.
A
população rural do Camboja culturalmente usa um lenço chamado krama,
que é um aspecto único de vestuário no Camboja. Há diversos estilos distintos
de dança, arquitetura e escultura, que foram influenciados e compartilhados
historicamente com o Laos e Tailândia. Angkor Wat (Angkor
significa "cidade" e Wat "templo") é o exemplo mais bem
preservado da arquitetura cambojana do período Angkoriano, que detém ainda,
centenas de outros templos dentro e ao redor da região.
Bonn Om
Teuk, o "Festival de barcos
de corrida", é um dos festivais culturais da nação. Consiste na competição
anual na corrida com barcos a remos, sendo o festival do Camboja mais visitado.
É realizado no final da estação das chuvas, quando o rio Mekong começa a perder
o nível de água. Cerca de 10% da população participa neste evento, que presta
homenagem à lua,
e fogos de artifício são lançados durante a realização do evento, como parte da
tradição cultural.
Uma
vez que a maioria da população é budista, o Camboja segue o calendário
clássico indiano. O Ano Novo Cambojano é um
feriado importante no país e cai no mês de abril.
Tratando
da culinária cambojana, assim como em outros países da região, arroz e pescado são os ingredientes principais na
gastronomia do reino. A cozinha cambojana é composta por frutas tropicais,
sopas e ensopados. Além do arroz e pescado, outros ingredientes muito usados na
culinária do país são alho, limão, molho de peixe, soja, caril e outras
especiarias.
A
música tradicional do Camboja tem uma longa tradição, que remonta ao Império
Kmerskata. Danças reais, como o Apsara, são ícones da cultura cambojana. Outra
dança popular é a Kamodzha romvongot.
Artesanato
O
artesanato cambojano inclui arte têxtil, murais de templos e decoração em
madeira, bem como cestas, máscaras e criação de jóias. Além destes,
a tecelagem de seda, a ourivesaria, esculturas em pedra, esculturas em madeira,
laca, cerâmica também estão presentes, muitas destas praticadas desde os tempos
antigos. A tradição da arte moderna começou no Camboja em meados do século XX.
A cena contemporânea das artes visuais no Camboja sofreu uma escalada
artística.
A
tecelagem de seda no Camboja tem uma longa história. A prática remonta aos
primeiros séculos da história do país, quando os têxteis eram usados no
comércio. A produção têxtil moderna habilmente imita estes antecedentes históricos
e produzem detalhes de roupas em antigas esculturas de pedra. Na maior parte
das jóias fabricadas, são usados frutos e formas inspirados em Angkor. Assim
como a tecelagem de seda, a tradição das esculturas de pedra surgiu nos
primeiros anos de formação do país, com a construção do Complexo
de Angkor. Nas esculturas modernas,
ainda estão sendo usados os estilos tradicionais.
Arquitetura e Belas Artes
A
arquitetura do Camboja foi preservada através das ruínas dos templos do
complexo de Angkor Wat e
esculturas de pedra representando deuses hindus, os monumentos arquitetônicos
mais importantes do período do Império Khmer. As primeiras obras
arquitetônicas (Preah Ko e Bakong) foram construídas pelo rei indravarman
I (877-889), na então capital do
reino, Hariharalayaan. Seu sucessor, Indravarmanin, mudou a capital
para Angkor. O famoso e brilhante templo, Angkor, no entanto, foi concluído no reinado de Suryavarman II,
entre 1113 e 1150. Ele foi sucedido por Jayavarman VII,
que construiu uma nova capital em Angkor
Thomiin, no centro de um enorme
templo budista, Bayonin. Outros exemplos da arquitetura do país foram
surgindo ao longo dos anos, entre estes o Ramayana eMahabharata.
No
período colonial, a França teve um grande impacto sobre a arquitetura e as
artes visuais. 80 Em Phnom Penh,
foram construídos cerca de 1800 canais, avenidas e edifícios de estilo europeu,
, como o Art’s Deco e o mercado coberto Phsar Thom Thmei . Após a
independência, nos anos 1950, as artes visuais e a arquitetura começaram a
sofrer mistura dos costumes do reino khmer e do colonialismo francês, e são
aproveitados para criar uma nova identidade nacional. 82 Nos
últimos anos, a paisagem urbana mudou a um ritmo acelerado, muitas vezes sem
planejamento ordenado.
