Cid
Teixeira
Solares da Bahia
Construções Civis séculos XVI a XVIII
Construções Civis séculos XVI a XVIII
Século XVI
Do Século XVI não há testemunhos, na Bahia do século XVI em matéria de construção civil que não seja religiosa. Nós temos a igreja de Nossa Senhora das Neves na Ilha de Maré, temos a igreja do Montserrat, temos a igreja de Nossa Senhora da Escada e eu fico procurando uma parede perdida dentro do mosteiro de São Bento, outra coisa assim para significar a cidade de Salvador no Século XVI.
Do Século XVI não há testemunhos, na Bahia do século XVI em matéria de construção civil que não seja religiosa. Nós temos a igreja de Nossa Senhora das Neves na Ilha de Maré, temos a igreja do Montserrat, temos a igreja de Nossa Senhora da Escada e eu fico procurando uma parede perdida dentro do mosteiro de São Bento, outra coisa assim para significar a cidade de Salvador no Século XVI.
Uma cidade de taipa, uma cidade coberta de sapê, uma cidade onde os telheiros, isto é, os fazedores de telhas, só chegaram de Portugal muito depois; não deixou muitos documentos, não deixou muita reminiscência objetiva capaz de marcar a sua presença.
Para vocês terem uma idéia, a igreja da Ilha de Maré não tem telhado por falta de quem fizesse telha, toda a nave da igreja de Nossa Senhora das Neves da Ilha de Maré é uma abobada de berço e é o extradorso da abobada onde mais tarde, no século XVIII, foram cravadas telhas para evitar a infiltração. Não há o telhado como nós imaginamos agora, quanto mais a parede de tijolo. Cozinhar tijolo é negócio do século XVII em diante.
Portanto, do século XVI, meu amigos, nós temos a memória recriada, temos a memória retrabalhada, não há, infelizmente, documentos de como se morou, como foi a residência, como foi a casa no século XVI, como morou Pereira Coutinho, como morou Caramuru, tudo isso fica por conta da imaginação, não há nenhum testemunho dessa altura prá nos falar da construção civil no século XVI.
Século XVII
No século XVII começa a haver, mas começa a haver de maneira muito
curiosa. Quem vai fazer a construção civil do século XVII como testemunho é a
construção religiosa. Eu leio aqui uma quantidade bastante razoável de nomes
que ainda estão aí até hoje, vindos do século XVII, todos eles de função religiosa.
Convento do Carmo, que é de 1556; a fundação do primeiro convento de São
Francisco, de 1687; o colégio dos Jesuítas na sua feição primitiva; existem
alguns sobreviventes ali, onde hoje é o Museu de Antropologia, vocês podem ver
as escavações que foram feitas; tudo isso é do século XVII.
No século XVIII, então, nós começamos a morar na Bahia, nós começamos a ter casas na Bahia. O Caminho do Conselho deixa de ser uma estrada para começar a ser um arruamento, a mesma coisa com referência aos bairros de Santo Antônio Além do Carmo, o Largo de Santo Antônio, a Rua do Baluarte, a Rua dos Perdões, a Rua de São José de baixo, a Rua de São José de Cima, Ladeira da Soledade, Largo da Lapinha, começam a se povoar – nós estamos no século XVII – povoar de casas pequenas, casas, como se dizia bem na época e a expressão ficou presente até hoje, casa de porta e janela, é uma expressão que, corrente, ainda hoje se usa com menor frequência, mas inda é existente, casa de porta e janela.
Mas o que me traz aqui é exemplificar com vocês alguns documentos arquitetônicos, alguma coisa que assinale, hoje ainda, a presença do século XVII na arquitetura baiana.
Antes de falar no prédio tal, no solar qual, etc., eu gostaria de gastar umas palavrinhas aqui sobre a organização do trabalho e a prática profissional naquela altura.
Éramos uma cidade de cinquenta mil habitantes, se tanto, cinquenta mil habitantes é o cálculo mais otimista feito por alguns historiadores. Eu estou no começo do século XVII, na primeira metade do século XVII.
