(Socorro)
Fernando
Alcoforado*
Fernando
Alcoforado ao lado de Luiz Carlos Facó, responsável por este Blog.
É
gravíssima a situação da engenharia brasileira em consequência do descalabro da corrupção
que atingiu níveis inimagináveis na Petrobras. A perspectiva que se apresenta é
a de reprodução do calvário sofrido pela engenharia brasileira nas décadas de
1980 e 1990, quando grandes projetos nacionais foram inteiramente paralisados,
deixando desempregados milhares de engenheiros e técnicos com alto grau de
especialização.
Neste
período, várias empresas de engenharia simplesmente desapareceram ou foram reduzidas
a equipes mínimas pela falta de investimentos na indústria e na infraestrutura nacionais
devido à estagnação que atingiu a economia brasileira após a expansão registrada
na década de 1970.
Apesar de
as décadas de 1980 e 1990 terem deixado marcas profundas na engenharia nacional,
a partir de 2000, a engenharia brasileira conseguiu se recompor e se atualizar.
No setor
de petróleo, a engenharia brasileira projetou e implantou plataformas, navios, refinarias,
oleodutos e uma série de outros equipamentos para atender às necessidades do
Brasil. As empresas de engenharia participaram em praticamente todos os grandes
projetos da indústria petrolífera no país, graças ao bom momento vivido pela
Petrobras a partir do início do século XXI. No entanto, a estratégia do governo
Dilma Rousseff de contenção dos preços dos derivados de petróleo para combater
a inflação evitou a capitalização da Petrobras comprometendo toda a cadeia
produtiva do petróleo, incluindo o setor de engenharia industrial.
A queda do
ritmo dos investimentos na área de refino do petróleo reduziu drasticamente a
demanda por serviços de engenharia de projeto em 2012, 2013, 2014 e 2015. As consequências
imediatas nas empresas de engenharia brasileira são as demissões que estão
ocorrendo em massa agravadas pela Operação Lava Jato que investiga a corrupção na
Petrobras, bem como a desmobilização de equipes e o retrocesso tecnológico. Até
dezembro de 2013, as empresas de projeto que atuam no setor de óleo e gás já
haviam demitido cerca de 40% de sua força de trabalho, incluindo engenheiros e
vários outros profissionais de elevado nível técnico. A recente prisão de mais
de vinte empresários de alto escalão do País na Operação Lava Jato devem
paralisar investimentos no curto prazo.
Algumas
das maiores construtoras do país investigadas pela Operação Lava Jato detêm importantes
contratos de obras de infraestrutura com o governo federal, inclusive do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC). Além da punição dos dirigentes, as empresas
envolvidas na investigação podem ter contratos com o governo suspensos ou anulados.
Segundo a lei de licitações, a empresa é considerada inidônea quando comete uma
fraude. Além de ter o contrato suspenso ou anulado, a corporação fica proibida
de participar de licitações futuras. Diante deste fato, a Petrobras não fará
nenhuma licitação tão cedo e os planos de expansão da estatal devem atrasar,
incluindo a exploração do pré-sal. A crise que afeta a Petrobras e a engenharia
brasileira vai gerar impactos extremamente negativos sobre o crescimento do PIB
já comprometido pela incompetência e falta de planejamento governamental. A Operação
Lava Jato piorou as perspectivas econômicas do Brasil para 2015. O
crescimento
negativo em 2015 é inevitável. Existe o risco de as grandes obras de infraestrutura
contratadas pelo governo ficarem paradas ou não chegarem a ser licitadas.
A situação
financeira das construtoras envolvidas na operação Lava Jato é crítica.
Nem as
despesas mínimas estão sendo pagas. Uma das consequências desta situação tem
sido a redução do quadro de funcionários de construtoras e empresas de engenharia
consultiva. As entidades representativas da engenharia brasileira precisam se
mobilizar, não apenas contra o desmonte da Petrobras, mas principalmente para
evitar o sucateamento das grandes empresas de engenharia do País as quais
poderão falir abrindo caminho para a penetração de empresas estrangeiras.
* Fernando
Alcoforado, 75, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento
Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona,
professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico,
planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas
energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997),
De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São
Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os
condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado.
Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003),
Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia-
Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea
(EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development-
The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft &
Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária
(P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o
progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica,
Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento
Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros.

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