Por
Fernando Alcoforado*
Pode-se
afirmar que todo país é possuidor de 5 grandes sistemas: 1) científico e
tecnológico;
2) econômico; 3) social; 4) ambiental; e, 5) político e moral. Na atualidade,
o padrão
desejado de desempenho de um país é medido pelo que se realiza apenas no
campo da
economia utilizando-se como referencial de progresso o tamanho e o
crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto) desconhecendo os demais sistemas. Trata-se de um
enorme equívoco porque o desempenho desejado de cada um dos 5 sistemas acima
descritos deveria levar em conta os 5 padrões descritos a seguir:
O padrão
de desempenho científico e tecnológico desejado a considerar deveria ser o
seguinte:
1) o aumento da produtividade da economia que é medida pela relação entre PIB
global e PIB setorial e recursos utilizados nos processos produtivos (matérias
primas,
insumos e mão de obra); 2) a redução dos custos de produção agrícola,
industrial
e serviços; 3) o aumento nos investimentos em P&D; 4) a inovação de novos
produtos e
processos que é medida por seu avanço em relação a produtos e processos
anteriormente
utilizados; 5) o aumento da durabilidade dos produtos/ serviços; 6) o
aumento da
segurança física dos produtos/serviços proporcionada às pessoas e usuários; e,
7) a queda nos níveis de dependência tecnológica do país em relação ao
exterior.
Estes
indicadores permitiriam avaliar se o desempenho do sistema científico e
tecnológico
está contribuindo para o aumento da riqueza e do bem-estar da população.
O padrão
de desempenho econômico desejado a considerar deveria ser o seguinte: 1) o aumento
da taxa de crescimento do PIB; 2) a redução na taxa de inflação; 3) a redução na
relação Dívida Pública/ PIB; 4) o aumento nos saldos na Balança Comercial e no Balanço
de Pagamentos; 5) a queda na carga tributária; 6) a queda nos níveis de
dependência
econômica do país em relação ao exterior; 7) o aumento nos investimentos na
infraestrutura de energia, transportes e comunicações; e, 8) o aumento no
Indicador Genuino de Progresso (GPI - Genuine Progress Indicator), que leva em
conta os parâmetros bem-estar e meio ambiente utilizando a mesma metodologia de
cálculo do PIB, mas, diferentemente deste, acresce ao cálculo itens como
trabalho doméstico e voluntário e subtrai os custos decorrentes de fatores como
criminalidade, poluição, degradação ambiental e comprometimento dos recursos e
sistemas naturais (Ver o GPI no website <http://www.compendiosustentabilidade.com.br/compendiodeindicadores/indicadores/default.asp?paginaID=26&conteudoID=324>).
Estes indicadores permitiriam avaliar se o sistema econômico está contribuindo
para o aumento de sua riqueza, a queda no
endividamento
público do país, a redução dos níveis de inflação, a geração de
superávits
na balança comercial e no balanço de pagamentos, a queda na carga
tributária,
a conquista da independência ou a redução da dependência econômica do país em
relação ao exterior e para a realização de um genuíno progresso econômico.
O padrão
de desempenho social desejado a considerar deveria ser o seguinte: 1) a
conquista
do pleno emprego ou a redução na taxa de desemprego; 2) a elevação da
distribuição
de renda medida pelo índice de Gini; 3) a redução dos índices de
criminalidade
na sociedade; 4) o aumento nos níveis de atendimento dos serviços de
educação,
saúde, habitação e transporte da população; 5) aumento nos investimentos na infraestrutura
de educação, saúde, habitação e saneamento básico; 6) o aumento no IDH- Índice
de Desenvolvimento Humano, usado pela Organização das Nações Unidas, que leva
em conta o PIB per capita, a longevidade das pessoas e sua educação (avaliada pelo
índice de analfabetismo e pelas taxas de matrícula nos vários níveis de
ensino); e, 7) o aumento da Felicidade Interna Bruta -FIB (Gross National
Happiness-GNH), que analisa as 73 variáveis que mais contribuem para a meta de
atingir o bem-estar e a satisfação com a vida (Ver o GNH no website
<http://www.grossnationalhappiness.com/>).
Estes indicadores permitiriam avaliar se o sistema social está contribuindo
para a conquista do pleno emprego ou a redução dos níveis de desemprego, o
aumento da renda da população, a queda nos indicadores de criminalidade, o aumento
da prestação de serviços de educação, saúde, habitação e
transporte
da população e o aumento do desenvolvimento humano e do seu bem estar.
