Fernando Alcoforado*
O Brasil não se defronta apenas com os
apagões do setor elétrico. O baixo nível dos reservatórios, as evidentes falhas
de gestão e planejamento e as velhas práticas de uso das empresas estatais para
finalidades políticas em nada relacionadas com a produção de energia explicam
por que a ameaça de racionamento de
energia não está afastada.
Os apagões se manifestam em todos os
setores de atividade do País tendo como principal responsável o governo
federal. Os principais apagões que afetam a sociedade brasileira são os
seguintes: 1) o declínio no crescimento do PIB; 2) a poupança interna
insuficiente; 3) a elevação descontrolada das taxas de inflação; 4) a explosão
da dívida pública; 5) a desindustrialização do País; e, 6) a elevação do Custo
Brasil.
A taxa média de crescimento da
economia brasileira de 1994 a 2012 foi de 1,45% ao ano evidenciando um
desempenho insatisfatório pelo fato de não apresentar, de forma sustentável,
taxas acima de 5% ao ano necessárias à geração de emprego e renda no Brasil. No
momento atual, há o declínio no crescimento econômico do País.
Para o Brasil apresentar um
crescimento compatível com as necessidades do País, é preciso que cresça
economicamente a uma taxa de 5% ao ano tornando um imperativo haver a elevação
da poupança e dos investimentos públicos e privados dos atuais 18,7% para 25%
em relação ao PIB. Na história econômica do Brasil do pós-guerra até o presente
momento, o aumento da taxa de poupança do País tem ocorrido graças ao uso de
poupança externa do qual vem resultando em crônicos déficits no balanço de
pagamentos em conta corrente, no aumento do endividamento externo e na
dependência externa do Brasil.
A inflação oficial do governo, mesmo
com toda maquiagem que ele vem fazendo para forçá-la para baixo, deverá superar
o centro da meta de 4,5% ao ano em 2014. No momento atual, pode-se afirmar que
o Brasil já convive com a estagflação que se caracteriza por baixo crescimento
econômico e alta inflação.
A dívida pública no Brasil evoluiu de
R$ 62 bilhões durante o governo FHC e R$ 687 bilhões durante o governo Lula
para alcançar valor extremamente elevado de R$ 2,24 trilhões em 2013 durante o
governo Dilma Rousseff. O principal fator responsável pela elevação da dívida
pública do Brasil tem sido as taxas de juros Selic adotadas pelo
governo federal, as maiores em toda a
economia mundial. O lamentável é que o governo federal está gastando quase 50%
do orçamento da União com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública
(R$ 900 bilhões) superando amplamente os recursos destinados à educação, saúde
e infraestrutura.
A política econômica atual do governo
federal está contribuindo para a desindustrialização do Brasil que tende a se
aprofundar se nada for feito para revertê-la.
A participação da indústria no PIB
(Produto Interno Bruto) brasileiro recuou em 2011 aos níveis de 1956 quando,
durante o governo JK, respondia por 13,8% do PIB. O auge da contribuição da
indústria para a geração de riquezas no Brasil ocorreu em 1985: 27,2% do PIB.
Desde então, tem caído.
O Custo Brasil é um dos maiores
entraves ao desenvolvimento do País e resulta fundamentalmente: 1) do elevado
déficit público (R$ 2 trilhões); 2) das taxas de juros reais elevadas (8,5%);
3) do elevado “spread” bancário; 4) da altíssima carga tributária (35% do PIB)
das maiores do mundo; 5) dos altos custos trabalhistas; 6) dos elevados custos
do sistema previdenciário; 7) da legislação fiscal complexa e ineficiente; 8)
do alto custo da energia elétrica; 9) da infraestrutura precária (apagões do
setor elétrico e saturação de portos, aeroportos, estradas e ferrovias); e, 10)
da falta de mão de obra qualificada.
Todos estes 10 apagões que afetam a
sociedade brasileira resultam, fundamentalmente, da ineficiência e ineficácia
das ações do governo federal que contribuem para a geração de desperdícios de
recursos públicos de toda ordem. O apagão da gestão do setor público no Brasil
é o principal responsável pelos apagões que afetam a sociedade brasileira como
um todo.
*Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor
em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, é professor
universitário e consultor.


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