LIVRO RECOMENDADO PELO
BLOG DO FACÓ
(O FIM DO CANGAÇO)
Corisco – o último
cangaceiro
O cangaço
teve fim com a morte de Lampião, e o ponto final foi a morte de Corisco.
O “duelo”
entre Corisco e Zé Rufino foi fantasiado numa interpretação artística pelo
cineasta Glauber Rocha no clássico Deus e o Diabo na Terra do Sol. Prevaleceu a
versão do vencedor: um estranho duelo de um tenente que precisou de 15 homens
armados até de metralhadora, para matar um homem que quase não mexia mais os
braços.
Dadá
respondeu a processo em Jeremoabo. O Coronel João Sá fez o possível para
acomodar as coisas. O juiz, Dr. Oliveira Brito, sentenciou a sua impronúncia,
com o beneplácito do promotor, o Dr. Tarcilo Vieira de Melo. Livre, Dadá viveu
algum tempo em Jeremoabo e depois se mudou para Salvador, onde se casou a 11 de
abril de 1951 com o pintor de paredes chamado Bartolomeu Serafim Chagas, porém
por todos conhecido por Alcides, apelido de família. Com o casamento Dadá mudou
o nome Sérgia Ribeiro da Silva para Sérgia da Silva Chagas. Alcides trabalhou
na construção do prédio da Faculdade de Direito da Bahia, no Canela. Morreu em
1978, atropelado por um automóvel na porta de casa, no bairro do Barbalho.
Dadá recebeu
o título de cidadã da cidade de Salvador através da Resolução n. 781/89, de 15
de junho de 1989, de autoria da vereadora Geracina Aguiar.
Em 1980, já
velha, Dadá foi a Jeremoabo com a escritora Christina Matta Machado. Era um
sábado, dia de feira. Um filho de Zé Rufino chamado Miguel foi vê-la e disse
que o pai havia tido um infarto, e pediu por amor de Deus que Dadá fosse falar
com ele. Dadá foi. Quando entrou no quarto do enfermo, ele esticou a mão, e
Dadá retribuiu o gesto. O velho matador de cangaceiros ficou uns vinte minutos
com a mão de Dadá presa na dele. Zé Rufino chorou, chorou... Paulo Gil Soares
reproduziu o diálogo entre os dois:
- Pur que
você tá chorano assim? – perguntou Dadá.
Zé Rufino
respondeu:
- É um
remorso qui tá comigo e eu não posso morrer cum ele. Mas você veio me vê e
perduá. Você é mia amiga.
Dadá
contrapôs, sem mágoa, mas firme:
- Eu nun sou
sua amiga. Agora, nunca lhe ofendo, Você para mim é um objeto qui eu tenho aqui
arquivado, mas nun vou dizê qui sou sua amiga.
Zé Rufino
disse que não queria matar Corisco. Queria que ele se entregasse.
Depois, Dadá
foi para a sala. Levaram também Zé Rufino, carregado numa cadeira. Ele ficou
ali na sala, de cara para cima.
Pouco depois
desse encontro Zé Rufino morreu.
Dadá a
legendária cangaceira, faleceu de câncer a 7 de fevereiro de 1994, aos setenta
anos, em Salvador.
***
São passadas
mais de sete décadas de sua morte, mas na memória da nação nordestina continua
vivo o mito do Capitão Virgulino Ferreira, alma errante de almocreve e
cangaceiro, enxotado de toda parte. Num folheto de cordel, o poeta popular José
Pacheco dá uma pista do seu paradeiro:
“Leitores vou terminar
Tratando de Lampião
Muito embora que não possa
Vou dar a explicação
No inferno não ficou
No céu também não chegou
Por certo está no sertão.”
De fato,
Lampião faz parte da cultura do povo do sertão, e seu espírito irrequieto,
calçado de alpercatas de couro, percorre incansável os areais e os serrotes do
Pajeú, Navio, Moxotó, Capiá, Raso da Catarina, Poço Redondo e Canindé, que
constituem como que um prelúdio ou prolongamentos das planuras, serras e
socavãos da eternidade.
Descanse em
paz, Capitão.




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