E essa gente fez coisas, que vou arrolar aqui algumas prá vocês.
Havia mão de obra disponível, havia mão de obra capaz de entregar a Ordem Terceira do Carmo, a Ordem Terceira de São Francisco, a construção da primeira igreja, a construção da igreja da Graça atual, a edificação da igreja do Loreto, lá, do outro lado da Bahia de Todos os Santos, a construção da Santa Casa da Misericórdia em 1650, a construção da igreja da Palma também em 1650. Havia mão de obra disponível na cidade, em matéria de pedreiros e canteiros e oleiros de um modo geral, para manter viva a construção nessa cidade. Éramos, na verdade, um basto canteiro de obras servido por um porto, está que era a cidade de Salvador naquela altura.
Havia mão de obra disponível, havia mão de obra capaz de entregar a Ordem Terceira do Carmo, a Ordem Terceira de São Francisco, a construção da primeira igreja, a construção da igreja da Graça atual, a edificação da igreja do Loreto, lá, do outro lado da Bahia de Todos os Santos, a construção da Santa Casa da Misericórdia em 1650, a construção da igreja da Palma também em 1650. Havia mão de obra disponível na cidade, em matéria de pedreiros e canteiros e oleiros de um modo geral, para manter viva a construção nessa cidade. Éramos, na verdade, um basto canteiro de obras servido por um porto, está que era a cidade de Salvador naquela altura.
Nesse mesmo momento, no começo do século XVII, nós começamos a ter algumas construções residenciais que estão até hoje e podem servir de índice para a construção. A casa que hoje é tida como casa de Gregório de Matos.
Há umas lendas que se cristalizam na história da Bahia, que por mais que a gente se esforce para acabar com elas, elas se encastoaram de tal maneira. Duas casas na Bahia são vítimas dessas lendas, a casa de Gregório de Matos e a casa do Conde dos Arcos.
Não há notícia, não há nada, não há nenhum documento que nos diga que aquela casa foi de Gregório de Matos. Todos conhecem a casa, ela está no Cruzeiro de São Francisco com um brasão de armas na porta, em pedra lioz trabalhada. O brasão é de Pedro Camelo de Aragão Vieira, nada a ver com Gregório de Matos. Esse Pedro Camelo de Aragão Vieira foi ouvidor do crime, fez para morar esta casa, a casa existe, lá está ela desde 1626, será talvez a mais antiga moradia do século XVII existente na Bahia, existente na cidade de Salvador.
Depois, em 1790 já se inicia o Solar do Ferrão, mas voltaremos ao Solar do Ferrão.
Em 1691, o Solar do Berquó.
Excluídos os que trabalham no IPHAN, com todo respeito pelo auditório, são poucos os que identificam onde está o Solar do Berquó, aqui, na cidade de Salvador; casa curiosíssima ainda hoje, para os senhores arquitetos trabalharem sobre a sua planta.
O Solar do Berquó, quem sabe aqui onde é o Solar do Berquó?
Aquela casa que hoje é o IPHAN e que durante muitos e muitos e muitos anos, na geração em que vocês eram todos alunos de ginásio, funcionou o colégio São Salvador. Aquele Solar do Berquó, ele é do século XVII, é das mais antigas edificações que estão aqui e, até hoje é um enigma para os estudos de história da arquitetura.
Meu querido amigo, meu saudoso e querido amigo Diógenes Rebouças morreu crente que aquilo começou sendo um fortim e que mais tarde evoluiu para uma unidade residencial.
Como quer que seja; não é uma casa de fácil identificação.
Eu, como disse, trouxe minhas pescas hoje, todas elas, porque eu estou cheio de datas e de nomes hoje e não me arrisquei a vir falar aqui, sem estar munido do material informativo com respeito aos nomes e às datas de tudo quanto trouxe aqui para ser objeto de cuidados.
Este Solar do Berquó, ele está na meia encosta, metade dele tem acesso pelo alto da ladeira da Rua da Lama, metade pela parte baixa.
