JOACI GÓES
A insegurança pública no Brasil, em geral, e na
Bahia, em particular, atingiu níveis insuportáveis, caracterizando-se como a
mais aguda de nossas patologias sociais.
O caso
baiano avulta entre as vinte e sete unidades da Federação, tanto em termos
relativos como em números absolutos, atingindo, nos últimos oito anos, a
estrondosa cifra de 40 mil homicídios, correspondendo a uma média anual de 35
mortes por cada grupo de 100 mil habitantes, três vezes superior aos números
registrados no estado de São Paulo.
O quadro
baiano da insegurança revela de modo claro e contundente que o governo vem
gerindo de modo ineficaz esta dimensão da vida social de tão grande significado
para o bem estar das pessoas.
Para que se
tenha uma ideia do que somos e do que podemos vir a ser, em matéria de
segurança pública, se a Espanha, com seus 50 milhões de habitantes tivesse o
mesmo nível de criminalidade registrado na Bahia, haveria ali 15 mil
assassinatos, por ano, em lugar dos 302 registrados em 2013.
Esses
números indicam, de modo inquestionável, que o risco de um morador da Bahia ser
assassinado é 50 vezes maior do que os que vivem na terra de Miguel de Cervantes.
Conquanto
seja quimérico alcançar, no curto prazo, o patamar espanhol, é fora de dúvida
que está ao alcance de nossas possibilidades orçamentárias e gerenciais nos
ombrearmos com os estados que conseguiram reduzir seus índices de homicídio, a
exemplo de Rio de Janeiro, São Paulo e do vizinho Pernambuco.
A própria
Bahia, ainda que em pequenas proporções, vem diminuindo o número de mortes, nos
últimos três anos, a partir da adoção de medidas de alguma consistência.
O que está
em jogo é a qualidade da gestão, acima de outro fator qualquer, uma vez que as
causas matrizes da violência são essencialmente as mesmas, em todo o território
nacional, tais como impunidade, corrupção, péssimo sistema carcerário,
legislação penal leniente, morosidade do judiciário, despreparo policial,
tráfico de drogas, e, antes e acima de todos esses fatores, a educação ainda
como privilégio dos que podem pagar ensino privado, em face da lamentável
qualidade do ensino público brasileiro e, sobretudo, baiano.
Penso que a
tarefa mais desafiadora do novo governo que se instalará a 1 de janeiro de 2015
será devolver aos baianos a tranquilidade perdida no cumprimento de suas mais
rotineiras atividades de trabalho, lazer e estudo. Para tanto, cabe pedir
a colaboração de cada um dos homens e mulheres que fazem do território baiano o
seu domicílio, bem como com patriótica e responsável humildade, buscar
orientação dos estados que vêm avançando no particular, sem descartar a ajuda
das Forças Armadas, enquanto perdurar o clima de pânico generalizado, diante do
repetitivo e previsível holocausto anual que faz da Bahia o maior cemitério do
continente.
Por último
e não menos importante, o novo governo terá que restaurar, sem demora, os
laços de fraterna convivência com seu aparelho policial, mediante a realização
de uma parceria operacional em que todos saiamos vencedores.
Afinal de
contas é de todo oportuno não perder de vista as ricas tradições de nossa
Polícia, a quem devemos o ato final que culminou com a definitiva independência
do Brasil, a 2 de julho de 1823.
Definitivamente,
não se pode ficar inerte quando tantas vidas se perdem inutilmente.

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