sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

CAMBOJA



Uma história rica

Camboja ou Cambodja, oficialmente Reino do Camboja (em khmer:
រាជាណាចក្រកម្ពុជា transl. Preăh Réachéanachâkr Kâmpŭchea), oficialmente Reino do Camboja, é um país localizado na porção sul da Península da Indochina, no Sudeste Asiático. Sua área territorial é de 181 035 km², fazendo deste o 88.º maior do mundo em área. Faz fronteira com a Tailândia a noroeste, o Laos a nordeste, o Vietname a leste e o Golfo da Tailândia na porção sudoeste.
Com uma população estimada em pouco mais de 15 milhões de habitantes, o Camboja é o 68º país mais populoso do mundo e tem o budismo como religião oficial, praticado por cerca de 95% da população cambojana. Os grupos minoritários do país incluem vietnamitaschineses, chams e outras 30 tribos. A capital e maior cidade do país é Phnom Penh, o centro políticoeconômico e cultural do Camboja. O reino é uma monarquia constitucional, tendo Norodom Sihamoni como representante. O
monarca é escolhido pelo Conselho do Trono Real e recebe o status de chefe de Estado. O chefe de governo é Hun Sen, que atualmente é o líder maior no sudeste da Ásia e governa o Camboja há mais de 25 anos.
O antigo nome do Camboja é "Kambuja" (em sânscrito: कंबुज). No ano de 802, Jayavarman II declarou-se rei marcando o início do Império Khmer, que floresceu por mais de 600 anos, permitindo que reis sucessivos dominassem grande parte do sudeste da Ásia. O reino permitiu a construção de templos monumentais, como Angkor Wat, e facilitou a propagação do hinduísmo e budismo por grande parte desta região. Após a queda de Angkorpara Ayutthaya, no século XV, o Camboja foi governado como um vassalo entre seus vizinhos, Tailândia e Vietname, até que foi colonizado pelosfranceses em meados do século XIX. A independência do Camboja só ocorreu em 1953.
Guerra do Vietnã estendeu-se ao Camboja, dando origem ao Khmer Vermelho, que tomou a capital, Phnom Penh, em 1975. O Camboja ressurgiu vários anos mais tarde dentro de uma esfera de influência socialista, como a República Popular de Kampuchea, que durou até o início dos anos 90. Depois de anos de isolamento, a nação devastada pela guerra se reuniu sob a monarquia, em 1993, e tem visto um rápido progresso nas áreas de recursos humanos e econômicos, além da reconstrução de décadas de guerra civil. O Camboja tem tido um dos melhores desenvolvimentos econômicos na Ásia, com crescimento médio de 6% nos últimos 10 anos. A agricultura, construção civil, vestuário e turismo atraíram investimentos estrangeiros e estimularam o comércio internacional. Em 2005, foram encontrados petróleo e gás natural nas águas territoriais do Camboja, e a exploração comercial desses recursos se iniciou em 2013, afetando positivamente a economia cambojana.
Etimologia
O nome oficial do país em português é Reino do Camboja, traduzido do khmer Preăh Réachéanachâk Kampuchea, muitas vezes abreviado apenas para Kampuchea (em khmer: កម្ពុជា). Kampuchea deriva da palavra sânscrita Kambuja. Popularmente, os cambojanos na maioria das vezes referem-se a seu país como "A Terra dos Khmers" (escrito em khmer da seguinte forma: ស្រុកខ្មែរ) ou usando a expressão mais formal "O país do Camboja" (em khmer: ប្រទេសកម្ពុជា). Em Língua inglesa, a forma "Cambodia" é derivada de "Cambodge" ou "Kamboj", a transcrição sânscrito de "Kampuchea"
História
Pré-história

Pouco se sabe sobre a pré-história no território do Camboja. As esparsas evidências para a ocupação humana durante o Pleistoceno são algumas ferramentas feitas a partir de quartzo e quartzito, encontrados ao longo dos terraços do rio Mekong nas províncias de Stung TrengKratié e Kampot, mas não há datas para essa ocupação até o momento.
Outras evidências arqueológicas mostram comunidades de caçadores-coletores habitando a região do atual Camboja durante o Holoceno. O sitio arqueológico considerado mais antigo no país é a caverna de Laang Spean, em Battambang, e pertence ao período Hoabinhian. Escavações nas camadas mais profundas indicam uma ocupação de 6000 a.C. Nas camadas mais superficiais do mesmo sítio, existem evidências de transição para o Neolítico, contendo dados das primeiras cerâmicas cambojanas.