Encostado na ladeira da Rua da Lama; serve ainda hoje de sede do IPHAN, já foi colégio e lá morreu o general Felisberto Gomes Caldeira, num momento curiosíssimo da história; foram pendê-lo e ele disse pro cidadão que foi prendê-lo, “um general não se prende, mata-se”; o cidadão aí, matou.
Excluídos os que trabalham no IPHAN, com todo respeito pelo auditório, são poucos os que identificam onde está o Solar do Berquó, aqui, na cidade de Salvador; casa curiosíssima ainda hoje, para os senhores arquitetos trabalharem sobre a sua planta.
O Solar do Berquó, quem sabe aqui onde é o Solar do Berquó?
Aquela casa que hoje é o IPHAN e que durante muitos e muitos e muitos anos, na geração em que vocês eram todos alunos de ginásio, funcionou o colégio São Salvador. Aquele Solar do Berquó, ele é do século XVII, é das mais antigas edificações que estão aqui e, até hoje é um enigma para os estudos de história da arquitetura.
Meu querido amigo, meu saudoso e querido amigo Diógenes Rebouças morreu crente que aquilo começou sendo um fortim e que mais tarde evoluiu para uma unidade residencial.
Como quer que seja; não é uma casa de fácil identificação.
Eu, como disse, trouxe minhas pescas hoje, todas elas, porque eu estou cheio de datas e de nomes hoje e não me arrisquei a vir falar aqui, sem estar munido do material informativo com respeito aos nomes e às datas de tudo quanto trouxe aqui para ser objeto de cuidados.
Este Solar do Berquó, ele está na meia encosta, metade dele tem acesso pelo alto da ladeira da Rua da Lama, metade pela parte baixa.
Encostado na ladeira da Rua da Lama; serve ainda hoje de sede do IPHAN, já foi colégio e lá morreu o general Felisberto Gomes Caldeira, num momento curiosíssimo da história; foram pendê-lo e ele disse pro cidadão que foi prendê-lo, “um general não se prende, mata-se”; o cidadão aí, matou.
Lá foi o quartel general de Madeira de Melo durante as brigas de 1822 e 1823.
Rua da Lama, a história é a seguinte: o rio das Tripas, como vocês sabem, nasce – não nascia, não – nasce na parte baixa do mosteiro de São Bento, nasce onde hoje é o terminal de ônibus, só que ele agora está domado, direitinho, enclausurado em uma calha, não tem o risco de inundar.
Das inundações do rio das Tripas resultava a Rua da Lama, que era todo aquele espaço que hoje é ocupado pela Barroquinha; vai do fundo da igreja da Barroquinha até aproximadamente o começo da atual Rua da Barroquinha, toda aquela baixa ali, era um basto lamaçal; ali foi que resolveu-se edificar o Solar do Berquó. Está entendido onde é?
Esse Solar tem uma vida curta, mas curiosamente, ele é dos mais significativos, vida curta em termos históricos, mas dos mais significativos do ponto de vista arquitetônico. Eu recomendaria aos que estão interessados no estudo da arquitetura do ponto de vista estritamente construtivo, que vão prestar atenção. Eu tenho a planta, se alguém tiver interesse.
A planta do Solar do Berquó levantada recentemente pelo grupo do professor Palormino Davi de Azevedo. Vocês poderão encontrar lá toda a divisória do imóvel que hoje é ocupado pelo IPHAN.
Depois do Solar do Berquó, o mais antigo que nós dispomos, esse com uma longa e rica história, é o Solar do Ferrão. O Solar do Ferrão que mudou de nome.
Foi construído por José Sotero Maciel de Sá Barreto, Sotero Maciel de Sá Barreto.
A prefeitura de vez em quando, quando não tem o quê fazer, muda o nome das ruas, mas ainda hoje, todos sabem onde fica a Rua do Maciel de Baixo, a Rua do Maciel de Cima. As Hortas do Maciel perderam seu nome para a Rua das Flores, lá em baixo, lá, onde está o cinema Jandaia, aquele alargamento, o quintal descia até ali.
