Ciência
Christina
Holvey
Da BBC Earth
População já cresceu em 5%
Se você disser a palavra
arara, muitas pessoas pensarão na imagem de um pássaro tricolor com um grande
bico cinzento.
Mas,
apesar de serem facilmente reconhecíveis, essas aves se tornaram extremamente
raras na vida selvagem.
Um deles é a arara vermelha, que se divide em duas
principais populações. Uma está confinada à América do Sul. A outra está na
América Central e é conhecida como Ara
macao cyanoptera. A subespécie encontrada em México, Guatemala e Belize
está ameaçada de extinção, e estima-se que apenas 300 ou 400 araras ainda
restem em seu ambiente nativo.
Os
pássaros são vítimas de um coquetel letal de perda de habitat e comércio ilegal
de animais. Um homem, porém, pode estar prestes a mudar tudo isso. Fernando
Martinez é veterinário e diretor da ONG Arcas, que mantém um centro de proteção
e resgate de animais silvestres.
Martinez
é também o coordenador de um programa pioneiro de reprodução da arara vermelha
que teve início em 1994, com filhotes recuperados do comércio ilegal. Dez anos
depois, o primeiro filhote nasceu em cativeiro.
Seu
objetivo maior, obviamente, é aumentar a população de araras com os pássaros
nascidos em cativeiro. Em outubro de 2015, esse projeto finalmente se tornou
realidade, quando nove “formandos”, com idades entre 5 e 10 anos, foram soltos
no Parque Nacional de Sierra Lacandón, na Guatemala.
Pássaros foram reproduzidos em cativeiro
Foi
a primeira vez que as aves foram reintroduzidas na Guatemala e apenas isso já
fez com que a população das araras crescesse em 5%. Falando à BBC Earth,
Martinez explicou a significância do momento. “Ao vê-las voltar para o lugar a
que pertenceram, voando livremente por causa do nosso trabalho, senti-me como
se tivéssemos cumprido uma missão. Eu poderia ter me aposentado porque meu
sonho se tornou realidade. Mas o sonho cresceu e quero vê-lo realizado mais uma
vez”.
Cinco
pássaros receberam transmissores para monitorar sua adaptação à vida selvagem
e, sete meses mais tarde, as notícias são boas. Dados de suas tornozeleiras
mostram que as araras tiveram uma taxa de sobrevivência de 60%.
As
que resistiram aos primeiros meses agora são vistas viajando regularmente
distâncias de mais de 7 km, cruzando a fronteira da Guatemala com o México. E
as aves nascidas em cativeiro se integraram perfeitamente às colegas vivendo em
liberdade.
Entusiasmada
pelo sucesso da primeira “libertação”, a equipe de Martinez agora planeja uma
segunda etapa. Se obtiver financiamento para cinco novos transmissores, dez
novos pássaros serão libertados em setembro, para ajudar a trazer de volta suas
cores aos céus da América Central.
Leia versão original desta
reportagem (em inglês) no site BBC Earth


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