Dados arqueológicos para o período entre o Holoceno e a Idade do Ferro são muito escassas. Outros sítios pré-históricos famosos na região são o Samrong Sen (não muito longe da antiga capital Oudong), onde as escavações na região iniciaram em 1877 e Phum Snay, na província do norte de Banteay Meanchey. Artefatos pré-históricos também foram encontrados em Ratanakiri durante uma mineração.
A evidência pré-histórica que chama mais atenção, provavelmente são os canais circulares (possivelmente canais de drenagem ou de irrigação) descobertos em Memot e nas adjacências do Vietname nos anos 1950. Sua função ainda não está clara, mas as datas mostram que sua construção pode ter sido em 2000 a.C..
Um grande acontecimento na pré-história cambojana é a lenta introdução do cultivo de arroz na região norte do país, que se iniciou em torno de 3000 a.C.. Os povos que disseminaram essa cultura do arroz provavelmente falavam um língua mon-khmer. O ferro começou a ser trabalhado em torno de 500 a.C. Grande parte das evidências arqueológicas que revelam a pré-história e história antiga no Camboja vem do Planalto de Khorat, que atualmente é parte do território da Tailândia.11 No atual território do país, foram encontrados alguns assentamentos da Idade do Ferro em torno dos templos Angkorianos, comoBaksei Chamkrong, e alguns canais circulares - como Lovea - localizados a nordeste de Angkor. Sepultamentos, muito ricos, atestam para a existência de fartura de alimentos e comércio (mesmo a longa distância: em 400 a.C. já existia comércio com a Índia), a existência de estruturas sociais e trabalho organizado na sociedade da época.
História antiga
Reino de Funan
O Reino de Funan dominava grande parte do atual território cambojano, concentrando-se em torno do delta do rio Mekong. As poucas informações acerca do antigo reino é proveniente de textos históricos chineses, que basearam-se nos relatos de dois diplomatas do Reino de Wu Nanking que, juntos, peregrinaram por Funan em meados do século III. Entretanto, o nome "Funan" não é mencionado nos textos de origem cambojana, acreditando-se que estes tenham dado um outro nome ao antigo reino.

Alguns estudiosos atuais têm especulado a origem e o significado da palavra "Funan". Costuma-se dizer que o nome representa uma transcrição de algum idioma local para o chinês. O historiador francês Georges Coedes apresentou a teoria de que, ao usar a palavra Funan, antigos estudiosos chineses transcreveram uma palavra relacionada a "Vnam" (em khmer, significando "montanha"). No entanto, o epigrafista Claude Jacques ressaltou que essa explicação foi baseada em uma tradução da palavra sânscrita "parvatabùpála", nas inscrições antigas, equivalente a uma identificação do rei Bhavavarman, visto como o conquistador de Funan.Também observa-se que o caractere chinês é freqüentemente usado em termos geográficos, podendo significar "do Sul", o que leva a acreditar, também que os chineses usaram a palavra no sentido de nomear outros locais ou regiões do sudeste da Ásia. Assim sendo, Funan pode ser uma palavra originalmente chinesa que significa algo como "pacificada do Sul".

