História da Espanha,
Brasil, Portugal e Algarves
Ninfomaníaca,
traidora e mulher emancipada.
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Infanta de
Espanha, princesa de Portugal, rainha de Portugal, Brasil e Algarves e
imperatriz honorária do Brasil, D. Carlota Joaquina é uma das figuras mais enigmáticas e mal-amadas da História de
Portugal. Uma explicação para esse desamor: Carlota Joaquina quis ocupar
um lugar decisivo, mas escolheu sempre o "lado errado" da História
– que é (sempre) contada pelos vencedores. Estes não lhe perdoaram e criaram à sua volta uma "lenda negra".
Feia de meter medo, ninfomaníaca,
adúltera, traidora, ignorante até ao fanatismo… a diabolização foi
completa, mesmo se exagerada e injusta.
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Carlota Joaquina casou-se com o príncipe D. João (futuro D. João VI) a 9
de Junho de 1785. Se o noivo tinha 18 anos, a noiva era uma menina de 10
(parece que esperaram até ela fazer 15 anos para consumar o casamento), que
passou o resto da infância e a adolescência numa corte estranha, afastada do
regaço da família. Apesar desse afastamento, a tendência para a promiscuidade
adúltera pode muito bem ter sido herdada da mãe, a rainha Maria Luísa, que
passou a vida a enganar o marido, Carlos IV de Espanha, ao ponto de convencer
este a nomear primeiro-ministro o amante dela, Manuel Godoy.
O primeiro “pecado" de Carlota
Joaquina foi ter ousado fazer política num mundo de homens, e ter perdido… Perdeu na tentativa de se
tornar regente no lugar do marido, na chamada “Conspiração dos Fidalgos",
em 1805-1806; perdeu no projeto de se tomar rainha das colónias espanholas do
Rio da Prata (atuais Argentina e Uruguai), a partir de 1808, alegando a
incapacidade do pai, Carlos IV, e do irmão, Fernando VII, prisioneiros de Napoleão;
perdeu, por fim, a aposta no “Portugal Velho", absolutista e
contrarrevolucionário, ao lado do filho D. Miguel na guerra civil. Mas a rainha ficou também na história como
um exemplo de escandalosa devassidão sexual, uma mulher cujos insaciáveis
apetites libidinosos se manifestavam num
corpo que roçava a repugnância. Oliveira Martins retratou-a como uma
"megera horrenda e desdentada, criatura devassa e abominável em cujas
veias corria toda a podridão do sangue Bourbon, viciado por três séculos de
casamentos contra a natureza". A própria filha, D. Maria Teresa, dizia,
temerosa: "É nossa mãe, temos de respeitá-la, mas é preferível sair do
seu caminho." Laura Junot, mulher do embaixador francês que mais tarde
seria invasor de Portugal, ridicularizou-a e sublinhou a sua falta de gosto.
Apesar de o casamento com D. João ter durado 36 anos, a vida em comum
foi curta. A partir da conspiração de 1805-06, o príncipe perdeu a confiança
nela e passaram a viver separados. O
ódio entre o casal chegou ao ponto de, quando o seu coche se aproximava do de
sua mulher nas estradas que levavam ao Palácio de Queluz, D. João gritava, indignado, ao cocheiro:
"Volta para trás! Vem aí a puta!" Dos nove filhos do casal, a
maior parte dos estudiosos considera provável que o futuro D. Pedro I do Brasil
e IV de Portugal era mesmo de D. João. Quanto aos outros, é quase certo que um
deles devia a sua paternidade ao almoxarife do paço. Dos restantes, diz-se que
apresentavam notórias parecenças com vários oficiais da guarda. Muitos foram
apontados como amantes de D. Carlota, desde o próprio Junot, passando pelo 6°
marquês de Marialva, pelo almirante inglês Sidney Smith, por Manuel
Francisco Rodrigo Sabatini, oficial da guarda de D. Maria I – indo até muito
mais baixo na escala social: o cocheiro da Quinta do Ramalhão, em Sintra, João
dos Santos.
D. João não tinha ilusões, mas, mesmo assim, insistia em manter-se
informado das aventuras amorosas da mulher. Um dia desabafou: "Na vida de
Carlota, a moralidade morreu…"






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