Colaboração de Fernando Alcoforado*
O sistema de educação
da China foi analisado tomando por base o conteúdo dos artigos seguintes: 1)
Estrutura do sistema de ensino na China disponível no website ; 2) Sistema
Educacional na China disponível no website ; 3) Xangai: qualidades e falhas do
melhor sistema educacional do mundo disponível no website ; e, 4) Líder em
educação, China faz aluno estudar três vezes mais que o resto disponível no
website . O sistema de educação da China tem uma estrutura em três níveis: 1)
primário; 2) secundário; e, 3) superior. O ensino primário tem início aos seis
anos de idade, é obrigatório e tem uma duração de seis anos. O ensino
secundário é dividido, por sua vez, em ensino secundário do primeiro ciclo e
ensino secundário do segundo ciclo. O primeiro ciclo do ensino secundário
costuma ter uma duração de 3 anos e é obrigatório. Para entrarem no segundo
ciclo do ensino secundário, que tem uma duração de três anos, os alunos
precisam ser aprovados através de exames pertinentes.
O primeiro nível do ensino universitário chinês que os
estudantes têm acesso após concluir o ensino secundário é o undergraduate
(licenciatura), que tem uma duração de quatro anos. Imediatamente a seguir
encontra-se o grau de mestrado que tem a duração de três anos. Por fim, o
doutorado, que é o nível universitário mais elevado e a sua duração consiste em
três anos. O ensino nos níveis de licenciatura (undergraduate) é realizado em
chinês, embora as instituições façam um esforço cada vez maior para se
internacionalizarem. Por outro lado, nas universidades com maior participação de
estudantes estrangeiros, os professores estrangeiros ministram suas disciplinas
em inglês, sobretudo as relacionadas com o âmbito empresarial e financeiro. No
caso de fazerem os estudos em mandarim, os estudantes estrangeiros têm de
cursar um ou dois anos letivos desta língua.
O ano letivo tem dois semestres de cerca de 20 semanas cada
um. O primeiro tem início em setembro e o segundo em fevereiro do ano seguinte.
É obrigatório assistir às aulas. . Na China, só os níveis compulsórios de
ensino - do primeiro ao nono ano - são gratuitos. Os três anos de ensino médio
são pagos, mesmo nas escolas públicas. E mesmo nos níveis gratuitos os pais
devem pagar uniforme, transporte e alimentação. No que se refere ao
financiamento do ensino, a China possui uma política de custos partilhados,
pela qual os estudantes contribuem com uma percentagem variável e dependente do
seu nível de rendimentos. Há, portanto, alunos que financiam eles próprios os
seus estudos e os que estudam graças a uma bolsa do governo. Pretende-se o
acesso generalizado ao ensino superior. Neste sentido, nos últimos anos, foram
2 implementados planos específicos, orientados para pessoas com dificuldades
econômicas. Estes planos incluem bolsas, isenções ou reduções de matrículas ou
empréstimos estatais.
O sistema de educação da China ocupa hoje o primeiro lugar
no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) que avalia o
desempenho de alunos até 15 anos de idade em matemática, ciências e leitura. A
ascensão da China ao primeiro lugar no PISA significou a queda da Finlândia que
liderava este ranking. Para alcançar a liderança no PISA, houve grande
investimento por parte do governo chinês na melhoria das estruturas físicas e
humanas como parte da reforma necessária em busca do aumento da qualidade na
educação. O investimento nos professores foi o principal impulso para alcançar
este objetivo. A cada 5 anos, o professor passa por um processo de avaliação
para verificar seu nível de atualização. Se reprovado, ainda existe a
possibilidade do professor se preparar para uma segunda prova, que, se
novamente reprovado, é remanejado para qualquer outro setor da escola até
passar por nova avaliação, quando então, se reprovado, fica impedido de
lecionar em qualquer parte da China.
Um fato muito significativo chama a atenção: a diferença
entre a média mais baixa e a mais alta dos estudantes das escolas é mínima, ou
seja, todos os alunos são muito bons. Há muita organização, disciplina, estudos
individuais, investimento em estrutura, conteúdos acadêmicos, esportes e artes,
além de muito apoio da família. Não há problemas de indisciplina nas escolas.
Os pais chineses são muito rigorosos com a educação dos filhos, acreditam na
escola, são parceiros e respeitam muito o professor. Pode-se afirmar que a
educação da China galgou o primeiro lugar no PISA porque possui um Currículo
muito bem estruturado de forma científica, privilegiando o desenvolvimento
saudável tanto físico como mental dos estudantes, a capacitação integral dos
professores, a união de forças e vontades entre governo, profissionais da
educação, alunos e pais. Para os chineses, o conhecimento não tem pátria e fala
uma única linguagem e por isso, com humildade enviaram seus profissionais para
várias partes do mundo em busca das melhores práticas pedagógicas.
Na China, existe um apreço quase obsessivo pelo ensino que é
um valor compartilhado por toda sociedade chinesa. Apesar da renda limitada dos
pais, eles é que pagam as escolas de reforço dos filhos e também seus estudos.
O governo dá apenas os livros. O sistema de ensino chinês é muito competitivo
havendo numerosos testes ao longo das diversas etapas do sistema. Apesar disso,
os níveis de fracasso escolar são muito baixos e a taxa de alfabetização
ultrapassa os 94%, segundo dados do Banco Mundial. Assim como outros sistemas
de ensino asiáticos, o chinês tende a privilegiar o cálculo e a memorização
sobre a criatividade, a análise e a capacidade de expressão. Na Ásia, se
costuma promover mais o cálculo e a memorização de conteúdos ao invés de habilidades
analíticas, a imaginação e a iniciativa pessoal. Ao lado deste sistema de
ensino se acrescenta na China uma grande pressão dos pais, professores e da
sociedade em geral, para que os jovens, quase sempre filhos únicos, alcancem o
sucesso acadêmico que lhes permita competir por um bom trabalho no país mais
povoado do mundo. Essa pressão, combinada com um grande número de horas de
estudo tão intenso que não deixa tempo livre para qualquer outra coisa, pode
prejudicar o desenvolvimento saudável da personalidade e das habilidades
sociais dos estudantes.
* Fernando
Alcoforado, 75, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em
Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de
Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento
estratégico, planejamento empresarial, planejamento 3 regional e planejamento
de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São
Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora
Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo,
2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de
doutorado. Universidade de Barcelona,
http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e
Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do
Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA,
Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social
Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller
Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento
Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010),
Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global
(Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os
Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV,
Curitiba, 2012) e Energia no Mundo e no BrasilEnergia e Mudança Climática
Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015).

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