Assim como a origem do nome do reino, a natureza etno-linguística do povo é objeto de muita discussão entre os especialistas. As principais hipóteses são de que os funaneses eram em sua maioria Mon-Khmer, ou que eles eram em sua maioria Austronésios, ou que eles constituíam uma sociedade multi-étnica. De acordo com Michael Vickery, a evidência disponível não é conclusiva sobre esta questão. Embora a identificação da língua de Funan não seja possível, as evidências sugerem fortemente que a população era Khmer. Os resultados arqueológicos demonstraram "uma verdadeira descontinuidade entre os pré-níveis angkorianos", indicando uma dominação linguística na área sob o controle de Funan.
Com base nos testemunhos dos historiadores chineses, acredita-se que o Reino de Funan tenha se estabelecido no primeiro século d.C, no delta do rio Mekong, embora pesquisas arqueológicas mostrem que a extensa ocupação humana na região tenha sido datada até o século IV a.C. Embora considerado por autores chineses como uma única organização política unificada, alguns estudiosos modernos suspeitam de que Funan pode ter sido uma coleção de cidades-estados que, por vezes, guerrearam entre si e em outros momentos constituíam uma unidade política, como foi sugerido pelo historiador vietnamita Hà Văn Tấn. Escavações em Angkor Borei, no sul do Camboja, também deixa evidências de que Funan era uma sociedade complexa e sofisticada, com alta densidade populacional, tecnologia avançada - possuindo um porto na costa litorânea entre o Vietname e Camboja - e abastecido por um sistema de canais.
Na suposição de que Funan possuía uma única política unificada, os estudiosos avançaram vários argumentos lingüísticos sobre a localização de sua "capital". Uma teoria, baseada na conexão presumida entre a palavra "Funan" e a palavra Khmer "Phnom", sugere a capital do reino nas proximidades de Ba Phnoṃ, na província dePrey Veng. Outra teoria, proposta por George Coedes, é que a capital era uma cidade identificada em inscrições angkorian como "Vyādhapura".28 Coedes baseou sua teoria em uma passagem nas histórias chinesas que identificam a capital como " Temu" ( , pinyin: temu), atribuindo este nome a uma transcrição da palavra Khmer "dalmāk", que ele traduziu como "caça". Esta teoria foi rejeitada por outros estudiosos, alegando que "dalmāk" significa "caçador", e não "caça". Embora haja discordãncia, os historiadores e estudiosos afirmam que a provável capital (ou capitais) do Reino de Funan estava localizada no sul do Camboja.
Império Khmer

Durante os séculos III, IV e V, os estados indianizados de Funan e Chenla se uniram e tiveram domínio sobre o atual Camboja e sudoeste do Vietname. Esses estados são encarados por muitos estudiosos por serem parte do Khmer. O domínio substituiu o budismo mahayana pelo hinduísmo, no quesito religioso, que permaneceu como religião oficial durante toda a dominação de Funan e Chenla. Durante mais de 2.000 anos, o Camboja, assim como Myanmar, foi influenciado pela Índia e pela China, fazendo com que sua influência fosse para fora de seu atual território reduzido e passando esse conhecimento e cultura para outras civilizações do sudeste asiático, que correspondem hoje ao leste da Tailândia, sudoeste do Vietname e o Laos. Em torno do século XIII, o budismo teravada foi reintroduzido no país por monges do Sri Lanka, que eram vistos como os homens mais respeitáveis dentros das comunidades e vilas que surgiam em torno dos templos. Isso resultou no crescimento e predominância do budismo teravada e a perca de influência do hinduísmo e budismo mahayana.

A partir desse período, o Império Khmer começou a declinar, mas manteve-se no poder até o século XV. O centro do poder do império estava em Angkor, onde uma série de capitais foram construídas durante o auge do império. Calcula-se que somente o templo de Tah Prohm, um dos construídos pelo rei Suryavarman II, foi servido por mais de 12 mil cortesãos, entre sacerdotes, dançarinas e engenheiros em seu auge, além dos exércitos do Império, ou das legiões de agricultores que cultivavam o arroz. Ao longo de sua história, o Império Khmer travou batalhas contra os Chams (do sul do Vietname), bem como contra diferentes povos tailandeses. Angkor poderia ter suportado uma população de até 1 milhão de habitantes à época, podendo ter sido a maior cidade do mundo até aRevolução Industrial, tendo em vista que Londres possuía população de aproximadamente 30 000 habitantes. Angkor Wat, o mais famoso e preservado templo religioso desse período, é um resquício de um passado cambojano com um grande e influente poder regional. O templo é hoje um dos maiores do gênero religioso no mundo, cuja construção se iniciou em 1140.
Trabalhos arqueológicos revelam que, ainda no śeculo XIII, o sistema de água que favorecia Angkor estava sob forte tensão. Em meados de Década de 1200, uma enchente destruiu parte das obras de terraplanagem do West Baray. Os engenheiros angkorianos, ao invés de reparar a violação, apenas retiraram os escombros de pedra que foram usados em outros projetos, danificando o sistema de irrigação. Após cerca de um século, Angkor enfrentou dois ciclos de décadas de secas extremas, presumivelmente entre 1362-1392 e 1415-1440. Neste período, a capital já havia perdido grande parte do controle de seu império, deixando-o vulnerável aos constantes ataques dos tailandeses. O período foi marcado por longas séries de guerras contra os reinos vizinhos. Angkor foi invadida e saqueada abruptamente pelos tailandeses por volta de 1430 e em 1431 foi abandonada pelo império khmer, devido a quebra de sua infraestrutura e desastres ecológicos.
A corte moveu a capital para Lovek, uma aglomeração mais ao sul, próxima da atual capital do país, Phnom Pehn. Em Lovek, o reino passou a usufruir do comércio marítimo, devido a região estar localizada mais próxima da costeira e estar geograficamente próxima ao lago Tonle Sap. Apesar da mudança da capital do império, os monges budistas continuaram a adorar no templo de Angkor Wat, embora os demais templos e edifícios do complexo de Angkor tenham sido abandonados e dominados pela vegetação local. As constantes guerras do império contra os tailandeses e vietnamitas se mantiveram, resultando na perda de mais território e na conquista de Lovek em 1594. Nos próximos três séculos seguintes, o reino Khmer alternou entre ser um estado vassalo dos tailandeses e vietnamitas e curtos períodos de relativa independência dos mesmos.