Culinária
A
culinária cambojana combina as características das culinárias tailandesa,
vietnamita e chinesa, mas também recebeu grande influência da culinária
francesa, devido a colonização. O alimento principal é o arroz, que comumente é
utilizado três vezes por dia nas refeições. Na cozinha do país, as principais
fontes de proteína são peixes e outras criaturas marinhas que são adquiridas,
além do pescado no mar, através da criação no Lago Tonle
Sap. Além disso, a carne (bovina,
suína e de frango) também é muito usada. Hortaliças e frutas são consumidas em
abundância e a gordura corporal é muito baixa no país.
A influência francesa na culinária do Camboja
pode ser verificada no red curry, um baguette torrado cambojano.
O red curry é comido com arroz e vermicelli de arroz com
macarrão. Provavelmente, o prato mais popular no jantar cambojano é o kuy
teav, uma sopa de massa de arroz feita num caldo baseado em carne de porco evegetais, temperada com camarão seco e vários condimentos e servida com camarão fresco
cozido. A culinária do país ainda é desconhecida da maior parte do mundo,
comparada com a de seus vizinhos, Tailândia e Vietname.
Os
Cambojanos aperfeiçoaram a arte de misturar especiarias usando muitos
ingredientes como cravo-da-índia, canela, anis estrelado, noz-moscada, cardamomo,gengibre e açafrão.
Eles acrescentam outros ingredientes nativos como galanga, alho, cebolinha, erva-cidreira, coentro e limão
kaffir a estes temperos, para
fazer uma mistura de especiarias bastante distinta e complexa, conhecido como
"kroeung".
Há
dois outros ingredientes únicos muito usados na culinária cambojana. Um deles é
uma pasta de peixe fermentada, conhecido como pra-hok, e o outro, o
Kapi, é uma pasta de camarão fermentada. Estes dois ingredientes exigem um
gosto adquirido pelo tempo, e usados na maioria dos molhos que acompanham
outros pratos típicos do país. Coletivamente, esses ingredientes têm se tornado
uma importante combinação aromática comumente usados na culinária do Camboja.
Desporto
O
Camboja participa dos Jogos
Olímpicos de Verão desde 1964, geralmente
com menos de 10 membros por equipe. O país nunca recebeu
medalhas. A Seleção
Cambojana de Futebol nunca
participou de Copas do Mundo FIFA, embora tenha participado de todas as fases eliminatórias. Esta foi
fundada em 1933,
e filiou-se àFederação
Internacional de Futebol (FIFA)
no ano da independência do país, em 1953. De acordo com o ranking da FIFA, a seleção do país é a 42ª melhor seleção
da Ásiae
a 188ª melhor seleção do mundo, estando no mesmo patamar que as seleções
de Brunei e Mongólia.
Várias artes marciais são
populares no país. O Bokator,
também chamado de Labokkatao, é a arte marcial cambojana de maior expressão, e
possivelmente o mais antigo sistema de luta do Camboja, com cerca de 1000 anos.
Existem diversas semelhanças entre este tipo de luta com o Muay Boran,
da Tailândia, onde é identicamente dedicada a elaborada utilização de técnicas
com uso eficaz de cotovelos e joelhos, de pernas com pontapés laterais, onde
diferenças mínimas do antigo Muay Boran são percetíveis. Os atletas utilizam
ainda os uniformes dos
antigos exércitos Khmer. A Krama (lenço) é aplicado na cintura e cordas de ceda azuis e vermelhas, chamadas desangvar
day são colocadas em torno da cabeça dos lutadores e biceps (Idêntica
tradição do Muay Thai que
utiliza as prajied e Mongkon). Antigamente era
referido que as cordas têm o poder de aumentar a força do atleta, contudo hoje
em dia são utilizadas somente como perpetuação desta tradição. O bokator é
erroneamente descrito como uma variante o Kickboxing moderno. Muitas das técnicas empregues
neste estilo de luta, são baseadas em formas de ataque de diversos animais.
Além
do Bokator, o Pradal Serey é também muito popular no Camboja. Caracteriza-se como um estilo
de luta desarmada, originalmente utilizado com profunda ênfase para a defesa
militar, empregado especificamente nos campos de batalha. Estas duas artes
marciais milenares são consideradas um desporto nacional do Camboja.
Além
destas duas artes marciais, há uma forte aceitação
do Kickboxing.








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