Vista aérea do forte
O Forte
de São Diogo localiza-se na Praça Azevedo Fernandes, no bairro
da Barra,
em Salvador,
capital do estado brasileiro da Bahia. Ergue-se na base do Morro de Santo Antônio, ao
lado direito da praia do
Porto da Barra, local onde anteriormente
existiu o Castelo do Pereira. Próximo ao forte também estão a Igreja
de Santo Antônio da Barra e
o Instituto
Mauá.
O
Forte de São Diogo visava impedir, com o apoio do Forte de Santa Maria, o desembarque de qualquer inimigo naquele acesso ao sul da cidade do
Salvador, então capital do Brasil.
De
suas muralhas descortina-se uma bela e ampla visão da Baía de
Todos os Santos. Atualmente encontra-se sob a
guarda do Exército Brasileiro.
História
Forte de São Diogo: perfil e planta por José António Caldas (c. 1758).
Século XVII
A
sua construção remonta ao Governo Geral de D. Diogo
de Meneses Siqueira (1609-1613) com planta do Engenheiro-mor e dirigente das obras de
fortificação do Brasil, Francisco
de Frias da Mesquita (1603-1634).
Em iconografia de João
Teixeira Albernaz, o velho (Planta
da Cidade de Salvador, 1616) figura como Estância de São Diogo.
Foi
ampliado e transformado num forte que tinha como finalidade impedir o
desembarque de invasores no único porto seguro existente na entrada da baía de
Todos os Santos, preferido pelos invasores
que pretendiam atacar a cidade pelo lado sul.
No
contexto das Invasões
holandesas do Brasil foi
reconstruído a partir de 1626,
durante o Governo Geral de Diogo Luís
de Oliveira (1626-1635), resistindo,
ainda em obras, ao ataque de abril-maio de 1638 do Conde Maurício de Nassau (1604-1679), por ocasião da segunda invasão holandesa.
O século XVIII
Igreja e Convento de Santo Antônio da Barra na
Bahia (Maria
Graham, 1824):
o forte está assinalado pela bandeira.
O Forte de São Diogo e a Igreja de Santo Antônio
em Salvador (fotografia de Victor
Frond, 1858).
Forte de São Diogo hoje: ao fundo, a igreja de
Santo Antônio.
A
construção sofreu alterações na estrutura e no traçado a partir de 1704, que lhe conferiram a atual estrutura orgânica,
em que o terrapleno acompanha
a linha da base do morro, cortado para a sua edificação.
Foi
reinaugurado em setembro de 1722, quando passou a contar com uma bateria de sete
peças deartilharia.
De acordo com iconografia de José António Caldas,esenta o traçado de um meio reduto circular aberto com parapeitos à barbeta. Sobre o terrapleno, ergue-se edificação de
dois pavimentos abrigando as dependências de serviço (Casa de Comando, Quartel
da Tropa, Casa da Palamenta e outras).
Esteve
guarnecido com um Capitão comandante e dois soldados artilheiros, e artilhado
com cinco peças de ferro de
calibre 12 libras e duas de bronze de calibre 8, presumivelmente em
meados doséculo XVIII.
O século XIX
No
contexto da Questão Christie (1862-1865), o "Relatório do Estado das Fortalezas da
Bahia" ao Presidente da Província, datado de 3 de agosto de1863, dá-o como reparado, citando:
"(...)
é este Forte de figura irregular, composto de seis lados retos e um curvo, à
barbeta, cujo plano de fogo total é de 120 palmos.
Monta
cinco peças de calibre 24, foi reparado e se acha em bom estado.
Não
possui plataforma, e os reparos por semelhante falta descansam sobre o solo do
terrapleno, que não é lajeado e nem possui o declive próprio daquela, como é
conveniente na parte em que joga a artilharia."
Passou
por novas reformas, nas canhoneiras e parapeitos, em 1875, 1883 e 1886. SOUZA (1885) informa que mantinha, à
época (1885), quatro peças de artilharia, nas muralhas abandonadas.
O século XX
À
época da Primeira
Guerra Mundial (1914-1918), o forte encontrava-se
desarmado em 1915,
e à da Segunda
Guerra Mundial (1939-1945), abandonado
em 1940. BARRETTO
(1958) adita que à época (1958), o Círculo Militar ocupava uma das dependências
do forte.
Atualmente,
o Forte de São Diogo encontra-se restaurado e aberto ao público, convertido em
Centro Cultural, com programação regular de eventos. A sua guarnição
apresenta-se trajada com o uniforme histórico do 1º
Regimento de Infantaria da Bahia,
dentro do projeto de revitalização das Fortalezas Históricas de Salvador, da
Secretaria de Cultura e Turismo em parceria com o Exército Brasileiro.
Para
os aficcionados da telecartofilia,
sua fachada e acesso ilustram um cartão telefônico da série Fortes de Salvador, emitida pela Telebahia, em junho de 1998.
Características
Apresenta planta irregular do tipo italiano, dotado de casa
de comando com dois pavimentos, portada encimada por brasão de armas, e guarita.






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