Indochina Francesa

Em 1863, o rei Norodom, que havia sido colocado no poder pela Tailândia, pediu a proteção da França contra os tailandeses e vietnamitas, após a tensão entre esses reinados ter crescido. Em 1867, o rei tailandês assinou um tratado com a França renunciando sua suzerania sobre o Camboja, em troca do controle das províncias de Battambang e Siem Reap, que passaram a pertencer oficialmente à Tailândia. Essas províncias voltaram a fazer parte do Camboja após um tratado entre a França e a Tailândia, em 1906.
O Camboja continuou como protetorado da França de 1863 a 1953, sendo administrado como parte da colônia da Indochina Francesa, menos durante a ocupação do Império Japonês de 1941 a 1945. Após a morte do rei Norodom, em 1904, a França influenciou na escolha de quem deveria suceder o trono, e Sisowath, irmão de Norodom, foi colocado no trono cambojano. O trono ficou vago novamente em 1941 com a morte de Monivong, filho de Sisowath, e a França ignorou o herdeiro legítimo, Monireth, filho de Monivong, por acreditar que ele possuía ideais de independência. Ao invés disso, Norodom Sihanouk, à época com 18 anos, foi colocado no poder.
Independência
A França acreditava que também poderia influenciar nas ações e iniciativas do rei Norodom Sihanouk. Todavia, em 9 de novembro de 1953, sob seu reinado, o Camboja declarou a independência da França. Foi após a Segunda Guerra Mundial que o forte sentimento nacionalista, liderado pelo recém surgido Partido Popular Revolucionário do Kampuchea (KPRP/PPRK), sob os auspícios do Vietname, levou a França a conceder a independência cambojana. Quando a Indochina Francesa concedeu a independência, o Camboja perdeu oficialmente o Delta do Mekong, que passou para a soberania vietnamita. Na prática, a área já vinha sendo controlada pelo Vietname desde 1698, quando o rei Chey Chettha II permitiu que o país vizinho construísse assentamentos na área, que cada vez mais se tornava densamente populosa. Ainda sob o reinado de Sihanouk, o país tornou-se uma monarquia constitucional.
Pós-independência e Guerra do Vietnã
Norodom Sihanouk, cujo partido vence todas as eleições para a Assembleia Nacional, de 1955 a 1966, governa com amplo poder, mas enfrenta uma forte oposição de esquerda. A partir de 1964, com o surgimento do Khmer Vermelho, treinados em técnicas de combate como Wayshia, o Khmer Vermelho, passa a se deparar com uma violenta rebelião comunista, que atinge o seu auge nos anos 1967/68. Em 1970, enquanto Sihanouk viajava por Moscou e Pequim, seu primeiro-ministro, o Marechal Lon Nol, dá um golpe de Estado e, a 18 de março, a Assembleia Nacional vota por unanimidade a deposição do governante ausente. A 17 de abril de 1975, as forças do Khmer Vermelho entram na capital, Phnom Penh, quase sem resistência, marcando o fim da administração Lon Nol. O breve, mas sangrento, regime de Pol Pote dos Khmer Vermelho terminou em 1978 com a intervenção do Vietnã que instalou um regime "amigo". Os Khmers Vermelhos continuaram a luta armada contra o regime até aos anos 1990 do século XX, quando o Camboja, sob a égide da ONU iniciou um processo de democratização.
Após a independência, o país foi renomeado por várias vezes: Reino do Camboja, durante o governo de Reachia Niyum (1953-1970); República Khmer, sob o regime deLon Nol (1970-1975); Kampuchea Democrático, sob o Regime genocida de Pol Pot (1975-1979); República Popular de Kampuchea entre 1979 e 1989; Estado do Camboja entre 1989 e 1993; e novamente Reino do Camboja, de 1993 até o momento, desde a restauração da monarquia no país. 
Ecologia

