O DICO QUE ERA PILÉ E
VIROU PELÉ
Miguel
Archanjo Gorgulho, com esse nome de anjo de briga, é o pacífico patriarca de
São Lourenço, nas cristalinas águas de Minas, e um magnífico contador de
histórias. Pai do jornalista ecológico Silvestre
Gorgulho, os 87 anos de Seu
Miguel nem lhe arranharam a memória.
Em 1944, 45,
ele e outros comerciantes de São Lourenço fundaram um time de futebol, o Vasco
da Gama, o Vasquinho. O mais famoso era o goleiro Bilé, cuja história o Globo Esporte
contou a pouco, dizendo ter nascido em São Lourenço. Não foi. Jogava lá, mas
nasceu em Dom Viçoso, ali perto, a vinte quilômetros de São Lourenço. Tem um
irmão Basílio, que vive em Pintos Negreiros, distrito de Maria da Fé, sul de
Minas.
Como a cidade
não tinha jogadores em número suficiente, o Vasquinho ia buscá-los nas cidades
vizinhas como Três Corações, a 100 quilômetros de trem: Zé Bola, Gradim e
sobretudo e excelente artilheiro Dondinho, ferroviário e soldado do batalhão da
Polícia Militar.
DONDINHO
Dondinho
sempre levava o filho pequeno, de 4, 5 anos, o Dico, que não conseguia
pronunciar o B e trocava pelo P. Dico encantou-se com o sucesso do goleiro Bilé
e, como todo mundo gostava do pai e dele, antes e depois dos jogos, o Dico
ficava na trave pedindo para chutarem a bola para ele:
- Chuta para
o Pilé!
O apelido
foi pegando, todo mundo chamando, e o Dico chorava de ódio. Não adiantou.
Quando o apelido chegou a casa dele e à escola onde estudava, em Três Corações,
ninguém segurou mais: Dico virou Pilé.
Um dia, a
Rede Ferroviária transferiu o craque ferroviário Dondinho para Bauru e com ele
sumiu o menino Dico, que já tinha virado Pilé. Na década de cinquenta os dois
reapareceram em Santos, nos Santos. Pilé já era Pelé.

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