Jericó (em árabe:
أريحا, transl. Ārīḥā;
em hebraico:
יְרִיחוֹ, transl. Yəriḥo)
é uma antiga cidade bíblica da Palestina, situada às margens do rio Jordão,
encrustada na parte inferior da costa que conduz à serra de
Judá, a uns 8 quilômetros da
costa setentrional da parte seca do Mar
Morto(a quase
240 m abaixo do nível
do Mar Mediterrâneo) e aproximadamente a 27 km de Jerusalém.
Foi uma importante cidade no vale do Jordão(Dt. 34:1,
3), na costa ocidental do rio Jordão.
Descrita
no Velho Testamento como a "Cidade das Palmeiras", abundantes campos ao
redor de Jericó têm feito dela um sítio atrativo para habitação humana por
milhares de anos. Ela é conhecida na Tradição
judaico-cristã como o lugar do retorno
dos israelitas da escravidão no Egito,
liderados por Josué,
o sucessor de Moisés. Arqueólogos tem
escavado os remanescentes dos últimos 20 sucessivos assentamentos em Jericó, o
primeiro que data de antes de 11.000 anos atrás (9.000 a.C).
É
considerada a cidade mais antiga ainda existente, com mais de 10.000 anos.
O
nome Jericó é conhecido pelos seus habitantes locais como Ārīḥā (em árabe: أريحا), o qual significa "perfumado" e
deriva da palavra cananeia (assim como o árabe e o hebraico) Reah, de mesmo
significado. Jericó também é pronunciado Yəriḥo ( יְרִיחוֹ) em hebraico,
e uma teoria alternativa fortalece que ela é derivada da palavra
"lua" (Yareah) em cananeu e hebraico, sendo que a cidade foi
um antigo centro de adoração à deuses lunares.
Acredita-se
que Jericó seja uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo,
com evidência de assentamentos datados de antes de 9000 a.C, provendo
informações importantes sobre antigas habitações humanas no Oriente Próximo.
O
primeiro assentamento permanente foi construído próximo o Ein
as-Sultan, entre 8000 e 7000 a.C.por um
povo desconhecido, e consistiu de um certo número de muros, um santuário e uma
torre de sete metros de altura com uma escadaria interna. Após alguns
séculos, foi abandonado para um segundo assentamento, estabelecido em 6800 a.C,
talvez pela invasão de um povo que absorveu os habitantes originais para dentro
de sua cultura dominante. Artefatos datados desse período incluem dez crânios,
engessados e pintados como para reconstituir as feituras individuais. Isso
representa o primeiro exemplo de retrato na Arte
Histórica, estes crânios foram
preservados em casas populares enquanto os corpos ficaram
apodrecendo. Este foi seguido por uma sucessão de assentamentos de 4500
a.C.adiante, o maior destes foi construído em 2600 a.C.
Evidências
arqueológicas indicam que na metade final do Bronze Médio (c.e
1700 a.C), a cidade desfrutou alguma prosperidade, seus muros tinham sido
reforçados e expandidos. A cidade canaanita (Jericho City IV) foi
destruída c.e 1550 a.C, e o sítio remanescente ficou desabitado até que a
cidade fosse refundada no século IX a.C.
No
século VIII a.C, os assírios invadiram pelo norte, seguidos pelos babilônios,
e Jericó ficou despovoada entre 586 e 538 a.C, o período do exílio babilônico. Ciro o
Grande, rei persa,
refundou a cidade, a um quilômetro e meio, a sudeste do seu sítio histórico, o
monte do Tell es-Sultan, e retornando os judeus exilados após a conquista
da Babilônia em
539 a.C.
Jericó
foi desde o início um centro administrativo sob domínio persa,
serviu como um estado particular Alexandre o Grande cerca de 336 a 323 a.C. após a conquista da região. Em meados do
século II a.C., Jericó ficou sob domínio helenista, o general sírio Báquides construiu alguns
fortes para fortalecer as defesas da área ao redor de Jericó contra a invasão
dos macabeus (1
Mac 9:50). Um dos seus fortes, construído na entrada do Wadi Qelt, foi
posteriormente refortificado por Herodes, o Grande, que o nomeou de Kypros, em homenagem a sua mãe.
Heródes
inicialmente arrendou Jericó de Cleópatra depois
de Marco Antônio tê-la dado a ela como um presente. Após seu suicídio coletivo em
30 a.C, Otaviano assuniu
o controle do império romano e deixou Heródes reinando sobre Jericó. Heródes
supervisionou a construção do hipódromo-teatro
(Tel es-Samrat) para divertir seus convidados e novos aquedutos para irrigação da área abaixo dos
precipícios e próximo do seu palácio de inverno construído no sítio de Tulul
al-Alaiq.
O
assassinato dramático de Aristóbulo III em
uma piscina de Jericó, como dito pelo historiador Josefo, durante um banquete organizado por Herodes. A
cidade, desde a construção de seus palácios, não funcionou apenas como um
centro agrícola e nem como um cruzamento, mas como uma estação de inverno à
aristocracia de Jerusalém.
Herodes
foi sucedido pelo seu filho, Arquelau, o qual construiu uma vila adjacente a
Jericó em seu nome, Archelais, casa de operários da sua plantação (Khirbet
al-Beiyudat). No século I Jericó é descrita na Geografia de Estrabão:
"Jericó
é como uma planície cercada por um tipo de zona montanhosa, a qual em um
caminho, encontra-se como um teatro. Aqui está a Fenícia, a qual é diferenciada
também com todos os tipos de cultivos e árvores frutíferas, ainda que compõe-se
sobre tudo de palmeiras. Tem cem estádios de
comprimento e é em toda parte abastecida com riachos. Aqui também estão o
Palácio e o Parque do Bálsamo".
As
tumbas cortadas na rocha de um cemitério da era herodiana e hasmoneana jazem na
parte baixa do penhasco entre Nuseib al-Aweishireh e Jebel Quruntul em Jericó e
foram usados entre 100 a.C.e 68 d.C.
A Bíblia declara que Jesus passou por Jericó, curou dois
cegos e fez a conversão de
um coletor de impostos local de nome Zaqueu.
Após a queda de Jerusalém pelo
exército de Vespasiano em
70 d.C., Jericó declinou rapidamente, e pelo ano 100 d.C. a cidade foi uma
pequena guarnição romana. Pouco tempo depois disso, construíram sobre a
área da cidade que foi abandonada, e uma Jericó bizantina, Ericha,
foi construída a um quilômetro e meio à leste, ao redor da qual a cidade
moderna está centrada. O cristianismo pegou
na cidade durante a era bizantina e
a área foi grandemente populosa. Um grande número de monastérios e igrejas foi
construído, incluindo São Jorge de Koziba em 340 d.C. e uma cúpula de igreja
foi dedicada para Eliseu. Umas
duas sinagogas foram
construídas no século VI. Os monastérios foram abandonados após a invasão
persa de 614.



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