Ciência: saúde pública
Tom
Jackson
Repórter de Tecnologia e Negócios da BBC
Cientistas querem que tecnologia que
beneficiou Angelina Jolie fique mais acessível
Quando a atriz Angelina
Jolie descobriu que carregava uma mutação defeituosa do gene BRCA1, seus
médicos disseram que ela tinha 87% de chance de desenvolver câncer de mama.
Foi
o suficiente para que a americana optasse por uma dupla mastectomia em 2013 e
reduzisse o risco para apenas 5%.
Esse
tipo de testagem genética agora pode ser feito mais rapidamente e a preços
menores, dando a médicos a capacidade de planejar tratamentos com mais
eficiência.
Combinado
com a inteligência artificial e a computação em nuvem, o avanço tecnológico deu
às companhias farmacêuticas as ferramentas para produzir drogas mais
rapidamente e com maior chance de sucesso, bem como a oportunidade de médicos
buscarem referência em padrões genéticos semelhantes antes de receitar
tratamentos a pacientes com determinados tumores.
Genoma
Um
beneficiário dessa nova abordagem é Eric Dishman, fundador do laboratório de
pesquisas e inovação na área da saúde da empresa de tecnologia Intel.
Quando
tinha 19 anos, Dishman foi diagnosticado com uma forma rara de câncer de rim.
Ficou em tratamento por 23 anos e estava prestes a começar a fazer diálise
quando uma companhia de tecnologia ofereceu-se para fazer o sequenciamento de
seu genoma para ele.
Isso
o ajudou a identificar o gene falho causando o câncer. E permitiu que médicos
avaliassem quais drogas poderiam ser mais eficazes. Aos 47 anos e em remissão,
Dishman está determinado a ajudar outros pacientes de câncer a ter acesso ao
mesmo tratamento.
Uso de modelos em computador "prevê"
novas drogas
"Meus
médicos nunca tinham feito qualquer coisa com a sequência genética antes.
Descobrimos que 92% das drogas que eu estava tomando não iriam funcionar, mas
eles não sabiam disso".
Levou
três meses para que os médicos analisassem seu genoma e outros quatro para
comparar os resultados com pacientes similares em outros hospitais nos EUA.
Dishman
queria acelerar esse processo, então fundou a Nuvem Colaborativa do Câncer
(CCC, em inglês), uma iniciativa lançada no ano passado pela Intel em parceria
com a Universidade de Ciência e Saúde do Oregon (EUA).
A
CCC possibilita a hospitais e instituições de pesquisa compartilhar de forma
segura o mapeamento genético de pacientes e outros dados clínicos para ajudar
em descobertas possivelmente salvadoras.
"Estamos
usando a nuvem de maneira muito diferente. Se você olha ao redor do mundo, os
maiores centros de estudos do câncer compartilham dados de forma que pessoas
possam colaborar em pesquisas. O problema é que apenas 4% dos dados estão
disponíveis".
O
objetivo do CCC é trazer os outros 96% para a equação e permitir que hospitais
e centros de pesquisa compartilhem informações de maneira mais eficiente para
encontrar tratamentos para pacientes com base em como indivíduos com os mesmos
padrões genômicos reagiram a certas drogas.
O uso da nuvem pode unir esforços de pesquisa
ao redor do mundo
A
Intel e a Universidade de Saúde e Ciência de Oregon têm um projeto-piloto em
parceria com outras duas instituições de pesquisas sobre o câncer. Mas já há a
previsão de que outros 100 centros se juntem ao programa ainda neste ano, e os
planos incluem expandir a plataforma internacionalmente. A nuvem pode também
ser usada para pesquisar outras doenças baseadas em "genes
defeituosos", como a distrofia muscular.
O CCC espera poder mostrar exatamente que drogas
podem ser usadas com quais pacientes, mas ainda há outros remédios a serem
descobertos. E a computação em nuvem também ajuda nesse processo: a chamada
pesquisa in silico usa computadores para modelar e testar
moléculas e compostos antes mesmo de eles chegarem a um laboratório do mundo
real.
Um
exemplo é a companhia Cloud Pharmaceuticals, baseada na Carolina do Norte
(EUA), que desenvolveu uma plataforma combinando a computação em nuvem e a
inteligência artificial para pesquisar novas matérias-primas para medicamentos.
Quantidade de dados compartilhados ainda é
pequena
"A
descoberta e o desenvolvimento colaborativo de drogas podem ser gerenciados de
forma segura através da nuvem", diz Ed Addison, diretor-executivo da Cloud
Pharmaceuticals, para quem a plataforma não apenas pode acelerar o processo mas
também diminuir o número de testes em animais.
No
Japão, a companhia de tecnologia Fujitsu trabalha com a Universidade de Tóquio
para usar a descoberta de drogas baseadas em tecnologia da informação para
desenvolver princípios ativos de drogas anticâncer. Dos quatro estágios
principais para a chegada de novas drogas no mercado, o segundo é o design e
avaliação de síntese. É nessa área que a Fujitsu trabalha.
"A descoberta in silico permite
o design de vários componentes que pessoas normalmente não produziriam",
Nozomu Kamiya, diretor de sistemas de saúde da Fujitsu.
Isso
permite à companhia estudar a eficácia de um medicamento antes mesmo de sua
existência, segundo Kamiya.




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