segunda-feira, 25 de abril de 2016

UMA SINGELA ODE AO SORRISO, POIS NÃO É PECADO SORRIR



Literatura



“Tem 20 anos. É pisciana típica, com ascendente em libra e lua em leão. Ansiosa, dramática, sonhadora, intensa, cheia de manias, curiosa e apaixonada pela vida.
Nasceu em 13 de março de 1995 em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, mudou-se aos 10 anos para São José do Rio Preto e, atualmente, mora em Franca - SP, onde cursa Direito na UNESP.
Tem por paixão a escrita e pretende seguir seu sonho paralelamente à carreira jurídica.”




"Se você sorrir com seu medo e tristeza, talvez, amanhã verá o sol brilhando para você" - Charlie Chaplin

Seria sorrir um ato de egoísmo? Lanço-lhes a presente pergunta, pois, há alguns dias, andando por uma rua deveras movimentada, em pleno horário de pico, permiti-me parar, por alguns instantes, e observar os transeuntes à minha volta: à minha direita estava um senhor, de vestes velhas e manchadas, rugas e cabelos grisalhos, com as mãos frágeis sofridamente estendidas à espera de alguns trocados daqueles que passavam pela calçada; ao olhar para o outro lado, porém, deparei-me com uma senhora de meia-idade, aparentemente de classe média-alta, a abraçar e beijar, entre sinceros sorrisos, um garotinho de feição adorável.
Inacreditável como, em questão de alguns segundos, fui levada do martírio ao regozijo. Como, num primeiro momento, abati-me profunda e sinceramente por aquela figura triste do andarilho e, instantes depois, sorri diante da alegria de presenciar momento de tamanha ternura entre neto e avó. Ora, quanto desse antagonismo escancarado pode existir entre o céu e a Terra? Pois digo que, a partir do pouco que já vi, acredito que haja muito mais “do que sonha a nossa vã filosofia”.
E devo eu ser julgada por ter sido capaz de, minutos depois de sentir brotar em meus olhos pequenas lágrimas de dor, abrir tímido sorriso? Então que fôssemos julgados todos nós! Mas não, meu amigo. Não seremos. Porque sorrir, nesse mundo, é um ato de coragem.
Enquanto alguns festejam o nascimento de uma criança, outros choram a morte de um ente querido. No exato momento em que pessoas dão as mãos para agradecer pela comida na mesa, há aqueles que agonizam de fome. No mesmo instante em que uns têm o privilégio de se aninharem nas cobertas de uma cama aquecida, há quem esteja sofrendo de frio, por não ter onde morar. Enquanto cães afortunados deleitam-se nos afagos de seus donos, há animais sendo cruelmente abatidos em matadouros. E não, não creio que a felicidade seja uma pecadora quando há tanta tristeza no mundo.
Em verdade, cabe aos seres humanos que se recusam a permanecer cegos, surdos e mudos diante do padecimento alheio, sustentarem-se fortes em face das frequentes (e diárias) notícias desoladoras da realidade de tantos, não permitindo quedarem-se em descrença e lutando brava e destemidamente pela defesa da justiça, da solidariedade, do amor ao próximo e, especialmente, pela disseminação da fé em um mundo melhor, por meio de atitudes concretas de mudança.
É saudável que abramos nossos sorrisos. É recomendável e justo que saudemos os bons momentos, os instantes felizes. Afinal, recusarmo-nos a abrir nossas portas à alegria em respeito aos que choram não secará as lágrimas de ninguém: trocando em miúdos, a ausência da contemplação do aprazimento não anula a dor de outrem. Mantenhamo-nos, pois, gratos pelos júbilos que nos são eventualmente dados, sabendo separar, lucidamente, as horas em que nos cabe refletir sobre os dissabores da vida (que são tantos), bem como agir energicamente a fim de encerrá-los, e as em que é legítimo que celebremos o amor. Saber sorrir é uma dádiva, um ato dos corajosos: se não nos dispormos a plantar a primeira flor em meio ao deserto, quem irá?



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