Nessa Rua do Ferrão, ou melhor, nesse Solar do Ferrão que se chamou Solar do Maciel, está, como vocês poderão ver, o segundo mais antigo Solar do século XVII ainda, que é o Solar do Maciel.
José Sotero Maciel de Sá Barreto comprou o terreno, construiu para morar. Era um homem do comércio, não era um homem do açúcar, é bom lembrar. Só há na Bahia um solar, em Salvador, de homem do açúcar que é o Solar Ferreira Bandeira, do qual falaremos adiante.
Então, este José Sotero Maciel de Sá Barreto, edifica o Solar do Maciel. Depois do Solar do Maciel, ele transfere o solar para os jesuítas, os jesuítas fazem lá o seu seminário. Com a saída dos jesuítas, o solar é rematado em hasta pública por Joaquim Inácio Ferrão de Aragão; então, o solar ganha o nome de Solar do Ferrão, inclusive com a ladeira ao lado, que passou a ser Ladeira do Ferrão.
É este solar que mais tarde, bem mais tarde, é adquirido pelo Liceu de Artes e Ofícios que lá instala sua sede até; perdoem; não é o Liceu de Artes e Ofícios, pelo Centro Operário da Bahia; pelo Centro Operário que lá instala sua sede e inclusive, uma coisa curiosíssima, instalam uma mesquita para oração dos Malês, para a oração dos islâmicos, escravos islâmicos na Bahia. Ali funcionou uma mesquita de Alcorão e tudo. Portanto, este é o Solar do Ferrão.
Eu estou indo por ordem cronológica.
Depois do Solar do Ferrão, o Solar do Saldanha.
O Solar do Saldanha tem a má sorte ou a boa sorte do Solar do Maciel e
não permanece com o seu nome.
Quem olhar, com cuidado, a porta nobre do Solar do Saldanha, aquela porta toda talhada em pedra, esculpida pelo mestre Gabriel Ribeiro, vai ver que há uma placa de mármore escrito “Liceu de Artes e Ofícios – 1877”; aquilo foi a inconsciência dos homens que raspou o brasão de armas que havia ali para colocar aquela placa de mármore. Mas raspou mal raspado, ficou um paquife.
Quem olhar, com cuidado, a porta nobre do Solar do Saldanha, aquela porta toda talhada em pedra, esculpida pelo mestre Gabriel Ribeiro, vai ver que há uma placa de mármore escrito “Liceu de Artes e Ofícios – 1877”; aquilo foi a inconsciência dos homens que raspou o brasão de armas que havia ali para colocar aquela placa de mármore. Mas raspou mal raspado, ficou um paquife.
Sabem o que é um paquife?
Paquife é aquela figura heráldica que aparece sobre o escudo; há o
escudo e dentro do escudo, escolhe-se a figura mais marcante e reimprime-se ou
retrabalha-se. Lá está uma caldeira, um braço humano segurando uma caldeira;
porque o solar foi construído por um homem chamado Antônio Caldeira Pimentel.
Antônio Caldeira Pimentel fez para morar.
Sucessivos casamentos, entretanto, fizeram com que o solar passasse a propriedade de João Saldanha da Gama de Melo e Torres; e de Solar do Caldeira para Solar do Saldanha, o caminho foi o caminho do feliz genro que herdou o solar e o nome e passo a ser Solar do Saldanha. Esse Solar do Saldanha também teve vida vivida; ele foi realmente a grande casa, concorrente da Casa da Torre, em matéria de latifúndios rurais, foi a Casa da Ponte, que era dali a Casa da Ponte. A Casa da Ponte de Portugal, que veio com esse nome prá cá. O Conde da Ponte foi quem trouxe o nome para o Brasil. Casa da Ponte que estava sediada no Solar do Saldanha.
