quarta-feira, 21 de maio de 2014

DOMINGUINHOS – O FILME

O filme "Dominguinhos", dirigido por Joaquim Castro, Eduardo Nazarian e Mariana Aydar entra em cartaz nacionalmente na quinta-feira (22/5), trazendo raras imagens de arquivo do artista com narração feita pelo próprio Dominguinhos e trechos de shows célebres - como uma apresentação muito bem humorada com
Dominguinhos e Luiz Gonzaga no palco. Há também duetos com Nana Caymmi, Elba Ramalho, Nara Leão, Gilberto Gil e Gal Costa.

Segundo Mariana Aydar a película irá mostrar um Dominguinhos que pouca gente conhece. “O público irá conhecer um jazzista, improvisador, universal. Virtuoso que nunca estudou música”, revela, observando as singularidades marcantes na obra do exímio sanfoneiro. “Seu refinamento musical, sua universalidade. Assim era Dominguinhos. Grande, muito grande. Simples, muito simples”, afirma.
Conta ainda que o longa valoriza a experiência sensorial e cinematográfica e se aprofunda nos arquivos de imagem e fonogramas raros, numa viagem conduzida pelo Dominguinhos.
“Ouvimos o próprio falando de sua infância, do pandeiro como seu primeiro instrumento, dos onze dias de viagem entre Guaranhuns e o Rio (em 1954), de seu primeiro casamento, de sua parceria de vida e de música com Anastácia, sua segunda mulher, sua mescla de ritmos, de influências. Estão ali registros de Dominguinhos, um músico popular, mas que encanta os eruditos pelo virtuosismo e capacidade de improviso, que passou por todos os ritmos e tendências”, admite.
Já Eduardo Nazarian contou que o processo de realização do documentário durou três anos. “Testemunhamos alguns dos momentos mais marcantes de uma das manifestações mais inspiradas que a música já produziu. Presenciamos encontros e despedidas, esplendores e misérias, ouvimos histórias, lembramos saudades. Vimos Juazeiros, Assuns Pretos e Asas Brancas e todo o sertão nordestino brotar em uma tarde musical com Hermeto Paschoal”, disse, ressaltando ainda que, “escutamos histórias de amizade, da estrada, da vida, de morenas e xodós na conversa com Gilberto  Gil. Fomos no começo, no sertão de tudo, e acompanhamos ate o final, a sua travessia.  Dominguinhos completou seu ciclo. Sua história vai ficar”.
Mariana Aydar acrescentou que a ideia era mostrar o Dominguinhos sertanejo, o menino predestinado a ser o sucessor de Luiz Gonzaga e o artista popular.
Sobre a produção do filme, Deborah Osborn, revela que foi realizada uma pesquisa em acervos no Brasil e no exterior, procurando tudo que pudesse existir de imagem, entrevistas e áudios que se relacionassem a Dominguinhos. ”Queríamos revelar ao público o Dominguinhos que vai muito além do estigma do mestre do forró - um músico autodidata capaz de tocar e criar todos os gêneros musicais possíveis. Quando percebemos, tínhamos a história de Dominguinhos por ele mesmo, contada ao longo de diversas entrevistas, em diversas fases e momentos da vida, de diversas formas. Por isso optamos por uma linda narrativa em primeira pessoa”, explica.

Ela disse ainda que, só realizar o projeto porque a equipe, todos os músicos, acervos, editoras e gravadoras foram generosos nessa homenagem ao artista. “Só a TV Cultura, coprodutora do projeto, por exemplo, entrou com 20 minutos em material de arquivo. Para se ter uma idéia, temos mais de 20 fontes de materiais de arquivo e 28 obras musicais que entraram no corte do filme”, adianta.


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