Os mais antigos registos
fósseis de alguns dos insetos que nos rodeiam têm 390 milhões de anos. Não admira
que haja quem diga que depois de a humanidade desaparecer os insectos ainda por
cá estarão. Dos destruidores enxames de gafanhotos aos mega-impérios secretos
das formigas, eles são um testemunho do poder da natureza. Que o diga Moisés,
um dos maiores especialistas em evocar a ira dos insetos para castigar os
humanos.
Faça de conta que, ao abrir a porta de casa, dá de caras com uma libélula gigante cujas asas, de uma ponta à outra, medem 75 centímetros. Ou então, para tornar o cenário ainda mais impróprio para cardíacos, descobre que atrás de si, vinda da cozinha, está uma enorme barata com 43 centímetros de envergadura, ainda por cima capaz de voar.
Ficou apavorado ao ler o parágrafo anterior?
Sossegue e respire fundo, pois criaturas como estas, apesar de terem povoado o
nosso planeta durante muito tempo, já passaram à categoria de extintos há
centenas de milhões de anos.
Todavia, existem atualmente 977 grandes
famílias de insetos (900 mil espécies diferentes, se quisermos ser mais
picuinhas) e um dos fatos mais curiosos é que 84 por cento delas já andavam e
voavam pelo nosso planeta há cem milhões de anos atrás. Se tivermos em conta
que o registo mais antigo de um hominídeo (o precursor do homo sapiens)
tem sete milhões de anos, dá vontade de pensar se o planeta que habitamos é
nosso ou dos insectos, que estão cá há muito mais tempo.
Mas se estes números não o impressionam,
fique a saber que os mais antigos registos fósseis, de alguns dos insetos que
ainda existem, têm 390 milhões de anos. São muitas velas para soprar num bolo
de aniversário e é uma cifra que dá uma extraordinária perspectiva da tenaz
longevidade dos insetos. Não é para qualquer animal e impõe um certo respeito.
© Ghedoghedo, licença CC-SA 3.0
Meganeura monyi. Eis o nome científico da fabulosa (ou
terrífica) libélula de 75 centímetros de largura, o maior inseto de que se tem
conhecimento e que viveu na idade do Carbonífero, há uns idos 300 milhões de
anos. O seu nome é estranho (pelo menos para o comum leigo), mas está
relacionado com a vasta rede de veias que tinha nas asas. Quanto ao seu
tamanho, especula-se que tal se deva à atmosfera rica em oxigénio que existia
na Terra pré-histórica, embora esta teoria não recolha a predileção de muitos
cientistas. Ao contrário das divertidas libélulas que costumamos encontrar,
estas não eram nada simpáticas, comportando-se antes como verdadeiros
predadores na caça a outros insetos ou a pequenos anfíbios e répteis. Para as
pessoas que gostam de passear sossegadamente pelo campo, o facto de estes
pequenos “monstrinhos” já não existirem é mesmo uma bênção.
Nos dias de hoje, só o escaravelho Goliathus,
com os seus 11 centímetros de comprimento e quase 100 gramas de peso, poderá
assustar os mais sensíveis. Mesmo assim, não deixa de ser uma amostra irrisória,
tendo em conta aquilo que foram os seus “grandes” antepassados – esses sim,
autênticos Golias. Já a borboleta Rainha Alexandra, com um par de
asas que podem medir 31 centímetros de lés a lés, nada mais faz do que
encantar-nos com o seu tamanho recorde e os belos padrões que as suas asas
exibem.
© Alvesgaspar, licença CC-SA 3.0
As pragas do Egito
O maior especialista mundial em pragas de
insectos foi, sem sombra de dúvidas, Moisés. Quem o diz? A Bíblia! Das dez
pragas que assolaram o Egito dos faraós, todas elas provocadas pelo conhecido
profeta do Velho Testamento, três envolviam piolhos, moscas e gafanhotos. Um
feito inigualável.
Da Bíblia para o mundo real, as infestações
de insectos constituem um dos grandes dramas nos países do terceiro mundo, especialmente
nas nações africanas que tanto dependem da agricultura para a sua subsistência.
O “inimigo público número um” são os gafanhotos, esses temíveis devoradores
que, quando juntos, são capazes de tragar em poucas horas toda a flora de uma
região.
Em 1954 o Quénia foi palco de uma autêntica
invasão, protagonizada por 50 enxames de gafanhotos provenientes do deserto. No
total, foram contabilizados 50 mil milhões de gafanhotos esfomeados (o
equivalente a cem mil toneladas de "bicharocos"), os quais devoraram
toda a flora de uma área equivalente a mil metros quadrados. Sem dó nem perdão,
e não houve milagre bíblico que os travasse.
Em pleno século XXI, calhou aos
nova-iorquinos sentirem na pele o que é uma praga de insectos. Percevejos por
todo o lado: nas camas dos quartos, em cafés, cinemas, lojas de roupa, nem o
Empire State Building ou o Lincoln Center escaparam ilesos a esta infestação. O
drama dos percevejos, em 2010, levou inclusive a que muitos turistas
cancelassem as suas férias na Big Apple.
Um super-império de formigas
Para os humanos mais sobranceiros, não há
dúvidas de que o ser humano, uma vez estabelecido em sociedade, assenhoreou-se
do planeta Terra. Ou seja, o tempo dos insectos já lá vai e quem manda agora
são os bípedes de massa encefálica que vivem em arranha-céus de ferro e
cimento. Pois bem, essa noção antropocêntrica poderá estar totalmente errada!
A verdade é que existe um império secreto que
domina uma boa porção da Europa, esticando-se de Itália a Portugal. Não se
trata de uma qualquer sociedade secreta de homens e mulheres, mas sim de uma
super-colônia de formigas argentinas, cujo território se estende por seis mil
quilómetros, ao longo da costa mediterrânica. No entanto, parece que estes
insectos estão dispostos a competir com a humanidade, pois existem outras
super-colônias, embora mais pequenas, nos EUA e Japão.
Ao contrário das formigas de outras espécies,
que são bastante conflituosas entre si no que concerne a defender as suas
fronteiras, as formigas argentinas são bastante tolerantes para com as
congéneres que vivem noutras colónias, comportando-se como se fossem velhas
amigas e jamais se evitando - aliás, um dos seus atos sociais preferidos
consiste em esfregarem as antenas mutuamente, num sinal da mais pura amizade. É
caso para dizer: quem nos dera que os seres humanos fossem assim também!
Tendo em conta os factos, os investigadores
parecem ter chegado à conclusão de que os milhares de milhões de formigas argentinas
pertencem a uma única e global mega-colónia, isto apesar de viverem separados
por vastos oceanos. Uau!
A enorme extensão desta população global de
insectos só é rivalizada pela sociedade humana e, ironicamente, foi
precisamente a humanidade quem a criou, dado que as transportaram,
inicialmente, pelos quatro cantos do mundo, a partir da América do Sul.
Agradecimentos à globalização.
Mas… será que um dia assumirão o controlo do
mundo, tomando o nosso lugar? Aceitam-se apostas.
© Dr Jean Fortunet.
licença CC-SA 3.0
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