Sucessivos casamentos, entretanto, fizeram com que o solar passasse a propriedade de João Saldanha da Gama de Melo e Torres; e de Solar do Caldeira para Solar do Saldanha, o caminho foi o caminho do feliz genro que herdou o solar e o nome e passo a ser Solar do Saldanha. Esse Solar do Saldanha também teve vida vivida; ele foi realmente a grande casa, concorrente da Casa da Torre, em matéria de latifúndios rurais, foi a Casa da Ponte, que era dali a Casa da Ponte. A Casa da Ponte de Portugal, que veio com esse nome prá cá. O Conde da Ponte foi quem trouxe o nome para o Brasil. Casa da Ponte que estava sediada no Solar do Saldanha.
Este Solar do Saldanha que começa a ser do século XVIII, esse Solar do
Saldanha vai ser finalmente, bem mais tarde, Liceu de Artes e Ofícios, foi
consumido por um incêndio, restaurado recentemente, cumpre o seu papel social
naquela área que ele está.
Em seguida, eu gostaria de chamar a atenção para um solar que não é tido
por solar, mas é um solar, o Solar do Arcebispo, o
Arcebispado da Praça da Sé. Também com brasão de armas, observem
na porta principal, que há uma pedra mármore, pedra lioz, aliás, lavrada com
três trombetas, trombetas de caça, por que foi mandado construir por Dom
Sebastião Monteiro da Vide, Monteiro da Vide.
Um monteiro. Sabe o que é um monteiro?
Monteiro é quem guarda a caça pro rei matar, deixa o veadinho manso lá e
tal pro rei dar o tiro, isso é que é um monteiro, é quem prepara a caça para os
nobres e fazem a festa da caça tocando aquelas trombetas.
Quando se procurou um símbolo heráldico para o sobrenome Monteiro, foram as três trombetas que serviram de signo e elas estão lá, no Solar do Arcebispo, no Arcebispado.
Observem vocês, quando passarem por lá, que há um testemunho da igreja da Sé, é único que sobrevive até hoje no local, da existência da igreja da Sé. Havia um passadiço ligando o Solar do Arcebispo à igreja da Sé.
Quem olhar hoje a sequência de janelas que está na fachada lateral do Solar do Arcebispo, vai ver que na sequência regular, há um momento em que a parede é cega, não há janelas, era exatamente a saída do passadiço, que foi vedado com a derrubada da igreja da Sé naquela área que ali está.
Quando se procurou um símbolo heráldico para o sobrenome Monteiro, foram as três trombetas que serviram de signo e elas estão lá, no Solar do Arcebispo, no Arcebispado.
Observem vocês, quando passarem por lá, que há um testemunho da igreja da Sé, é único que sobrevive até hoje no local, da existência da igreja da Sé. Havia um passadiço ligando o Solar do Arcebispo à igreja da Sé.
Quem olhar hoje a sequência de janelas que está na fachada lateral do Solar do Arcebispo, vai ver que na sequência regular, há um momento em que a parede é cega, não há janelas, era exatamente a saída do passadiço, que foi vedado com a derrubada da igreja da Sé naquela área que ali está.
Depois vamos ao Solar do Sodré. Esse Solar do Sodré é mais importante
pelo fato de lá ter morrido Castro Alves, do que realmente o seu interesse
arquitetônico. É uma casa grande mandada construir por Jerônimo Sodré Pereira,
para nela morar; morou Jerônimo Sodré Pereira, aliás, a família de Jerônimo
Sodré Pereira morou lá durante todo o século XVIII e um pedaço do século XIX,
quando o Dr. Antônio José Alves, pai do poeta Castro Alves, comprou a casa e
viveu lá o tempo bastante para morrerem lá os seus mais chegados, inclusive o
poeta Castro Alves, que morreu no Solar do Sodré.
Estou enumerando para voltar mais tarde a cada qual.
Estou enumerando para voltar mais tarde a cada qual.
O Solar do Machado. Esse ninguém conhece com o nome de Solar do Machado.
Esse Machado é uma figura muito nebulosa na história da Bahia, porque, o processo nunca se achou, mas ele foi simplesmente preso, levado para Portugal e lá, morreu na cadeia. Esse Solar do Machado corresponde hoje ao Solar da Boa Vista, onde foi o Asilo São João de Deus, onde foi asilo de alienados, mais tarde secretaria de educação da prefeitura, que funciona lá até hoje.
