O filme "Dominguinhos", dirigido por Joaquim Castro,
Eduardo Nazarian e Mariana Aydar entra em cartaz nacionalmente na quinta-feira
(22/5), trazendo raras imagens de arquivo do artista com narração feita pelo
próprio Dominguinhos e trechos de shows célebres - como uma apresentação muito
bem humorada com
Dominguinhos e Luiz Gonzaga no palco. Há também duetos com
Nana Caymmi, Elba Ramalho, Nara Leão, Gilberto Gil e Gal Costa.
Segundo Mariana Aydar a película irá mostrar um Dominguinhos que
pouca gente conhece. “O público irá conhecer um jazzista, improvisador, universal.
Virtuoso que nunca estudou música”, revela, observando as singularidades
marcantes na obra do exímio sanfoneiro. “Seu refinamento musical, sua
universalidade. Assim era Dominguinhos. Grande, muito grande. Simples, muito
simples”, afirma.
Conta ainda que o longa valoriza a experiência sensorial e
cinematográfica e se aprofunda nos arquivos de imagem e fonogramas raros, numa
viagem conduzida pelo Dominguinhos.
“Ouvimos o próprio falando de sua infância, do pandeiro como seu
primeiro instrumento, dos onze dias de viagem entre Guaranhuns e o Rio (em
1954), de seu primeiro casamento, de sua parceria de vida e de música com
Anastácia, sua segunda mulher, sua mescla de ritmos, de influências. Estão ali
registros de Dominguinhos, um músico popular, mas que encanta os eruditos pelo
virtuosismo e capacidade de improviso, que passou por todos os ritmos e
tendências”, admite.
Já Eduardo Nazarian contou que o processo de realização do
documentário durou três anos. “Testemunhamos alguns dos momentos mais marcantes de uma das manifestações mais inspiradas que a música já produziu.
Presenciamos encontros e despedidas, esplendores e misérias, ouvimos histórias,
lembramos saudades. Vimos Juazeiros, Assuns Pretos e Asas Brancas e todo o
sertão nordestino brotar em uma tarde musical com Hermeto Paschoal”, disse,
ressaltando ainda que, “escutamos histórias de amizade, da estrada, da vida, de
morenas e xodós na conversa com Gilberto Gil. Fomos no começo, no sertão
de tudo, e acompanhamos ate o final, a sua travessia. Dominguinhos
completou seu ciclo. Sua história vai ficar”.
Mariana Aydar acrescentou que a ideia era mostrar o Dominguinhos
sertanejo, o menino predestinado a ser o sucessor de Luiz Gonzaga e o artista
popular.
Sobre a produção do filme, Deborah Osborn, revela que foi
realizada uma pesquisa em acervos no Brasil e no exterior, procurando tudo que pudesse existir de imagem,
entrevistas e áudios que se relacionassem a Dominguinhos. ”Queríamos
revelar ao público o Dominguinhos que vai muito além do estigma do mestre
do forró - um músico autodidata capaz de tocar e criar todos os gêneros
musicais possíveis. Quando percebemos, tínhamos a história de Dominguinhos por
ele mesmo, contada ao longo de diversas entrevistas, em diversas fases e
momentos da vida, de diversas formas. Por isso optamos por uma linda narrativa
em primeira pessoa”, explica.
Ela disse ainda que, só realizar o projeto porque a equipe, todos
os músicos, acervos, editoras e gravadoras foram generosos nessa homenagem ao artista. “Só a TV Cultura, coprodutora do projeto, por exemplo,
entrou com 20 minutos em material de arquivo. Para se ter uma idéia, temos mais
de 20 fontes de materiais de arquivo e 28 obras musicais que
entraram no corte do filme”, adianta.

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