Cultura/Folclore
A Baiana
de acarajé (ou simplesmente Baiana) é como são chamadas as mulheres que se dedicam ao
ofício tradicional de vender de acarajé e outras iguarias da culinária afro-baiana. Mulheres batalhadoras, em sua maioria negra
e com forte identidade com as Religiões de Matriz Africana, que com muita luta
conseguiram a regularização da profissão junto aos poderes públicos. Uma das
principais figuras típicas do Brasil,
chega a ser uma caracterização obrigatória nos desfiles das Escolas de Samba do país. Em
2012, as baianas foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial da Bahia pelo governo estadual, e tiveram seu ofício incluso
no livro de Registro Especial dos Saberes e Modos de Fazer, do IPAC.
"O que é que a baiana tem?"
Esta
pergunta é feita na letra de uma famosa música do compositor baiano Dorival Caymmi, com a resposta:
"Tem torso de seda, tem! / Tem brincos de
ouro tem! / Corrente de ouro tem! / Tem pano-da-costa, tem! / Sandália
enfeitada, tem!"
Cantada
por grandes intérpretes, desde Carmem Miranda, Maria Bethânia e outros, além do próprio Dorival, foi,
durante a primeira metade do século XX, um grande divulgador dessa personagem típica de Salvador.
Ari Barroso, outro grande compositor brasileiro, num dos seus
maiores sucessos, também faz referência à quituteira da Bahia, no samba de 1936, onde
"No tabuleiro da baiana tem: Vatapá, oi, caruru, mungunzá, tem umbu"…
mas, sobretudo "desvenda" aquilo que tem a baiana em seu coração:
"Sedução, cangerê, ilusão, candomblé"…(em No tabuleiro da baiana).
Além
de Carmem, Aurora Miranda foi outra que levou a figura
"cheia de balangandãs" da baiana para as telas do
cinema: é a baiana "Iaiá", no misto de animação e filme The Three Caballeros, de Walt Disney (Você já foi à Bahia? no Brasil).
Atraído
pelos encantos e magia baianos, o
artista plástico argentino Carybé retratou
como poucos a figura da baiana, assim como muitos outros, a exemplo de Santi Scaldaferri.
Atualmente
é uma profissão regulamentada pelo decreto municipal de Salvador 12.175/1998 e portarias subsequentes, que
indicam, inclusive, a de indumentária e tabuleiro, zelando principalmente pela higiene na preparação
e manuseio do alimento.
Atualmente
as Baianas de Acarajé podem facilmente ser encontradas através do Mapa das
Baianas, resultante de uma parceria entre a Associação das Baianas de Acarajé -
ABAM, o IPHAN e o Instituto Palmares, projeto
este que trouxe mais visibilidade às estas importantes mulheres.









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