Esse Machado é uma figura muito nebulosa na história da Bahia, porque, o processo nunca se achou, mas ele foi simplesmente preso, levado para Portugal e lá, morreu na cadeia. Esse Solar do Machado corresponde hoje ao Solar da Boa Vista, onde foi o Asilo São João de Deus, onde foi asilo de alienados, mais tarde secretaria de educação da prefeitura, que funciona lá até hoje.
Sabem onde é que estou falando?
Sim, na Boa Vista de Brotas. Já foi prefeitura durante algum tempo, hoje é secretaria municipal de educação.
Para os arquitetos apaixonados por história da arquitetura em particular, agora vou mencionar o sobrado, o solar baiano que me parece o grande exemplo da inventiva, que ninguém nota da rua, mas que vale uma visita técnica, de arquitetos apaixonados por sua profissão, que é o Solar Felipe de Oliveira Mendes, corresponde à atual Casa de Angola, na Praça dos Veteranos.
Ele é um falso solar, ele é curtíssimo, porque ele vai esbarrar logo na encosta do morro que desce lá, da Rua do Bangala.
Está entendendo de onde é que estou falando?
De fronte do Corpo de Bombeiros, há o
morro da Rua do Bangala que se sobe pela Ladeira da Palma. O solar está
encostado no morro, curtíssimo de tal maneira, que o quintal do solar está na
altura do telhado das casas que estão ao seu lado. Vale a pena trabalhar aquilo
ali do ponto de vista estritamente técnico e, com um detalhe, Felipe de
Oliveira Mendes, que era o dono da casa, era também mestre pedreiro, mestre
pedreiro, que se dizia, na era arquiteto, não; foi ele quem fez a igreja de
Santana, a obra de arquitetura da igreja de Santana é de Felipe de Oliveira
Mendes, que fez para morar este solar da Praça dos Veteranos.
Agora, um outro que ganhou também o nome, os nomes não têm muito a ver porque os jesuítas oraram na Casa de Oração durante dois anos só, de 1775 a 1777, depois foram expulsos, até hoje se conhece como Casa de Oração o solar que deveria se chamar Solar Gomes Costa, que foi o homem que fez para morar e morou e deixou o seu nome, mas a história se encarregou de tirar o Gomes Costa da história.
É aquele solar que está na Rua Carlos Gomes, hoje é Espaço da Caixa. Sabem onde é que estou falando.
Também pouca coisa, os jesuítas, Gomes Costa, finalmente adquirido pela Santa Casa da Misericórdia que alugou, alugou aos Diários Associados que nunca pagaram nenhum tostão, passaram o maior calote da história imobiliária da cidade de Salvador, e finalmente transferido para a Caixa Econômica para saldar débitos da Santa Casa da Misericórdia.
Em 1759, já, portanto, no meio do século XVIII, nós vamos encontrar um
grande solar, este sim, com uma densa história, com uma beleza arquitetônica
muito grande, que é a Casa dos Sete Candeeiros. A Casa
dos Sete Candeeiros foi construída por um homem que deixou lá o seu brasão de
armas, aliás, Inácio Aprígio da Fonseca Galvão. Ela começa como casa
residencial, com a majestade da Casa dos Sete Candeeiros.
É um palácio. Se alguém não conhece a Casa dos Sete Candeeiros está em debito consigo próprio.
Ela está mal situada na cidade, mas de tal beleza, beleza arquitetônica que mercê ir até lá.
A geração masculina aqui presente, sabe muito bem onde era o Rumba Dancing, fica de fronte do Rumba Dancing, todo mundo sabe onde é, os masculinos da sala, sabem todos.
Não há mais Rumba Dancing que as senhoras podem ir lá desacompanhadas sem nenhum problema.
Sabe onde é a Caixa Econômica? Rua d’Ajuda, ali dentro.
Entre pela Caixa Econômica e vá direto que você bate nos Sete Candeeiros.
