Brasil: personalidades
Colaboração
de Luiz Eduardo Costa
Aracajú -
Sergipe
Nesses dias
tensos e desesperançados que
atravessamos, quando se perdem as referencias sobre valores essenciais a
uma sociedade civilizada, quando assistimos
o aviltamento da política pela degradação da honra e da dignidade dos
que a protagonizam, quando ascendem ao topo da fama personagens duvidosos ou
até sinistros, é preciso que busquemos, com a sofreguidão dos inconformados,
alguma possível esperança . E então descobrimos que há magníficos exemplos que
nos rodeiam, estão bem perto de nós, e se eles existem, não há porque
desacreditar numa sociedade, num país, cujo povo, segundo Stefen Zweig, seria
uma virtuosa demonstração, nos trópicos, de que era possível resistir aos
descaminhos do ódio e da intolerância. E o escritor austríaco dizia isso no
país que vivia uma ditadura, e onde os dois grandes extremismos do século
passado haviam se confrontado pelas armas.
Esteve em
Aracaju uma senhora de 66 anos que, na palestra proferida, nas entrevistas que
concedeu, deixou, a todo instante, a marca da jovialidade que nunca se apaga na
voz e no semblante das pessoas, quando elas se apegam à ideias, e a princípios,
que exaltam a dignidade humana. Assim, do
rosto da desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia, Luislinda Valois não desapareceu a expressão da menina
de 9 anos que transformou humilhação em altivez. Isso aconteceu quando um professor
da escola publica onde ela estudava, lhe disse, com a estupidez característica
dos insanos: Se seus pais não podem comprar o material escolar é melhor que
você vá para a cozinha dos brancos fazer feijoada para eles. A menina cresceu,
empertigou-se, e respondeu-lhe: Eu não vou sair da escola, não vou deixar de
estudar. Vou ser Juíza e um dia virei lhe prender.
Tornou-se
juíza, mas, esqueceu-se da prometida prisão. Perdoou o professor, até porque
professa e defende a religião que aqui nos chegou com os escravos vindos da
África, e se tornou forma de
resistência, e também espaço para
conviver e ampliar o sentimento de
plena tolerância, com a negação forte de todos os preconceitos, e, ainda
mais: a busca da simbiose plena entre o ser humano e a natureza.
No exemplo de Luislinda Valois, há motivos
suficientes para que a esperança não nos abandone.
Chamar
alguém portador de deficiência visual de ¨ceguinho ¨, diante do formalismo
artificial que acompanha o modo politicamente correto, pode ser interpretado
como ofensa passível de punição. Politicamente correto é expressão que nos foi
imposta pela mania que temos de imitar hábitos alheios, aquelas coisas de
¨gringos ¨. Por aqui, as expressões ¨ceguinho ¨ ou ¨ceguinha ¨ neguinho¨ ou
¨neguinha¨, ¨escurinho ¨ou ¨escurinha ¨ nunca foram depreciativas, sempre
demonstraram uma forma de afeto contido
nas palavras. Temos aqui em Aracaju um
“ceguinho” que nos orgulha, porque nos dá, entre tantos exemplos de vida, um ,
que é aquele do qual hoje tanto carecemos: o da política exercida com
dignidade, respeito ao povo, compromisso com o eleitor. Por isso é preciso que
o vereador Lucas Aribé supere a tentação de desacreditar da política e não
deixe de candidatar-se à reeleição. Com ele vereador, ou em outros cargos eletivos que conquistará, a
política estará sempre valorizada. Vá em frente “ceguinho¨ você tem a
capacidade, hoje rara, de enxergar sempre qual é o caminho da decência, da
responsabilidade pública.
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