O Camboja é um dos países de maior biodiversidade no sudeste da Ásia. Suas florestas servem como hábitat de muitas espécies ameaçadas, algumas das quais já desapareceram em outros países vizinhos. O crocodilo-siamêselefante-asiático e o tigre sobrevivem em refúgios florestais exuberantes, espalhados por todo o país. Aves, incluindo faisões e patos-selvagens, além de mamíferosbois-selvagenspanteras e ursos são abundantes em todo o país. Peixes, espécies de cobras e insetos também estão presentes em abundância. São encontradas, ainda, uma grande variedade de plantas e outros animais. Existem 212 espécies de mamíferos, 536 espécies de aves, 240 espécies de répteis, 850 espécies de peixes de água doce e 435 espécies de peixes marinhos. Grande parte dessa biodiversidade está contida no lago Tonle Sap e em sua biosfera circundante. A Reserva da biosfera de Tonle Sap engloba o lago de mesmo nome e abrange nove províncias: Kampong Thom, Siem Reap, Battambang, Pursat, Kampong Chhnang, Banteay Meanchey, Pailin, Oddar Meanchey e Preah Vihear. Em 1997, a reserva foi categorizada como uma Reserva da biosfera pela UNESCO.50 Outros importantes ecossistemas incluem as florestas secas nas províncias de Mondul Kiri e Ratanakiri, as Montanhas Cardamom, os Parques Nacionais Bokor e Botum-Sakor, o Phnum Aoral - ponto mais elevado no país - e o santuário Phnom Samkos.
World Wide Fund for Nature reconhece seis ecorregiões distintas terrestres no Camboja - as Montanhas Cardamom, a Floresta seca Central da Indochina, a Floresta do Sudeste da Indochina, as Montanhas Annamites e floresta tropical sul, o Pântano de Tonle Sap e a Floresta de Tonle Sap-Mekong.
O país passou por uma das maiores taxas de desmatamento do mundo. Entre 1969 e 2007, a desflorestação da selva do Camboja caiu de 70% para apenas 3,1%. No total, o Camboja perdeu 25.000 km² de floresta entre 1990 e 2005, sendo que destes, 3.340 km² era mata virgem. Em 2007, havia menos de 3.220 km² de florestas virgens no país, apresentando a ameaça à sustentabilidade ambiental do Camboja.
Religião

