Fotografia
Publicado em fotografia por Cristina Parga,
em obviusmagazine
Mestranda em Letras, assistente editorial,
escritora durante as madrugadas.
Tem fobia a calendários, multidões, pessoas que falam alto, baratas, mariscos e ovos.
Viveu 10 anos em Lisboa, vive no Rio há 6. Ainda não mudou o horário do relógio de pulso.
Manic Pixie Dream Girl in recovery.
Muita sorte nos jogos.
Tem fobia a calendários, multidões, pessoas que falam alto, baratas, mariscos e ovos.
Viveu 10 anos em Lisboa, vive no Rio há 6. Ainda não mudou o horário do relógio de pulso.
Manic Pixie Dream Girl in recovery.
Muita sorte nos jogos.
Em 1981, com apenas 22 anos, Francesca Woodman suicidou-se – deixando
uma obra fotográfica composta maioritariamente por autorretratos femininos,
impenetráveis e, ao mesmo tempo, fantasmagoricamente irresistíveis. Como num
jogo de sedução, a modelo se esconde e revela pela lente da câmera, capturando
uma infinidade de mulheres que nos observam de algum espaço-tempo a que não
temos acesso – que nos encaram quase no milésimo de segundo antes de se
dissolverem e escaparem à nossa compreensão.
Quase como
um statement do feminino. Nos autorretratos de Francesca
Woodman, o corpo escorre em traços contínuos, fluidos – ilusórios –
camuflando-se no background como um objeto decorativo, imóvel – porém pulsando
em movimento. Desnudando-se para a câmera, as mulheres de Francesca transcendem
o real e secretam, ante o observador atônito, a seiva de uma vida interior,
hipnótica e turva. Os flashes de luz captam relâmpagos da psique aflorando à
superfície da pele. A psique difusa, silente, fugidia.
A mulher
erva daninha, intensa e inteira, sublunar. Quieta e escura como a pérola, que
se desenvolve lenta e anônima no interior ósseo das ostras. A mulher sem nome,
que empresta seu corpo ao ethos do ambiente, deixando-se invadir pelas rugas da
parede, a poeira do chão, a casa em ruínas. Que, como mariposa noturna, se
deixa confundir com a textura rugosa dos troncos de árvores – para preservar de
olhares, mãos e prisões, o seu viver subterrâneo.
Francesca
Woodman imprime, no filme fotográfico, imagens do feminino inconsciente que
encanta, envenena, enlouquece o observador e o modelo. Seus retratos caminham
da exploração tátil do corpo e do entorno para a gradual fusão entre os dois.
Testemunhando, em imagens simbólicas, toda violência desse
"encontro".
Essas femmes nos
surpreendem num segundo de deslocamento do vazio à volta, que ocupa, preenche e
possui, infalivelmente, todos os sítios da sua alma. Elas nos olham no milésimo
de segundo antes da destruição, quando irão cumprir o destino da lenta
dissolução e desaparecimento.
© obvious: http://obviousmag.org/um_pais_possivel/2015/04/as-mulheres-de-francesca.html#ixzz3WchS1NYR
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