ARTE TEATRAL
O criador
do teatro brasileiro
“Primeiro
a montar uma companhia teatral preocupada em forma atores, é o pai do teatro
profissional brasileiro no Brasil. No palco que leva seu nome foi assinada a
Constituição de 1824 e se apresentam até hoje todos os grandes artistas
nacionais.”
João Caetano dos Santos (Itaboraí, 27 de
janeiro de 1808 — Rio de Janeiro, 24 de
agosto de 1863) foi importante ator e encenador brasileiro.
Teatro João Caetano - RJ
Começou a carreira como amador, até que em 24 de abril de 1831 estreou como
profissional na peça O
Carpinteiro da Livônia, mais tarde representada como Pedro, o Grande.
Apenas dois anos depois,
em 1833, João Caetano já ocupava o teatro de Niterói junto com um elenco de atores brasileiros. Assim iniciava a Companhia Nacional João
Caetano.
O ator também exerceu as
funções de empresário e ensaiador. Autodidata
da arte dramática, seu gênero favorito era a tragédia, mas chegou a representar papéis cômicos.
Além de atuar em muitas
peças, tanto no Rio como nas províncias, João Caetano publicou dois livros sobre a arte de representar: Reflexões Dramáticas, de 1837, e Lições
Dramáticas, de1862.
Teatro João Caetano na Praça Tiradentes – Rio de
Janeiro
Em 1860, após uma visita ao Conservatório Real da França, João Caetano organizou no Rio uma escola de arte
dramática, em que ensino era totalmente
gratuito. Além disso, promoveu a criação de um júri dramático, para premiar a
produção nacional. Era dono absoluto da cena teatral brasileira de sua época.
O pesquisador J. Galante de Souza (O Teatro no
Brasil, vol.1) considera que o ator, "um estudioso dos problemas da
arte de representar, e dotado de verdadeira intuição artística, reformou
completamente a arte dramática no Brasil".
Antes dele, a declamação
era uma espécie de cantiga monótona, como uma ladainha. Ainda segundo J.
Galante, "João Caetano substituiu aquela cantilena pela declamação
expressiva, com inflexões e tonalidades apropriadas, ensinou a representação
natural, chamou atenção para a importância da respiração e mostrou que o ator
deve estudar o caráter da personagem que encarna, procurando imitar, não
igualar, a natureza". JOÃO CAETANO - "O Mestre
Aprendiz do Teatro Brasileiro"
João Caetano criou um perfil para o ator brasileiro, tendo sido um ator excepcional, dentro e fora do
palco. Tornou-se um mito, um "herói
cultural", através de sua dedicação e de seu trabalho. Nunca um ator
foi tão biografado no Brasil como João Caetano.
A carreira de João
Caetano abria um leque muito variado de possibilidades, em um tempo onde as
condições do teatro no Brasil eram muito precárias, tanto do ponto de vista do
repertório, na maior parte constituído por traduções de gosto, qualidade e
fidelidade duvidosos, quanto do ponto de vista da produção. Basta lembrar que o
principal teatro do Rio, na época, queimou 3 vezes em 50 anos. Foi Teatro São
João, depois São Pedro de Alcântara, Constitucional Fluminense e novamente São
Pedro, seguindo as vicissitudes políticas do império. Foi demolido neste século
para dar lugar ao atual João Caetano.
João Caetano partia do nada, quase do zero absoluto. Era um ator que começava num país que também dava
os primeiros passos, onde tudo se mostrava virgem, desde o teatro até a nacionalidade.
O leitor que tinha em mente devia ser sobretudo ele mesmo, já que ninguém
necessitava mais de lições do que esse aprendiz improvisado em mestre.
Tinha João Caetano certa parecença física com
Napoleão, o que deve tê-lo ajudado na
carreira, ainda que de modo secundário. De alguma forma esta parecença deveria
mobilizar as imaginações de então, uma vez que a França era o modelo de
civilização e história que desejamos seguir e alcançar. Foi cadete, tendo
servido na guerra Cisplatina. Esta experiência em campo de batalha certamente o
ajudou, de acordo com o reconhecimento de críticos seus contemporâneos, na
montagem de cenas militares, que eram uma das chaves do sucesso. Além disso,
sempre encarou a vida teatral como um campo de batalha, onde se lutava tanto
por ideias como por espaço. João Caetano lembra o fato de que quase enforcou
sua companheira de vida em cena para justificar a idéia de que o ator jamais
pode se deixar levar pelo papel.
João Caetano era homem de formação e decoro
clássicos. Nesses termos conseguia sua
atividade como ator e suas reflexões sobre ela. Já em 1838, recebia medalha de
bronze consagrando-o como o - Talma Brasileiro -, equiparando-o, portanto, a um
ator da linhagem clássica. Entretanto o que encantava a platéia eram seus arroubos,
tocados de entusiasmo, era, em suma, o demônio ou gênio romântico que deixava
passar por entre o pretendido equilíbrio de inspiração clássica.
João Caetano foi uma espécie de factótum do teatro
brasileiro. Foi ensaiador, encenador e
empresário, além de ator. Na época não era muito grande o número de atores
letrados. Eram poucos também os que conseguiam ter uma visão globalizante do
fenômeno teatral, do texto ao palco e da bilheteria ao bastidor.
Em 1833, João Caetano já
organizava sua própria companhia, constituindo com ela a primeira companhia de
atores nacionais, coisa que sempre alardeou em seu estilo bastante vaidoso.
Leve-se em conta que tudo era muito precário, no Brasil e no teatro. Em algumas
cidades havia casas de representação sofríveis, em outras barracões ou tablados
improvisados, quando muito. Nos fins do
século XVIII e ainda nos começos do século XIX não era incomum os atores serem
ex-escravos, dedicados, porém sem formação. Mulheres em cena eram raras, e com fama de serem libertinas, depois
do edito de D. Maria I que as proibira de representar. Muitas vezes eram
substituídas por atores masculinos, com resultados visíveis: conta-se de uma Julieta, em Minas Gerais,
de tranças loiras e de pele escura, de voz de homem e avantajada envergadura.
As montagens sucediam-se rapidamente, com peças mal traduzidas, mal ensaiadas e
freqüentemente, portanto, mal representadas.
Para enfrentar esta
situação, João Caetano preconizava uma junção da comedie française com o
tradicional mecenato da corte portuguesa, que D. João trouxera para o Brasil.
Ele não tinha em mente em toda sua extensão, a imagem de um estado paternalista
em relação às artes, imagem que depois se tornou tão comum no Brasil. Imaginava
algo mais simples, um mecenato no sentido estrito, uma espécie de proteção
esclarecida. Isso não era novidade no universo intelectual brasileiro. João
Caetano conseguiu concretizar em partes seu ideal de teatro. O São Pedro lhe é
afinal cedido, junto com uma subvenção de, primeiro, dois contos de reis ao mês,
depois três, mais tarde quatro. Dali reinou sobre a plateia mais numerosa da
corte que, por ironia do destino, era, em sua maioria, de portugueses ou
portugueses naturalizados.







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