Budismo é a religião oficial do Camboja, que é praticado por mais de 96,4% da população do país. A tradição budista Teravada é generalizada e forte em todas as províncias, com cerca de 4.392 templos do mosteiro em todo o país. A grande maioria dos étnicos Khmers são budistas, e há associações entre o budismo, tradições culturais, e a vida cotidiana. A adesão ao budismo é geralmente considerada intrínseca à identidade étnica e cultural do país. Durante o período de ditadura do Khmer Vermelho, na década de 1970, a religião no Camboja, principalmente o Budismo, foi duramente reprimido, tendo experimentado um renascimento após o fim da ditadura.
Islamismo é a religião de grande parte das minorias religiosas que vivem no Camboja. A maioria dos muçulmanos são sunitas. Os muçulmanos representam 2,1% do total da população religiosa no país.
Aproximadamente 1 % dos cambojanos identificam-se como cristãos, tais que os católicos formam o maior grupo entre os cristãos, seguido pelos protestantes. Há atualmente 20.000 católicos no Camboja, o que representa 0,15% da população total do país. Outras denominações cristãs com presença no país incluem osBatistasMetodistasTestemunhas de Jeová e Mórmons.
Símbolos nacionais
bandeira do Camboja foi adotada oficialmente em 23 de setembro de 1993, após o restabelecimento da monarquia no país. A bandeira possui três listras horizontais, tendo a central (de cor vermelha) o dobro da largura das outras duas faixas (de cor azul). No meio da faixa vermelha está representada a entrada do templo deAngkor Wat.
Brasão de armas cambojano é o símbolo da monarquia cambojana. Têm existido, de alguma forma estreita, um retratamento desde o estabelecimento do Reino do Camboja, independente em 1953. É o símbolo que está patente no Estandarte Real do monarca reinante do Camboja, Norodom Sihamoni (ascendeu em 2004).
"Nokoreach" ("O Reino") é o hino nacional do país. Com letra de Chuon Nat, foi adotado em 1941 e confirmado em 1947. Todavia, foi só em 1976 que passou a vigorar, quando o Khmer Vermelho se retirou.
Economia
A economia do Camboja baseia-se principalmente na agricultura, sendo o arroz seu produto agrícolar elementar. Além deste, destacam-se também o cultivo do cafécana-de-açúcarcháborracha epimenta-do-reino. É um país com pouca industrialização, e baixa renda per capita. Seu principal produto agrícola e de quase todos os países do sudeste asiático é o arroz. O cultivo do arroz é praticado em vales fluviais de forma intensa, com elevada produtividade.
É a chamada agricultura de jardinagem, com intenso uso de mão-de-obra e aproveitamento do solo.
Entre 1980 e 1990, a economia do Camboja cresceu 5% ao ano. Foram taxas anuais de crescimento da economia superiores a média mundial, baseadas em investimentos estrangeiros. Mas a partir da segunda metade de 1990, esses investimentos começaram a escassear (eles foram para outras partes do globo), e essas taxas diminuiram.
Transportes


Educação
Ministério da Educação, Juventude e Desporto do Camboja é responsável por estabelecer políticas e diretrizes para a educação nacional no país. O sistema de ensino cambojano é fortemente descentralizado, com três níveis de administração: Central, provincial e distrital - responsáveis ​​pela sua gestão. A constituição do Camboja promulga escolaridade obrigatória gratuita durante nove anos, garantindo o direito universal à educação básica de qualidade.
O censo de 2008 mostra que a taxa de literacia da população cambojana foi de 77,6%, sendo que os homens são mais alfabetizados que as mulheres (85,1% e 70,9% respectivamente). Homens com idade entre 15 e 24 anos possuem uma taxa de alfabetização de 89%, enquanto 86% das mulheres na mesma faixa etária era alfabetizada.
O sistema de educação no Camboja continua a enfrentar muitos desafios. Nos últimos anos tem havido melhorias significativas, especialmente em termos de ganhos de escolarização primária líquida, implementação de programas baseados em orçamento, e o desenvolvimento de um quadro político que ajuda crianças desfavorecidas a ter acesso à educação. Tradicionalmente, a educação no Camboja foi oferecida pelos wats (templos budistas), proporcionando, assim, educação exclusivamente para a população masculina. Durante o regime do Khmer Vermelho, a educação sofreu reveses significativos.
Atualmente, 2,6% do produto interno bruto cambojano é destinado para a educação, fazendo do país a 153ª nação em investimento na área educacional no mundo. Há 10 instituições de ensino superior de caráter público no país e outras 29 instituições de ensino superior privadas.
Cultura

Vários fatores contribuíram para a formação da cultura cambojana, incluindo o Budismo teravada, a colonização francesa, a era Angkor e a globalização moderna. OMinistério da Cultura e Belas Artes é responsável pela promoção e desenvolvimento da cultura cambojana. A cultura do reino inclui não só os costumes da maioria étnica, Khmer, mas também os costumes das cerca de 20 tribos culturalmente distintas, reconhecidas pelo termo Khmer Leu, cunhado por Norodom Sihanouk, usado para significar a unidade entre população cambojana, nas suas mais variadas representações.
A população rural do Camboja culturalmente usa um lenço chamado krama, que é um aspecto único de vestuário no Camboja. Há diversos estilos distintos de dança, arquitetura e escultura, que foram influenciados e compartilhados historicamente com o Laos e Tailândia. Angkor Wat (Angkor significa "cidade" e Wat "templo") é o exemplo mais bem preservado da arquitetura cambojana do período Angkoriano, que detém ainda, centenas de outros templos dentro e ao redor da região.

