Por JOACI GÓES
Em
1987, o historiador inglês Paul Kennedy publicou um livro intitulado The Rise
and Fall of the Great Powers (Ascensão e queda das grandes potências), que
deveria ser lido pelas autoridades que comandam o nosso país.
Ali,
Kennedy demonstra, à saciedade, como as nações, entre 1500 e fins do século XX,
cometeram os mesmos percursos de erros e acertos em sua marcha ascendente e
declínio. Austeridade nos gastos, valorização do conhecimento e do trabalho e
convivência pacífica foram as práticas que estiveram na base de todas as nações
que conheceram a prosperidade, no período considerado. Quando alcançaram o
apogeu, essas nações, sempre sob a tutela de medidas populistas de inspiração
irresponsável, decidiram impor o seu mando, passando a agigantar suas
estruturas militares para impor sua arrogância em seu espaço geopolítico, com o
propósito de submeter vizinhos e parceiros de ontem.
Passando
o aparato militar como a primeira das prioridades, tudo deveria ser
sacrificado, no todo ou em parte, para a realização desse novo desideratum,
inclusive os fatores responsáveis pelo aumento e consolidação da pujança
nacional.
Todos
os países estudados - Espanha, Portugal, Inglaterra, França, Prússia, Hungria, Rússia,
Áustria e Alemanha -, começaram a cair quando se dedicaram à expansão militar
dominadora.
Mutatis
mutandis, é o que vem sucedendo com o Brasil de nossos dias, quando o governo
anuncia um corte de sete bilhões de reais na educação, como meio de assegurar o
superávit que integra o plano de recuperação de sua economia, abalada pelos
erros micro e macroeconômicos praticados pelas últimas administrações. Entre
todos os 39 ministérios, o da Educação foi o que sofreu o maior corte, ficando
a Defesa em segundo lugar, com uma distante redução de 1,9 bilhão de Reais.
Numa
demonstração cabal de como o Governo ainda não compreendeu o significado da
educação na prosperidade das pessoas e dos povos, a Presidente declarou que não
faria qualquer corte nos investimentos, o que significa dizer que, na contramão
do entendimento universal, entende que Educação não é investimento, mas
despesa. Santa Madonna!
É
verdade que o reiterado desastre em que se converteu a educação brasileira não
decorre da falta de recursos, mas de sua má administração, em todos os níveis:
federal, estaduais e municipais. Sabe-se, portanto, que é grande o desperdício
praticado pela administração pública com os recursos destinados à educação,
sendo imperativo o aprimoramento da gestão. Antes disso, porém, considera-se de
risco a ser evitado fazer cortes orçamentários em uma área tão seminal, sem que
se tenha a prova do aprimoramento de técnicas gerenciais redentoras. O
resultado é o que estamos vendo, milhares de alunos tendo que adiar ou comprometer
a realização de suas aspirações universitárias, tendo em vista as dificuldades
para a obtenção de financiamento de suas bolsas de estudo, dentre outros
problemas.
Bastaria
que o Governo não houvesse patrocinado o insensato financiamento de projetos em
países bolivarianos, para que a precária qualidade da educação nacional não
sofresse mais este golpe que compromete, de modo contundente, nossas
expectativas de um futuro promissor. A esse respeito, valeria a pena que a
oposição levantasse os investimentos feitos junto a esses países, somados a
outros tantos em nações ditatoriais, para se ver o abismo existente entre o
discurso e a prática da esquerda Romanée Conti, Brasil e mundo afora.
Romanée-Conti é um vinho feito com a uva pinot noir, classificado como Grand
Cru, o melhor da Borgonha, produzido em Vosne-Romanée, no Leste da França, cujo
preço, por garrafa, oscila entre 45 mil a 105 mil Reais. Segundo noticiado,
desde a vitória de Lula, em 2002, é o vinho preferido para celebrar as grandes
conquistas de líderes petistas.
Com
este corte inoportuno, o Governo demonstra que ainda não sabe que a educação é
o caminho mais curto entre a pobreza e a posteridade; entre o atraso e o
desenvolvimento; entre a barbárie e o avançado estágio de civilização que
aspiramos.

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