Essa foi a residência de Inácio Aprígio da Fonseca Galvão, que mandou colocar no alto da viga da porta o seu brasão de armas e, estudando esse brasão de armas, você verifica que é o mesmo brasão usado anos e anos mais tarde pelo marechal Deodoro da Fonseca, o que nós leva a crer que assim como os Góes da Ribeira do Góes são parentes dos atuais Góes; Deodoro da Fonseca tenha que ver com Inácio Aprígio da Fonseca Galvão.
Depois foi seminário jesuítico, mas tarde, propriedade da Santa Casa da Misericórdia que alugou a terceiros, inclusive alugou a um homem que tem uma responsabilidade muito grande no nascimento de Rui Barbosa, o conselheiro Albino José Barbosa de Oliveira, que morou ali e entregou uma casinha no fundo, absolutamente desprezível, a um sobrinho que fracassou nos negócios, que era o pai de Rui Barbosa. Rui Barbosa nasce ali, pelas dificuldades financeiras do pai e vai morar numa casa de estábulo, numa casa de fundo de roça, que foi do tio do pai dele, por isso nasce Rui Barbosa ali, no que é hoje a Casa de Rui Barbosa, que todos conhecem.
Mais tarde passa a ser residência do desembargador Candido Leão, quando foi arrematada pela Santa Casa da Misericórdia, que passou a alugar, dispondo de cômodos e perdendo a sua, digamos, dignidade senhorial, até que finalmente foi recuperada.
A Casa dos Sete Candeeiros teve um trabalho, teve uma importância muito
grande na cidade de Salvador porque foi hospedaria.
Prá vocês terem uma idéia da majestade da casa, durante o mês de janeiro de 1808, esteve aqui a Corte Portuguesa, Dom João e o pessoal dele todo. Três viscondes foram hospedados na Casa dos Sete Candeeiros que teve alojamento, teve condição, teve equipamentos para hospedar três, Visconde Redondo, Visconde Rezende e Visconde Alegrete.
Essa daí, eu faço um apelo, se ninguém foi ainda lá, vá um dia desses, se estiver andando a pé ali, pelo centro da cidade, vá ver a Casa dos Sete Candeeiros que se chama dos Sete Candeeiros exatamente porque quando foi equipada para receber a família real e os seus acompanhantes, ornou a sua parte externa com sete luminárias que foram os sete candeeiros.
Eu chamo a atenção dessa história dos sete candeeiros porque uma professora chamada Ruthlands, ela era uma antropóloga, é, está viva ainda, uma antropóloga norte-americana que veio a Bahia e escreveu um livro sobre suas impressões da Bahia. Ouviu um guia de turismo por aí e escreveu que a Casa dos Seven Lampions, se chama Seven Lampions em homenagem a um famoso bandido e seus sete principais asseclas, sete candeeiros, sete lampiões, sete membros da quadrilha de Lampião.
É preciso ficar muito atento quando se estuda história para não cair em armadilhas como essa, que bota sete lampiões lá; que diz que morreu um padre na igreja do Unhão, que anda dizendo coisas por aí.
Vamos a outra casa importante, a casa do Barão do Rio Real.
Essa continua igualzinha, graças a Deus, os donos tenham sido pobres, não tenham transformado ela em outras coisas.
Essa continua igualzinha, graças a Deus, os donos tenham sido pobres, não tenham transformado ela em outras coisas.
É uma casa no Largo de Nazaré, onde funcionou durante alguns anos o colégio Nossa Senhora de Lourdes. Não sei se identificam onde é que eu estou falando.
Lá está a casa do Barão do Rio Real.
Esta casa vale a pena ser mencionada porque ela não é nem do barão do açúcar, nem do barão do gado, nem do barão do cacau; ela é uma casa construída pelo Barão do Rio Real, um homem de posses modestas, em relação aos potentados do açúcar, que constrói na Bahia a sua casa com os rendimentos lá, do Camuciatá, lá do Itapicuru, e faz a sua casa de cidade, um belo solar que lá está esperando que alguém cuide dele.