Bonn Om Teuk, o "Festival de barcos de corrida", é um dos festivais culturais da nação. Consiste na competição anual na corrida com barcos a remos, sendo o festival do Camboja mais visitado. É realizado no final da estação das chuvas, quando o rio Mekong começa a perder o nível de água. Cerca de 10% da população participa neste evento, que presta homenagem à lua, e fogos de artifício são lançados durante a realização do evento, como parte da tradição cultural.
Uma vez que a maioria da população é budista, o Camboja segue o calendário clássico indiano. O Ano Novo Cambojano é um feriado importante no país e cai no mês de abril.
Tratando da culinária cambojana, assim como em outros países da região, arroz e pescado são os ingredientes principais na gastronomia do reino. A cozinha cambojana é composta por frutas tropicais, sopas e ensopados. Além do arroz e pescado, outros ingredientes muito usados na culinária do país são alholimão, molho de peixe, soja, caril e outras especiarias.
A música tradicional do Camboja tem uma longa tradição, que remonta ao Império Kmerskata. Danças reais, como o Apsara, são ícones da cultura cambojana. Outra dança popular é a Kamodzha romvongot.
Artesanato
O artesanato cambojano inclui arte têxtil, murais de templos e decoração em madeira, bem como cestas, máscaras e criação de jóias.  Além destes, a tecelagem de seda, a ourivesaria, esculturas em pedra, esculturas em madeira, laca, cerâmica também estão presentes, muitas destas praticadas desde os tempos antigos. A tradição da arte moderna começou no Camboja em meados do século XX. A cena contemporânea das artes visuais no Camboja sofreu uma escalada artística.
A tecelagem de seda no Camboja tem uma longa história. A prática remonta aos primeiros séculos da história do país, quando os têxteis eram usados no comércio. A produção têxtil moderna habilmente imita estes antecedentes históricos e produzem detalhes de roupas em antigas esculturas de pedra. Na maior parte das jóias fabricadas, são usados frutos e formas inspirados em Angkor. Assim como a tecelagem de seda, a tradição das esculturas de pedra surgiu nos primeiros anos de formação do país, com a construção do Complexo de Angkor. Nas esculturas modernas, ainda estão sendo usados os estilos tradicionais.
Arquitetura e Belas Artes
A arquitetura do Camboja foi preservada através das ruínas dos templos do complexo de Angkor Wat e esculturas de pedra representando deuses hindus, os monumentos arquitetônicos mais importantes do período do Império Khmer.  As primeiras obras arquitetônicas (Preah Ko e Bakong) foram construídas pelo rei indravarman I (877-889), na então capital do reino, Hariharalayaan. Seu sucessor, Indravarmanin, mudou a capital para Angkor. O famoso e brilhante templo, Angkor, no entanto, foi concluído no reinado de Suryavarman II, entre 1113 e 1150. Ele foi sucedido por Jayavarman VII, que construiu uma nova capital em Angkor Thomiin, no centro de um enorme templo budista, Bayonin. Outros exemplos da arquitetura do país foram surgindo ao longo dos anos, entre estes o Ramayana eMahabharata

No período colonial, a França teve um grande impacto sobre a arquitetura e as artes visuais. 80 Em Phnom Penh, foram construídos cerca de 1800 canais, avenidas e edifícios de estilo europeu, , como o Art’s Deco e o mercado coberto Phsar Thom Thmei . Após a independência, nos anos 1950, as artes visuais e a arquitetura começaram a sofrer mistura dos costumes do reino khmer e do colonialismo francês, e são aproveitados para criar uma nova identidade nacional. 82 Nos últimos anos, a paisagem urbana mudou a um ritmo acelerado, muitas vezes sem planejamento ordenado.
Culinária