O padrão
de desempenho ambiental desejado a considerar deveria ser o seguinte: 1) a
eliminação
ou redução da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera; 2) o aumento dos
serviços de saneamento básico prestados à população; 3) a eliminação ou redução
dos níveis de desflorestamento e de queimada de florestas; 4) a redução no
consumo de combustíveis fósseis; 5) o aumento da participação de energia
renovável na matriz energética do país; 6) a eliminação ou redução da poluição
da terra, do ar, do oceano e da água; 7) o aumento da eficiência energética ou
economia de energia na agropecuária, na indústria e nos meios de transporte em
geral; e, 8) o aumento da reciclagem de materiais. Estes indicadores
permitiriam avaliar se o sistema ambiental está contribuindo para a defesa do
meio ambiente local e global em benefício de sua população e do seu bem estar.
O padrão
de desempenho político e moral desejado a considerar deveria ser o seguinte: 1)
o aumento da solidariedade entre os habitantes do país; 2) o incremento na
prática da justiça social pelos órgãos do governo e pela Sociedade Civil; 3) o
aumento da distribuição da renda e da riqueza junto à população; 4) o aumento
das medidas de preservação e cuidados com a natureza; 5) o incremento das
políticas de
desenvolvimento
integral da educação de acordo com os mais elevados valores
humanos;
6) os avanços na realização da vontade coletiva dos cidadãos; 7) o
aprimoramento
das instituições políticas; 8) o sucesso no combate à corrupção medido
por sua
redução; 9) o aumento do exercício da cidadania com a efetiva participação dos cidadãos
nas decisões de governo e na luta pela ampliação de seus direitos; e, 10) o aumento
da contribuição das organizações públicas e privadas ao desenvolvimento
político,
econômico, social e ambiental do país. Estes indicadores permitiriam avaliar se
o sistema político e moral está contribuindo para que os habitantes sejam
solidários
entre si,
a justiça econômica e social seja praticada, a educação contribua para formar
verdadeiros
cidadãos, a participação da Sociedade Civil nas decisões de governo e a
corrupção
seja erradicada no país.
A
realização do padrão desejado de desempenho para cada um dos 5 sistemas
(científico e tecnológico, econômico, social, ambiental e político e moral) de
um país requer a existência de uma estrutura de planejamento e controle a eles
associados que possibilite fazer com que os resultados de suas atividades
correspondam ao padrão de desempenho desejado para o país. Competiria a essa
estrutura de planejamento e controle: 1) determinar o nível de recursos
necessários à consecução do padrão desejado de desempenho de cada sistema em
termos de matérias primas, insumos, mão de obra, recursos financeiros, etc.; 2)
exercer o controle dos processos de trabalho relativos a cada sistema para
identificar os desvios entre sua execução e o padrão desejado de desempenho e,
caso necessário, decidir sobre as correções a serem realizadas nos processos de
trabalho e/ou na entrada dos recursos necessários à operação do sistema; e, exercer
o controle do desempenho dos resultados obtidos na saída de cada sistema para
identificar os desvios entre sua execução e o padrão desejado de desempenho e, caso
necessário, decidir sobre as correções a serem realizadas nos processos de
trabalho de cada sistema e/ou na entrada dos recursos necessários à operação de
cada sistema.
Percebe-se,
pelo exposto, que a finalidade da estrutura de planejamento e controle seria a
de evitar ou minimizar a ocorrência de desvios entre o que foi planejado
(padrão de desempenho do sistema) e o que foi realizado (produto final da
execução do sistema).
Este seria
o “modus operandi” da estrutura de planejamento e controle capaz de
racionalizar
a operação e assegurar a governabilidade dos sistemas científico e
tecnológico,
econômico, social, ambiental e político e moral de um país. No entanto,
para ser
democrático, seria preciso, entretanto, que a governança desses sistemas
contasse
com a efetiva participação da população e de organismos da Sociedade Civil
na
formulação dos objetivos (padrões de desempenho) a serem perseguidos, bem como na
formulação de políticas ou regras de decisão que buscam corrigir os desvios
entre o que foi planejado e realizado.
*Fernando
Alcoforado, 74, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em
Planejamento
Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona,
professor
universitário
e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial,
planejamento regional e planejamento de
sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo,
1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel,
São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os
condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado.
Universidade de Barcelona,
http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944,
2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia-
Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era
Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic
and Social
Development- The Case of the State
of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG,
Saarbrücken,
Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e
Editora,
Salvador,
2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao
aquecimento global
(Viena-
Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores
Condicionantes do
Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba,
2012), entre outros.

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