Há um outro solar na Bahia, Solar Liberato de Matos devia ser o seu nome, não é, passou a ser Solar do Colégio Dois de Julho com a fama de ter sido hospedagem ou moradia do Conde dos Arcos.
Ora, nós tivemos na Bahia dois Condes dos Arcos, o sexto e o oitavo. Eu não conheço nenhuma referência objetiva que diga que nenhum dos dois teve a ver com aquilo. A casa é da melhor qualidade arquitetônica, os Condes dos Arcos são magníficos, mas onde casar Conde dos Arcos com aquela casa, francamente, eu estou esperando que alguém me diga alguma coisa concreta sobre isso. Sei que foi casa de uma enorme família Liberato de Matos que morou lá.
Que morou lá durante dois séculos pelo menos, mas não há notícia de nenhum. Há uma faixa de azulejos da melhor qualidade, voltaremos a falar nisso. Fora daí, meus amigos, nós temos ainda alguns poucos solares a que vou me referir.
O Solar Ferreira Bandeira que
está lá, ainda incólume, graças a Deus, na subida da Ladeira da Soledade, do
lado esquerdo de quem sobe, vale a pena ser visto. Não é outra coisa senão a
casa da cidade de um homem rico do açúcar, mas de uma beleza arquitetônica
muito grande.
O Solar de São Dâmaso. De um frei Francisco São Dâmaso de Abreu Vieira. Este homem doou à cúria metropolitana a sua casa. É um solar bonito na Rua do Bispo, que ele arruinou-se e agora está cheio de obras. Tem gente do Crea trabalhando lá, na recuperação, nessa segunda ou terceira fase das obras do Centro Histórico. Vale a pena trabalhar sobre o Seminário de São Dâmaso. Durante muito tempo ele foi arquivo municipal, mas havia tanta ameaça de incêndio que quando eu mesmo passei pela presidência da Fundação Gregório de Matos, tratei de mudar o arquivo a um prédio incombustível, porque você guardar papel velho num solar, por mais importância histórica que ele tenha, um solar de madeira seca, combustível, é um risco que não havia porque correr. Mas o solar, graças a Deus está sendo recuperado agora e eu espero que ele tenha um destino mais decente.
E finalmente, um solar que ganhou também o nome que não é do seu
construtor e que ninguém sabe quem foi o seu construtor; quer dizer, ninguém,
não há pesquisas que nos determinem quem foi o seu construtor. O Solar
Marback.
Bela casa, construída fora do Centro Histórico, com todas as características de um solar, do qual nós só temos notícias a partir dos seus atuais proprietários, ou melhor, da família, sua atual proprietária, com um detalhe curiosíssimo, Henrique Samuel Marbak, que foi o Marback inglês que veio prá Bahia, Henrique Samuel Marbak fez um testamento, ele era inglês, deixando a casa para o filho barão mais velho de cada geração e isso vem sendo mantido até hoje, nasce um Marback mais velho, ele já vai ser dono daquilo, os outros Marback que arranjem dinheiro para cobrirem as respectivas cotas partes que lhes couberem nas heranças que houver.
Portanto, esse solar, além do ponto de vista estritamente histórico, tem uma importância muito grande do ponto de vista jurídico, porque ele é uma forma de ser, vamos dizer, heterodoxa da legislação brasileira.
São esses, nomeadamente, um por um, os solares baianos.
Edição por José Spínola






Boa tarde, prezado Sr. Facó. Eu me chamo Marco Berquó, e sou um dos longínquos herdeiros do falecido ouvidor-mor, Francisco António Berquó da Silveira, ex-proprietário do Solar Berquó.
ResponderExcluirMe interessei bastante pelo seu artigo. É importante relembrarmos e recuperarmos a história do nosso país e família. Ao longo do texto, o senhor menciona a possibilidade de enviar a planta do Solar. Diante disso, caso a tenha, gostaria de ter acesso. Desde já agradeço, caro Facó. Meu email: jus.marcoberquo@gmail.com