A culinária cambojana combina as características das culinárias tailandesa, vietnamita e chinesa, mas também recebeu grande influência da culinária francesa, devido a colonização. O alimento principal é o arroz, que comumente é utilizado três vezes por dia nas refeições. Na cozinha do país, as principais fontes de proteína são peixes e outras criaturas marinhas que são adquiridas, além do pescado no mar, através da criação no Lago Tonle Sap. Além disso, a carne (bovina, suína e de frango) também é muito usada. Hortaliças e frutas são consumidas em abundância e a gordura corporal é muito baixa no país.
 A influência francesa na culinária do Camboja pode ser verificada no red curry, um baguette torrado cambojano. O red curry é comido com arroz e vermicelli de arroz com macarrão. Provavelmente, o prato mais popular no jantar cambojano é o kuy teav, uma sopa de massa de arroz feita num caldo baseado em carne de porco evegetais, temperada com camarão seco e vários condimentos e servida com camarão fresco cozido. A culinária do país ainda é desconhecida da maior parte do mundo, comparada com a de seus vizinhos, Tailândia e Vietname.
Os Cambojanos aperfeiçoaram a arte de misturar especiarias usando muitos ingredientes como cravo-da-índiacanelaanis estreladonoz-moscadacardamomo,gengibre e açafrão. Eles acrescentam outros ingredientes nativos como galangaalhocebolinhaerva-cidreiracoentro e limão kaffir a estes temperos, para fazer uma mistura de especiarias bastante distinta e complexa, conhecido como "kroeung".
Há dois outros ingredientes únicos muito usados na culinária cambojana. Um deles é uma pasta de peixe fermentada, conhecido como pra-hok, e o outro, o Kapi, é uma pasta de camarão fermentada. Estes dois ingredientes exigem um gosto adquirido pelo tempo, e usados na maioria dos molhos que acompanham outros pratos típicos do país. Coletivamente, esses ingredientes têm se tornado uma importante combinação aromática comumente usados na culinária do Camboja.
Desporto
 
O Camboja participa dos Jogos Olímpicos de Verão desde 1964, geralmente com menos de 10 membros por equipe. O país nunca recebeu medalhas. A Seleção Cambojana de Futebol nunca participou de Copas do Mundo FIFA, embora tenha participado de todas as fases eliminatórias. Esta foi fundada em 1933, e filiou-se àFederação Internacional de Futebol (FIFA) no ano da independência do país, em 1953. De acordo com o ranking da FIFA, a seleção do país é a 42ª melhor seleção da Ásiae a 188ª melhor seleção do mundo, estando no mesmo patamar que as seleções de Brunei e Mongólia.
Várias artes marciais são populares no país. O Bokator, também chamado de Labokkatao, é a arte marcial cambojana de maior expressão, e possivelmente o mais antigo sistema de luta do Camboja, com cerca de 1000 anos. Existem diversas semelhanças entre este tipo de luta com o Muay Boran, da Tailândia, onde é identicamente dedicada a elaborada utilização de técnicas com uso eficaz de cotovelos e joelhos, de pernas com pontapés laterais, onde diferenças mínimas do antigo Muay Boran são percetíveis. Os atletas utilizam ainda os uniformes dos antigos exércitos Khmer. A Krama (lenço) é aplicado na cintura e cordas de ceda azuis e vermelhas, chamadas desangvar day são colocadas em torno da cabeça dos lutadores e biceps (Idêntica tradição do Muay Thai que utiliza as prajied e Mongkon). Antigamente era referido que as cordas têm o poder de aumentar a força do atleta, contudo hoje em dia são utilizadas somente como perpetuação desta tradição. O bokator é erroneamente descrito como uma variante o Kickboxing moderno. Muitas das técnicas empregues neste estilo de luta, são baseadas em formas de ataque de diversos animais.
Além do Bokator, o Pradal Serey é também muito popular no Camboja. Caracteriza-se como um estilo de luta desarmada, originalmente utilizado com profunda ênfase para a defesa militar, empregado especificamente nos campos de batalha. Estas duas artes marciais milenares são consideradas um desporto nacional do Camboja.
Além destas duas artes marciais, há uma forte aceitação do Kickboxing.

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