Política
Por
Luiz Felipe Pondé
Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé é um filósofo,
escritor e ensaísta brasileiro de origem judaica e matriz conservadora. Seu
livro Guia Politicamente Incorreto da Filosofia é um dos mais vendidos do Brasil
segundo a lista da revista Veja.
Colaboração de Antonio Abreu
Temos que reconhecer: chegamos ao fim de
uma era. O PT vive seu outono. Melhor voltar para o pátio da fábrica onde
nasceu e de onde nunca deveria ter saído.
Há que se ter uma certa grandeza, mesmo
no pecado (o desejo de poder é o pecado máximo de toda a política), e o PT se
revelou incapaz até de pecar com elegância.
Este outono do PT não se deve apenas às
manifestações contra seu governo. Essas manifestações, diferentes das patrocinadas
pelo "PT e Associados", manifestações com todos os tiques de política
de cabresto e mazelas sindicalistas (passeata chapa branca), trazem algo de
novo para o cenário, que deixa o "PT e Associados" em pânico. A
tendência é a elevação da violência por parte da militância.
O Brasil perdeu o medo do PT e da
esquerdinha pseudo. As pessoas descobriram que o mal-estar com essa turminha
não é coisa de "gente do mal" (não é coisa de gente do mal, é coisa
de gente bem informada), como a turminha pseudo diz, mas sim que somaram 2 + 2
e deu 4: o PT é incompetente para governar. Afundou quase tudo em que tocou,
seja municipal, estadual ou federal (e a Petrobras). Mas essa morte do PT
significa mais do que o fim de um partido que será esquecido em cem anos.
O fim do PT significa que o ciclo
pós-ditadura se fechou. No momento pós-ditadura, a esquerda detinha a reserva
de virtude política e moral, assim como de toda a crítica política e social.
Ainda que a história já tivesse provado que todos os regimes de esquerda quebram
a economia (como o PT quebrou a nossa) ou destroem a democracia (como os
setores mais militantes do partido gostariam de fazê-lo).
Vide o caso mais recente e mais próximo,
a Venezuela: economia destruída (e com petróleo!) e democracia encerrada de uma
vez por todas. Como será que nossa diplomacia, ridícula como quase tudo que o
governo do PT toca, reagirá ao fato de ele, Maduro, ter se dado plenos poderes
para matar e torturar em nome do socialismo?
Resta pouco espaço para o governo. A
tendência é que a presidente fale apenas a portas fechadas para plateias
seletas por medo de tomar mais uma panelada. Com a economia em frangalhos, fica
difícil para a presidente enterrar o petrolão em consumo, como seu antecessor o
fez durante o escândalo do mensalão.
Quando as pessoas estão felizes
comprando é fácil fazer vista grossa à corrupção. Quando o bolso esvazia, o
saco fica cheio.
Dizer que a corrupção da Petrobras nada
tem a ver com o partido no poder é piada. A ganância do novo rico (o PT) aqui
mostra seus dentes: querendo enriquecer rápido, meteu os pés pelas mãos e com
isso sacrificou a imagem de redentor que o partido tinha para grande parte da
classe média. Ele ainda detém o controle de parte da população mais pobre (como
a Arena no final da ditadura), mas logo perderá esse trunfo.
É verdade que ainda muitos professores,
estudantes, artistas, jornalistas e intelectuais permanecem sob a esfera de
influência da "estrela mentirosa". Mas isso também vai passar na hora
em que muitos deles perderem o medo de serem chamados de
"reacionários". Reacionário hoje é quem se fecha ao fato de que a
história andou e as pessoas já não têm mais medo do PT e da sua turminha.
Infelizmente, o governo, diante da
história que arromba a porta, parece um grupo de náufragos num barquinho,
fugindo da traição que perpetrou, xingando a água, dizendo que as ondas são
fascistas e que a tempestade é mal-intencionada.
Não, quem discorda hoje do governo
federal não é gente "fascista", é gente que viu que o projeto do PT
para o Brasil acabou. É gente educada, bem preparada, autônoma e que está de
saco cheio do tatibitate do PT. Sem líderes significativos, sem propostas que
criem a credibilidade necessária para sair da lama, a melhor coisa que o PT
pode fazer é pedir licença e sair de cena.
Não acho que haja justificativa (ainda)
para o impeachment, e devemos preservar as instituições. Mas a água passa
debaixo da ponte. Quatro anos é tempo bastante para se afogar na vergonha. E,
aí, a humildade será mesmo essencial, não? Sim, mas o PT é pura empáfia.

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